Entidades que representam a proteína animal brasileira pedem ao governo ampliação imediata das restrições sobre antimicrobianos na produção pecuária para evitar prejuízos comerciais com a União Europeia a partir de setembro de 2026
O setor brasileiro de proteína animal entrou em alerta diante das novas exigências sanitárias impostas pela União Europeia, que podem comprometer parte das exportações nacionais já nos próximos meses. Em resposta ao novo cenário regulatório europeu, duas das principais entidades do agronegócio brasileiro — a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) — formalizaram um pedido ao governo federal solicitando o endurecimento das regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal no país.
A movimentação ocorre em um momento delicado nas relações comerciais entre Brasil e Europa. O objetivo central das entidades é preservar a competitividade das proteínas brasileiras no mercado europeu e demonstrar alinhamento do país às exigências internacionais relacionadas ao controle sanitário e ao uso responsável dessas substâncias dentro da cadeia produtiva.
O que ABPA e Abiec querem mudar nas regras brasileiras para os antimicrobianos
Segundo o documento encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as entidades defendem a ampliação de restrições já existentes e a inclusão de novos antimicrobianos atualmente utilizados tanto na avicultura quanto na pecuária bovina.
Na cadeia avícola, a proposta prevê ampliar limitações já existentes para derivados do ácido fosfônico, especialmente a fosfomicina, além de incluir outras substâncias bastante utilizadas no setor, como:
- Enramicina
- Avilamicina
- Flavomicina
Já no segmento da carne bovina, a proposta vai além dos antimicrobianos já restritos como melhoradores de desempenho, incluindo novas substâncias na lista regulatória nacional. Entre elas estão:
- Monensina sódica
- Salinomicina
- Lasalocida
- Narasina
Além disso, seguem no escopo das restrições compostos como:
- Avoparcina
- Bacitracina
- Bacitracina de zinco
- Bacitracina metileno disalicilato
- Virginiamicina
Pressão da União Europeia muda cenário das exportações brasileiras
O movimento das entidades acontece após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados aptos a atender determinados requisitos específicos ligados ao controle oficial do uso de antimicrobianos na produção animal.
Na prática, a decisão acendeu um sinal de alerta em todo o setor exportador brasileiro, especialmente porque as novas exigências sanitárias europeias entram oficialmente em vigor em 3 de setembro de 2026.
Caso o Brasil não consiga comprovar mecanismos robustos de fiscalização compatíveis com o padrão europeu, parte das exportações destinadas ao bloco pode enfrentar restrições comerciais relevantes.
Entidades afirmam que problema não é sanitário, mas regulatório
De acordo com ABPA e Abiec, o problema levantado pela União Europeia não está relacionado à qualidade sanitária da produção brasileira ou à presença de irregularidades no sistema produtivo nacional.
A preocupação europeia estaria diretamente ligada aos mecanismos oficiais de controle e fiscalização exigidos pela legislação do bloco, especialmente no que diz respeito ao monitoramento do uso dessas substâncias dentro da cadeia produtiva.
As associações defendem que a atualização das regras brasileiras pode servir como uma demonstração concreta de compromisso institucional do país diante dos parceiros internacionais.
Mercado europeu segue estratégico para carne brasileira
A União Europeia continua sendo um dos mercados de maior valor agregado para a proteína animal produzida no Brasil, especialmente para exportações premium de carne bovina e para segmentos específicos da cadeia avícola.
Por isso, as entidades avaliam que antecipar ajustes regulatórios pode fortalecer a posição diplomática brasileira nas negociações em andamento e evitar perdas econômicas futuras.
No documento enviado ao governo, ABPA e Abiec reforçam que a adoção dessas medidas também está alinhada ao conceito global de Saúde Única (One Health), estratégia internacional que integra saúde animal, saúde humana e preservação ambiental dentro das políticas sanitárias modernas.
O que isso significa para o produtor brasileiro
Apesar de a discussão parecer concentrada nas exportações, os reflexos podem atingir diretamente a produção dentro da porteira.
A tendência é que o Brasil avance gradualmente para protocolos sanitários ainda mais rigorosos no uso de antimicrobianos, exigindo maior controle técnico nas propriedades, acompanhamento veterinário mais criterioso e revisão de práticas historicamente utilizadas em sistemas intensivos de produção.
Ao mesmo tempo, o movimento reforça uma realidade cada vez mais clara no agro global: quem quiser competir nos mercados premium internacionais precisará seguir padrões sanitários cada vez mais exigentes.
Para o setor, a adaptação regulatória não representa apenas uma exigência comercial momentânea, mas um passo estratégico para garantir acesso contínuo aos mercados mais valiosos do planeta e manter o protagonismo brasileiro no comércio mundial de proteínas.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.