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Foto: milkpoint.com.br
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Risco e investimento, desafios de produzir comida para nossas vacas

Por Guilherme Marquez, gerente de Produto Leite Nacional Alta

O leite entra pela boca. Sempre escutei esse ditado e por isso venho procurando constantemente criar soluções para que possamos ter comida de qualidade e suficiente para nossas vacas. Confesso que não é uma tarefa simples assim, pois exige muito conhecimento, investimento e sorte climatológica para que nossas decisões tenham um impacto positivo.

Esse esforço na busca de soluções também nos apresenta um grande gargalo, talvez chamado ainda de um grande desafio. Esse adjetivo “grande” é relacionado à palavra custo. O custo é quase sempre o fator de decisão dentro de uma propriedade que visa lucro. Custo e lucro são expectativas que devem se comportar de forma controlada e quem sabe oposta, ou seja, menor custo maior lucro.

O custo gera um investimento primário, na esperança de que o retorno seja alto. Entre o investimento e o retorno existe um grande espaço, que, muitas vezes, é incontrolável e totalmente dependente do meio. Nesse pensamento, conhecemos outra palavra chamada risco. Risco significa a variação de resultados, tanto para o negativo quanto para o positivo que um investimento pode gerar.

Então perguntamos: qual é o risco de produzir comida para nossas vacas?

Vamos então pensar sobre todas as alternativas que podemos ter no futuro antes de fazermos um investimento em comida. Precisamos pensar em tudo, nos chamados Plano A, Plano B, Plano C e quem sabe até em Plano D.

Todos os planos passam pela primeira análise que deve ser feita – chamo aqui de Análise de Aptidão da Fazenda –, ou seja, após uma análise de solo, de históricos de chuvas na região, na facilidade de entradas de maquinários, na aptidão da região para terceirizações, na capacidade financeira de investimentos da propriedade e no potencial do rebanho, temos que ser capazes de fazer nossas escolhas, tendo em plano o máximo de retorno sobre nossa decisão; valendo assim, nosso investimento.

Neste artigo, queria enfatizar o entendimento de dois pontos muito importantes para nossa reflexão: o primeiro, sobre chuva, e o segundo, sobre risco.

Para falar de chuva, precisamos mais do que conversa ou de percepções. Temos que ter números, históricos de chuvas, ou seja, informações mais embasadas para tomarmos uma decisão. Toda planta precisa de água para poder nascer, crescer e se desenvolver.

Veja, por exemplo, o comportamento das chuvas nas últimas décadas. Não foram tempos mudados, e sim o volume de água. Chove na mesma época, só que os volumes estão alternados.

Site: www.coletta.com.br

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Quando colocamos isso no comparativo de necessidade de água de uma planta, temos, por exemplo, o milho (exemplifico milho por ser a comida estocada mais usual e tradicional da pecuária) é uma cultura muito exigente em água. Entretanto, pode ser cultivado em regiões onde as precipitações vão desde 250 mm até 5.000 mm anuais, sendo que a quantidade de água consumida pela planta, durante seu ciclo, está em torno de 600 milímetros. O consumo de água pela planta, nos estádios iniciais de crescimento, num clima quente e seco, raramente excede 2,5 mm/dia. Durante o período compreendido entre o espigamento e a maturação, o consumo pode se elevar para cinco mm a 7,5 mm diários, mas, se a temperatura estiver muito elevada e a umidade do ar muito baixa, poderá chegar a 10 mm/dia.

A ocorrência de déficit hídrico na cultura do milho pode ocasionar danos em todas as fases. Na fase do crescimento vegetativo, devido ao menor alongamento celular e à redução da massa vegetativa, há uma diminuição na taxa fotossintética. Após o déficit hídrico, a produção de grãos é afetada diretamente, pois a menor massa vegetativa possui menor capacidade fotossintética. Na fase do florescimento, a ocorrência de dessecação dos estilos-estigmas (aumento do grau de protandria), aborto dos sacos embrionários, distúrbios na meiose, aborto das espiguetas e morte dos grãos de pólen resultarão em redução no rendimento. Déficit hídrico na fase de enchimento de grãos afetará o metabolismo da planta e o fechamento de estômatos, reduzindo a taxa fotossintética e, consequentemente, a produção de fotossimilados e sua translocação para os grãos, ou seja, sem a quantidade certa de água, não teremos comida para nossos animais.

Em termos de produtividade, o milho chega a suas 12,8 toneladas de matéria seca por hectare.

Se formos buscar uma cultura de valor nutritivo menor, podemos como opção entender um pouco mais da cana-de-açúcar. Os principais componentes climáticos que controlam o crescimento, a produção e a qualidade da cana são temperatura, luz e umidade disponível. A planta usa de 148 gramas a 300 g de água para produzir 1.0 g de matéria seca. O sucesso dessa gramínea deve-se a duas características intrínsecas da planta: alta produção de matéria seca por hectare e capacidade de manutenção do potencial energético durante o período seco.

A cana-de-açúcar é insuperável em termos de produção de matéria seca e energia/ha em um único corte. Nas condições de Brasil Central, a produção de cana integral fresca/ha/corte pode variar entre 60 e 120 toneladas, por um período de até cinco anos (maior produção no primeiro ano). Entretanto, a cana-de-açúcar é um alimento que, apesar dos elevados teores de açúcar, possui baixos níveis de proteína, tornando seu valor nutricional desbalanceado. Assim se torna necessária a sua complementação para o correto balanceamento nutricional.

Ainda temos o caso da capineira de capim-elefante, de napier ou de cameron. Com a produção de forragem em intervalos de corte de 42 dias, a produção anual de forragem será de 120 toneladas de forragem verde. O capim-elefante é a gramínea tropical que apresenta o maior potencial de produção de matéria seca (FARIA,1994) desde que as condições climáticas e de manejo sejam favoráveis. O capim-elefante pode chegar a 100 quilos por hectare.

Cultivo de capim-elefante

Tendo volume da água suficiente, temos comida suficiente. O problema é que, quando não planejamos corretamente, os resultados são desastrosos. Casos e mais casos nas regiões mais secas em Minas Gerais, por exemplo, contabilizam perdas e até morte de animais por falta de comida. Uma lição tem que ser dita. É melhor ter do que não ter.

A decisão sobre o que plantar e quando plantar passa agora pelo segundo assunto, ao qual dou muita importância, o assunto risco. Chamo de risco o montante de dinheiro investido na cultura pela sua colheita, ou seja, o seu resultado final como comida, avaliando dois aspectos fundamentais, a qualidade e a quantidade.

Em termos práticos, trabalhamos com uma tonelada de volumoso por vaca/mês. Quantas vacas iremos trabalhar e por quanto tempo? As respostas dessas perguntas já nos dão uma ideia bem interessante do volume final de comida que deveremos fazer.

Fonte altagenetics.com.br

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