Originária da África, a cabra africana da raça Anglo-Nubiana combina rusticidade, produção de leite de alta qualidade e excelente adaptação ao clima quente e seco do Nordeste brasileiro.
A caprinocultura brasileira encontrou na raça Anglo-Nubiana uma das melhores alternativas para produção em regiões de clima quente e seco. Originária do cruzamento entre cabras inglesas e animais da região da Núbia, no norte da África — área que atualmente compreende partes do Sudão e do Egito —, a raça tornou-se referência em adaptabilidade, produtividade e versatilidade, especialmente no semiárido nordestino.
Com características que favorecem tanto a produção de leite quanto de carne, a Anglo-Nubiana é considerada uma raça de dupla aptidão e está entre as mais valorizadas por criadores que buscam eficiência produtiva em ambientes desafiadores. Sua rusticidade, aliada à capacidade de aproveitar bem os recursos disponíveis, permitiu que se espalhasse por diversas regiões do Brasil, com destaque para o Nordeste, além de estados como Goiás e Minas Gerais.
Raça Anglo-Nubiana: Da África para o Brasil
A origem da raça remonta ao século XIX, quando criadores ingleses cruzaram cabras nativas da Inglaterra com animais oriundos da África e do Oriente Médio. O objetivo era desenvolver um caprino capaz de produzir leite de qualidade superior sem perder resistência física.
O resultado foi um animal de grande porte, com características marcantes como o perfil facial convexo, conhecido popularmente como “cara romana”, e as longas orelhas pendentes que se tornaram uma das principais marcas da raça.
No Brasil, a Anglo-Nubiana encontrou condições ideais para se desenvolver, especialmente em regiões de temperaturas elevadas e períodos prolongados de estiagem.
Por que a cabra africana conquistou o Nordeste?
A forte influência genética africana explica boa parte dessa capacidade de adaptação. Ao longo de sua formação, a raça herdou características que favorecem a sobrevivência em ambientes áridos e semiáridos, semelhantes aos encontrados na Caatinga brasileira.
Entre os principais diferenciais estão:
- Alta tolerância ao calor;
- Boa resistência à escassez de água;
- Capacidade de aproveitar forragens de menor qualidade;
- Rusticidade no manejo;
- Boa resistência a doenças típicas de regiões quentes.
Essas características reduzem custos de produção e tornam a atividade mais sustentável para pequenos e médios produtores.
Produção de leite é um dos grandes destaques
Embora seja considerada uma raça de dupla aptidão, a Anglo-Nubiana se destaca especialmente pela qualidade do leite.
O leite possui elevado teor de gordura, proteína e sólidos totais, características muito valorizadas pela indústria de queijos, doces e derivados artesanais.
Além da qualidade, a raça apresenta boa persistência de lactação, permitindo produção durante períodos mais longos ao longo do ano.
Esse diferencial tem impulsionado a utilização da Anglo-Nubiana em programas de melhoramento genético voltados à caprinocultura leiteira nacional.
Animais de grande porte e excelente rendimento
Outro fator que chama a atenção dos criadores é o tamanho dos animais.
Os machos adultos podem atingir entre 100 e 120 quilos, enquanto as fêmeas costumam alcançar cerca de 80 quilos.
Essa característica garante bom rendimento de carcaça, tornando a raça uma alternativa interessante também para produção de carne caprina.
Além disso, a excelente conversão alimentar permite ganhos de peso satisfatórios mesmo em sistemas de criação adaptados às condições do semiárido.
Raças africanas que também se destacam no Brasil
Além da Anglo-Nubiana, outras raças com origem africana têm apresentado excelente desempenho no Nordeste brasileiro.
Boer
Originária da África do Sul, é considerada uma das principais raças de corte do mundo. Possui rápido crescimento, elevada taxa de ganho de peso e excelente rendimento de carcaça.
Kalahari Red
Também sul-africana, destaca-se pela resistência ao calor intenso e pela capacidade de produzir bem mesmo em períodos de seca prolongada.
Savana
Com pelagem branca que reflete a radiação solar e pele escura que protege contra queimaduras, a raça Savana apresenta grande adaptação ao clima da Caatinga e elevada eficiência reprodutiva.
O futuro da caprinocultura passa pela genética adaptada
Com as mudanças climáticas e a crescente busca por sistemas produtivos mais eficientes, raças adaptadas ao calor ganham cada vez mais importância na pecuária brasileira.
Nesse cenário, a Anglo-Nubiana surge como um exemplo de como a genética pode transformar a produção animal. Sua combinação de rusticidade, produtividade e capacidade de adaptação faz da raça uma das principais apostas para o fortalecimento da caprinocultura nacional nos próximos anos.
Mais do que uma cabra de origem africana, a Anglo-Nubiana tornou-se um símbolo da capacidade do produtor brasileiro de incorporar genética de excelência e transformá-la em resultados dentro do campo.
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