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Já viu uma vaca canulada (com um buraco) por aí? Processo de fistulação e canulação é bem antigo

Embora seja uma prática relativamente antiga (data da década de 1920), o processo de fistulação (abrir cirurgicamente um canal entre um órgão e o exterior) e canulação (introduzir uma válvula na cavidade) de um dos compartimentos (rúmen) do estômago de bovinos é pouco conhecido do público leigo e, quando visto por ele, normalmente causa espanto. Afinal, por que alguém faria esse estranho procedimento? O animal sente dor? Sua vida é colocada em risco?

Em artigo publicado em 2009 na revista Ciência e Agrotecnologia da Universidade Federal de Lavras (MG), três pesquisadores de Medicina Veterinária analisaram e descreveram o processo realizado em 25 vacas e oito cordeiros (entre 2000 e 2005). No texto, eles explicam que a canulação é usada como alternativa a sondas (que só permitem a coleta de pouco material e entopem com certa facilidade) para coletar amostras de material em processo de digestão e analisar a saúde do animal.

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O processo é similar ao de uma cirurgia convencional: jejum, sedação, antisséptico local, anestesia, incisão e acompanhamento. Para introduzir a cânula (também conhecida como “joundill”), a pele da área é removida e os músculos são afastados no sentido de suas fibras. A cânula, que pode ser de material rígido ou flexível (mais comum), tem uma abertura de 11,5 cm de diâmetro externo (no caso dos bovinos; nos cordeiros, o diâmetro é de 8,3 cm) que pode ser facilmente tampada. O procedimento leva, em média, menos de uma hora e normalmente é feito de uma única vez, “reduzindo o custo operacional e o estresse do animal”.

411No estudo, apenas três animais tiveram que ter o procedimento revertido, por causa de excesso de vazamento do conteúdo do estômago. “O vazamento de conteúdo ruminal é uma das complicações mais comumente observadas em animais canulados”, escrevem os autores. Em um dos três animais, a cânula “escapou”, mas “não foi observada abertura anormal da fístula ou cicatrização irregular da ferida”. Como prevenção, todos os animais recebem uma dose de antibióticos pouco depois do procedimento, para diminuir o risco de infecções.

“É comum a ocorrência de necrose na borda da ferida cirúrgica em consequência da compressão dos tecidos exercida pela cânula”, explicam, “e a ferida geralmente se recupera com cicatrização [em cerca de 30 dias]”. O local é higienizado constantemente, para evitar infecções, e os autores não relataram se houve qualquer desconforto demonstrado pelos animais – mas, como não deixaram de abordar as complicações, supõe-se que teriam relatado, se fosse o caso.

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