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Saúva na pecuária, sauveiros podem consumir o equivalente à dieta de um animal adulto

O impacto da saúva na pecuária. No espaço de um hectare, dez sauveiros consomem o equivalente à dieta de um boi diariamente. Especialista comenta formas de combate à praga.

Na década de 1970, o pesquisador e entomologista Domingos Gallo levantou números impressionantes sobre o impacto das saúvas na atividade agropecuária. Estudioso das formigas cortadeiras, ele chegou à conclusão de que dez sauveiros por hectare da espécie Atta capiguara são capazes de se alimentar de 21 kg de capim por dia. O valor é equivalente ao consumo diário de um boi em regime de pasto. Considerando que sauveiros maduros (com até cinco anos), têm entre 3,5 e 7 milhões de indivíduos fica fácil enxergar o tamanho do problema.

“Ainda hoje, a saúva é uma praga comum nas pastagens e precisa ser melhor controlada”, afirma o pesquisador da Esalq Octavio Nakano.

A cada hectare, elas ocupam em média 700 m² e reduzem a capacidade de suporte do pasto em 50%.

Na agricultura, nem sempre causam um dano tão grande, por conta da lavoura estar sob constante monitoramento e algumas plantas serem pouco afetadas pela desfolha. “No caso do milho, por exemplo, 60 dias depois do plantio a folha já não tem muita importância. A soja sim, poderia sofrer mais, mas os agricultores acompanham seu desenvolvimento desde o início, o que evita surpresas”, completa Nakano.

Estudo realizado pela UNESP de Botucatu, mostrando um sauveiro concretado.

Estudo realizado pela UNESP de Botucatu, mostrando um sauveiro concretado.

Formas de controle

Independentemente do ambiente produtivo ocupado pelas saúvas, não faltam mecanismos para combatê-las. As opções vão de receitas caseiras, como mistura de água e sabão, a formicidas químicos e orgânicos.

O controle mais usual ainda é o químico, feito por meio de iscas com substâncias capazes de intoxicar a formiga por ingestão. Colocada na trilha para o sauveiro, a isca atrai as operárias por conta de seu componente cítrico e, uma vez entregue às jardineiras, mata essas formigas. “As jardineiras são responsáveis pelo cultivo do fungo que alimenta a colônia e, quando elas morrem, o fungo degenera”, explica o pesquisador. A falta de comida provoca a extinção do sauveiro. De baixo custo, agroquímicos à base de sulfluramida e fipronil têm se mostrado eficientes para controle sauveiros recentes e antigos.

Formicidas orgânicos

Mais polêmica é a eficiência de plantas tóxicas no combate à formiga, o que, inclusive, foi alvo de estudos do pesquisador Octavio Nakano. Ele conta que na natureza a saúva não carrega folhas de mamona e que durante muito tempo tentou-se intoxicá-la por via bucal sem sucesso. A mamona tem uma substância venenosa para essas formigas cujo nome é ricinina.

No caso do gergelim, prejudicial ao desenvolvimento do fungo cultivado no sauveiro, o desafio foi outro. “De primeira, segundo consta na literatura, as saúvas até carregam o gergelim para dentro do ninho, mas, ao perceber que se trata de um fungicida, logo deixam de fazer seu transporte”, afirma o pesquisador.

Diante dos resultados pouco promissores, adotou-se a alternativa de fumigar essas substâncias no interior do sauveiro, o que mata os insetos por via respiratória. “A descoberta não é nossa [da Esalq], mas criamos um cone que impulsiona a fumaça a até dois, três metros de profundidade, que é o que vai permitir matar a rainha”, diz.

No interior do cone, feito de papelão, há um composto à base de mamona com óleo de gergelim e pólvora. Aceso seu pavio, ele começa a soltar a fumaça. De acordo com Nakano, a substância não é tóxica para o homem ou outras espécies. Seu formato é próprio para encaixe na boca do formigueiro.

Esquema geral de um sauveiro (Fonte: UNIBRÁS, retirado de DELLA LUCIA, 1993, p.32)

Esquema geral de um sauveiro (Fonte: UNIBRÁS, retirado de DELLA LUCIA, 1993, p.32)

Embaixo da terra, o produto se dissipa rapidamente e tem concentração adequada para matar as formigas numa área de até 10 m², medida na superfície. Segundo o pesquisador, o composto não deixa resíduo nenhum na pastagem e a ricinina, presente na mamona e tóxica para as saúvas, se degrada com facilidade. O produto, que funciona também contra as quenquéns, está há cinco anos sob análise da Anvisa.

Fonte: Portal DBO

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