Açúcar despenca ao menor nível desde 2019 e acende alerta no setor sucroenergético

Queda histórica acende alerta no agronegócio: recuo nas cotações pressiona margens, desafia o fluxo de caixa das usinas e pode desencadear uma nova onda de renegociações no setor sucroenergético. Um sinal que o setor não pode ignorar, alerta Dr. Marco Paiva

A queda acumulada de aproximadamente 25% no preço do açúcar nos últimos 12 meses altera de forma significativa o planejamento do produtor de cana. Para o advogado especialista em reestruturação financeira no agronegócio, Dr. Marco Paiva, o problema vai além da oscilação da commodity. Recuo nas cotações pressiona margens, desafia o fluxo de caixa das usinas e pode desencadear uma nova onda de renegociações no setor sucroenergético. Um sinal que o setor não pode ignorar, alerta o advogado.

“O que preocupa não é apenas o preço menor. É o descompasso entre receita e estrutura de custo. Quando a margem comprime, o erro estratégico custa muito mais caro.” Enquanto o valor da commodity recua, os principais componentes da estrutura produtiva permanecem elevados — e, em alguns casos, aumentaram.

A conta que não acompanha o mercado no setor sucroenergético

A reforma de canavial, etapa essencial para manter produtividade, hoje varia entre R$ 12 mil e R$ 17 mil por hectare, dependendo da região e do pacote tecnológico adotado. Paralelamente:

  • Insumos seguem pressionados, com alta acumulada próxima de 23%
  • contratos de arrendamento mantêm patamares elevados
  • o custo financeiro ainda reflete o ambiente de juros altos
  • despesas operacionais não acompanharam a queda da commodity

O resultado é direto: compressão de margem. Segundo Dr. Marco, essa é a fase em que decisões precipitadas começam a comprometer o patrimônio. “Em cenário de margem estreita, cada decisão precisa ser calculada. Não é o momento de agir por impulso ou expectativa de melhora rápida.”

O dilema técnico: reformar ou postergar?

A decisão sobre a reforma do canavial deixou de ser apenas agronômica. Hoje, ela se tornou essencialmente financeira. Adiar pode significar menor produtividade, aumento do custo por tonelada e envelhecimento da área. Antecipar, por outro lado, exige capital imediato em um cenário de receita pressionada.

Para o especialista, o ponto central está na análise do fluxo. “Reforma sem planejamento de caixa pode gerar um efeito cascata. O produtor precisa entender o impacto no ciclo completo, não apenas na próxima safra.”

Pressão também no etanol

O avanço do etanol de milho amplia a concorrência e altera a dinâmica de oferta do mercado. Com isso:

  1. a previsibilidade diminui
  2. a competição se intensifica
  3. a expectativa de recuperação rápida de preços perde força

“O produtor não pode depender exclusivamente de um salto de mercado para equilibrar as contas. Planejamento financeiro passa a ser ferramenta de sobrevivência”, afirma Dr. Marco Paiva.

Ciclos existem. Gestão define quem atravessa.

O setor sucroenergético sempre operou em ciclos. Mas nem todos atravessam da mesma forma.

Em períodos de preço pressionado:

  • controle rigoroso de custo deixa de ser diferencial e vira condição básica
  • planejamento da reforma precisa estar alinhado ao fluxo real
  • estrutura financeira desorganizada vira risco sistêmico

Produzir mais não significa lucrar mais.

“Nos ciclos de baixa, quem sobrevive não é o mais otimista. É o mais organizado”, destaca o advogado.

Patrimônio sob risco invisível

Segundo Dr. Marco Paiva, é nesse tipo de cenário que aumentam os riscos estruturais.

Quando a margem cai e a dívida permanece, o produtor pode entrar em um ciclo perigoso de:

  • alongamentos mal estruturados
  • aumento do custo efetivo total
  • ampliação de garantias
  • perda gradual de poder de negociação

“Margem comprimida e dívida desorganizada formam uma combinação que precisa ser tratada com estratégia técnica, não com esperança”, ressalta.

Conclusão

O atual cenário exige mais que eficiência operacional no setor sucroenergético. Exige leitura estratégica do ciclo, controle rigoroso de custos e organização financeira estruturada. No setor de commodities, sobreviver à baixa não é questão de sorte. É resultado de preparo técnico, disciplina financeira e decisões bem fundamentadas.

“O ciclo passa. O que não pode passar é o controle sobre o patrimônio construído ao longo de gerações”, finaliza Dr. Marco Paiva.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM