Resultado aponta avanço expressivo da produção de carne bovina no país, com alta de 13,1% no abate de bovinos sobre 2024, enquanto o setor dá sinais de ajuste na comparação com o trimestre anterior.
A pecuária brasileira encerrou o último trimestre de 2025 com um desempenho expressivo, evidenciando a capacidade produtiva do país mesmo em um cenário de ajustes no ritmo de oferta. Foram abatidas 10,95 milhões de cabeças de bovinos entre outubro e dezembro, um volume que representa alta de 13,1% em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número reforça a tendência de forte atividade nos frigoríficos e aponta para uma cadeia pecuária ainda aquecida, sustentada pela demanda interna e externa por carne bovina. No entanto, ao analisar a dinâmica mais recente do setor, observa-se um movimento de acomodação: na comparação com o 3º trimestre de 2025, houve queda de 2,9% no volume abatido, sinalizando possível ajuste de oferta ou mudança no calendário de abates.
Os dados integram os Primeiros Resultados das Pesquisas Trimestrais da Pecuária (PRIMPEC), levantamento que monitora os principais indicadores da produção animal no Brasil e antecipa tendências antes da divulgação consolidada das estatísticas.
Produção de carne avança em ritmo ainda mais forte
Além do crescimento no número de animais abatidos, o peso total da produção também avançou. A produção de carcaças bovinas somou 2,91 milhões de toneladas no 4º trimestre, resultado 15,0% superior ao registrado um ano antes.
Apesar do avanço anual robusto, o indicador também apresentou retração na análise sequencial: queda de 1,8% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Esse comportamento — crescimento anual com leve recuo trimestral — costuma refletir fatores como estratégia de confinamento, disponibilidade de animais terminados e variações nas escalas de abate, além das condições de mercado.
Outras proteínas também registram alta anual
O levantamento do IBGE mostra que o movimento positivo não ficou restrito à bovinocultura.
- Suínos: 14,77 milhões de cabeças abatidas, alta de 2,3% na comparação anual, mas queda de 6,6% frente ao 3º trimestre.
- Frangos: 1,69 bilhão de cabeças, 3,9% acima do mesmo período de 2024, embora 0,2% menor na comparação trimestral.
Em termos de volume produzido, os resultados seguiram a mesma lógica:
- Carcaças suínas: 1,35 milhão de toneladas — alta de 2,1% em um ano, mas recuo de 9,0% no trimestre.
- Carcaças de frango: 3,54 milhões de toneladas — crescimento anual de 4,7%, com queda de 1,6% na comparação sequencial.
O conjunto dos dados indica que, embora o setor de proteínas animais siga em expansão estrutural, houve uma desaceleração pontual no fim do ano — algo relativamente comum após períodos de maior intensidade produtiva.
Cadeia pecuária mostra sinais amplos de expansão
Outros elos da cadeia agropecuária também apresentaram avanço relevante no período. A aquisição de leite cru totalizou 7,34 bilhões de litros, com crescimento de 8,2% em relação ao 4º trimestre de 2024 e aumento de 4,8% frente ao trimestre anterior.
Já os curtumes receberam 11,13 milhões de peças inteiras de couro bovino, uma alta anual de 11,8%, ainda que tenha ocorrido queda de 2,6% na comparação trimestral.
A produção de ovos também avançou, alcançando 1,25 bilhão de dúzias, com incremento de 3,7% em relação ao ano anterior e de 1,5% frente ao 3º trimestre.
O que os números do IBGE sinalizam para o mercado
O desempenho do 4º trimestre sugere uma pecuária resiliente, com capacidade de ampliar a produção mesmo diante de ajustes de curto prazo. O crescimento expressivo no abate de bovinos e no volume de carne reforça o protagonismo do Brasil como um dos maiores fornecedores globais de proteína animal.
Ao mesmo tempo, as quedas na comparação trimestral funcionam como um alerta típico de ciclos produtivos — indicando que o setor pode estar entrando em uma fase de maior equilíbrio entre oferta e demanda.
O IBGE informou ainda que os resultados completos referentes ao período serão divulgados posteriormente no relatório “Indicadores IBGE: Estatística da Produção Pecuária”, ampliando a leitura sobre o comportamento do setor.
Em síntese, os dados mostram uma pecuária que cresce em bases sólidas, mas que segue sensível às variações de mercado — um cenário que produtores, frigoríficos e investidores devem acompanhar de perto ao longo de 2026.
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