Casos recentes de contrabando biológico e pesquisas sigilosas – “agroterrorismo” – levantam suspeitas de que a IA possa ser usada para criar agentes patogênicos capazes de destruir lavouras e ameaçar a segurança alimentar global.
O termo “agroterrorismo” define o uso intencional de organismos, pragas ou toxinas para atacar plantações e rebanhos. O tema voltou ao centro do debate após o caso de Zunyong Liu, biólogo chinês detido nos Estados Unidos em julho de 2024. Na bagagem do pesquisador, as autoridades encontraram amostras do fungo Fusarium graminearum — capaz de devastar cultivos de trigo, cevada e milho. O FBI suspeita que Liu e sua parceira, pesquisadora da Universidade de Michigan, planejavam clonar o patógeno em laboratório.
O caso reforçou temores de que a biotecnologia e a IA estejam sendo usadas como armas, em uma disputa silenciosa entre potências por controle de dados, sementes e alimentos.
Episódios semelhantes já haviam ocorrido em 2020, quando milhares de pacotes de sementes não solicitadas vindas da China foram enviados a endereços nos EUA. As autoridades agrícolas alertaram que espécies invasoras podem desequilibrar ecossistemas e destruir plantações inteiras.
Agora, com o avanço da IA, a manipulação genética de fungos e vírus agrícolas tornou-se mais rápida e acessível, ampliando o risco de sabotagens direcionadas a países agrícolas estratégicos — como o Brasil e os Estados Unidos, com o chamado “agroterrorismo”.
Ferramentas de IA usadas em biologia sintética já conseguem prever mutações, criar proteínas artificiais e até sugerir combinações genéticas. Segundo especialistas, a mesma tecnologia que desenvolve vacinas e terapias inovadoras pode também ser usada para criar patógenos resistentes e indetectáveis.
O grande problema é que os mecanismos de controle ainda são frágeis. Tratados internacionais, como a Convenção sobre Armas Biológicas, carecem de mecanismos de verificação, e a regulamentação da IA é limitada a poucas regiões, como a União Europeia.
Sem fiscalização global, laboratórios privados e públicos podem conduzir pesquisas de alto risco sem transparência. Para especialistas, o mundo vive uma “zona cinzenta” entre ciência e guerra — onde a IA e a biotecnologia podem tanto salvar quanto ameaçar vidas.
A solução, afirmam, está na criação de protocolos internacionais de segurança, rastreabilidade genética e uso ético da IA, antes que o agro se torne o novo campo de batalha invisível com o “agroterrorismo”.
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