Abate de gado orgânico e sustentável cresce 12% e injeta R$ 24 milhões em incentivos no Pantanal

Os dados da ABPO mostram que a expansão do protocolo reforça a rentabilidade das fazendas, acelera a produção de animais jovens e consolida o bioma como referência em carne de alto valor ambiental. Abate de gado orgânico e sustentável cresce 12% e injeta R$ 24 milhões em incentivos no Pantanal

O Pantanal brasileiro voltou a demonstrar, em 2025, que produção pecuária e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas — e gerar resultados financeiros concretos ao produtor. O abate de gado orgânico e sustentável registrou crescimento de 12% no período, fortalecendo um modelo produtivo que remunera boas práticas e amplia a competitividade da carne pantaneira no mercado.

O avanço reflete uma mudança estrutural na pecuária da região, cada vez mais orientada por critérios técnicos, eficiência produtiva e compromisso com a conservação do bioma.

Renovação do rebanho e carne de maior qualidade

Segundo a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), o principal destaque do ano foi a renovação do rebanho, fator que não apenas elevou o volume de animais abatidos, mas também melhorou o padrão da carne produzida. O protocolo tem incentivado a entrega de bovinos mais jovens e eficientes, características valorizadas pela indústria e pelo consumidor.

Esse movimento sinaliza uma transformação relevante: a sustentabilidade deixou de ser apenas um conceito e passou a representar ganho direto de produtividade e qualidade dentro das propriedades.

A revolução da precocidade

No Pantanal, a sustentabilidade também é medida pelo tempo de permanência do animal no pasto. Quanto mais cedo o boi atinge o peso ideal de abate, menores são as emissões e maior a eficiência da fazenda.

Em 2025, o abate de animais jovens — entre zero e quatro dentes — cresceu 16% e já responde por mais de 76% dos machos abatidos dentro do programa. Paralelamente, houve queda significativa na participação de animais mais velhos, consolidando a região como produtora de carne precoce, atributo associado a maciez e melhor acabamento.

Números que impressionam — e pagam o produtor

O volume total de abates dentro do protocolo saltou de cerca de 186 mil cabeças em 2024 para aproximadamente 205 mil bovinos em 2025, avanço de 10,6%. Esse crescimento resultou em um impacto direto na renda das fazendas, com mais de R$ 24 milhões pagos em bônus aos pecuaristas.

Na média:

  • Modalidade orgânica: prêmio próximo de R$ 185 por animal
  • Modalidade sustentável: cerca de R$ 137 por cabeça

Os números reforçam que a adoção de protocolos ambientais deixou de ser apenas uma exigência de mercado e passou a funcionar como estratégia concreta de aumento de margem.

Incentivos ampliam adesão ao protocolo

Ao todo, foram abatidos 201.519 animais nessa categoria, gerando um incentivo superior a R$ 24,7 milhões aos pecuaristas de Mato Grosso do Sul. O índice médio de bonificação por animal ficou em R$ 137,14, comprovando o potencial do programa como aliado da rentabilidade com preservação ambiental.

Dentro da pirâmide de valor do programa, a pecuária orgânica ocupa o nível mais alto. Em 2025, a modalidade atingiu 98,61% de aproveitamento de incentivo, demonstrando forte aderência dos produtores e maturidade do sistema.

Pantanal se firma como vitrine da pecuária sustentável

O desempenho reforça uma tendência clara no setor: o mercado está disposto a premiar quem investe em gestão, rastreabilidade e responsabilidade ambiental.

Mais do que um nicho, a carne sustentável pantaneira se posiciona como um produto alinhado às exigências globais por alimentos com menor impacto ambiental — sem abrir mão da produtividade.

Na prática, o recado ao produtor é direto: sustentabilidade deixou de ser custo e passou a ser receita. O avanço do protocolo mostra que tradição e inovação podem coexistir no coração de um dos biomas mais emblemáticos do planeta, transformando boas práticas em valor econômico real dentro da porteira.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM