A maneira mais barata de evitar os bois pistoleiros

A maneira mais barata de evitar os bois pistoleiros

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Foto: JMMatos

Falar e apontar o problema é muito conveniente para consultores em melhoramento genético como nós. É por isso que, depois de apontar o dedo e “futucar” na ferida, nos sentimos na obrigação moral de humildemente sugerir soluções para o problema.

“Bois pistoleiros”, assim foram definidos pelo Scot, os bois que roubam o lucro dos pecuaristas, e por alguns apontado como os animais que não são nascidos “no cedo” (meses de agosto e setembro).

Alguns ditados são utilizados para justificar a beleza e a jovialidade das pessoas e também dos animais: “fulano nasceu em berço de ouro”; “essa aí nunca andou em estrada ruim”; “esse potro é bem nascido”…

Todos eles indicam que o ambiente de criação foi determinante para garantir ou melhorar a qualidade do sujeito da frase. Para bovinos de corte, isso não é diferente e dizer que tal bezerro é nascido “no cedo” indica que é de boa qualidade.

Realmente, o mês de nascimento impacta diretamente na performance dos bezerros. Mas, será que isso afeta somente o peso de desmama ou também o desempenho posterior dos animais?

Para exemplificar apresentaremos os dados de animais nascidos em 2016 na Agropecuária Topgen, no município de Amaralina, no noroeste goiano. Parceira do Programa Qualitas de Melhoramento Genético desde 2000, ela adota a integração lavoura-pecuária no sistema de produção, apresentando atualmente lotação média anual de 2,5 UA por hectare nas pastagens.

Os animais das tabelas a seguir foram criados em pasto sem creep-feeding. Após a desmama foram confinados em sistema de “sequestro” até outubro, com fornecimento de silagem de sorgo mais um quilo por cabeça por dia do suplemento proteico-energético “Boca Cheia” da Campo, empresa goiana de nutrição animal. Esse suplemento contém núcleo mineral com Virginiamicina da Phibro, mais sorgo moído e farelo de soja.

Em novembro eles retornaram ao pasto e continuaram recebendo um quilo por dia do “Boca Cheia” até a pesagem no final de fevereiro.

Ressaltamos que todas as pesagens foram efetuadas após jejum de no mínimo 12 horas.

Fonte: Qualitas
Fonte: Qualitas

As tabelas 1 e 2 comprovam os ditados. O ambiente de nascimento, nesse caso, o mês, é determinante para evitar a presença de bois ou novilhas “pistoleiros” no rebanho.

Nos machos, a diferença entre os nascidos em agosto e os de dezembro, que foi de quase uma arroba à desmama, aumenta para mais de duas arrobas e meia aos 15 meses de idade, somente 8 meses depois! A diferença ocorre também nas fêmeas.

E isso ocorre por causa de dois fatores:

  1. No período seco (agosto, setembro, outubro) o desafio sanitário é menor para os bezerros. Menor ocorrência de infecções e “bicheiras” no umbigo. Menor probabilidade de surtos causadores de diarreias e verminoses. Ambiente mais saudável para os bezerros.
  2. Por serem mais velhos, os bezerros “do cedo”, apresentam trato digestivo maior e mais desenvolvido permitindo maior consumo de forragem e consequentemente maior ganho de peso após a desmama.

O melhor desempenho dos animais nascidos mais cedo é fundamental para atingir dois objetivos do Sistema Qualitas de Produção: emprenhar as fêmeas aos 14 meses de idade e abater os machos até os 20 meses. Para que isso ocorra as fêmeas devem pesar no mínimo 250kg aos 12 meses e os machos 270kg na mesma idade. E, aos 15 meses os machos devem pesar 350kg, no mínimo. Desempenho que os animais “pistoleiros” não conseguem atingir pois, ou não apresentam boa genética, ou porque, infelizmente, nasceram na época desfavorável.

Por isso, a estação de monta deve terminar até o dia 10 de janeiro. Assim, todos os nascimentos já ocorreram até o final de outubro.

E para quem faz recria e engorda, é muito simples evitar os bois “pistoleiros”, basta realizar as compras de bezerros nos meses de março e abril, adquirindo somente os nascidos em agosto e setembro, ou mesmo antes.

Portanto, daqui para a frente não deixe mais que os “pistoleiros” invadam a sua fazenda e roubem o seu lucro.

Artigo por Leonardo Souza

Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.

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