Descubra quando acaba o verão de 2026. Inmet e Climatempo alertam para calor persistente, veranicos e chuvas irregulares na transição para o outono.
Para produtores rurais e a população urbana que contam os dias para o alívio térmico, o calendário astronômico já tem o veredito. O verão de 2026, marcado por sua volatilidade e picos de temperatura, tem seu encerramento oficial agendado para o dia 20 de março, data que sela a transição para o equinócio de outono no Hemisfério Sul.
Conforme o monitoramento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação atual — iniciada em dezembro de 2025 — manterá suas características predominantes até o último momento. Isso significa a continuidade de dias com extensa luminosidade e alta incidência de radiação solar. Essa configuração atmosférica sustenta o risco de eventos severos, incluindo temporais com descargas elétricas, vendavais e quedas isoladas de granizo, exigindo cautela nas operações de campo e nas cidades.
Cenário de chuvas até o término do verão de 2026
A reta final da estação quente promete manter o padrão de termômetros elevados em todo o território nacional. Contudo, o grande desafio para o planejamento agrícola e gestão hídrica reside na irregularidade das precipitações.
Dados do Inmet projetam que os maiores acumulados de água se concentrarão no Norte e Centro-Oeste, oscilando entre 700 mm e 1.100 mm até o fim do ciclo. Embora a maior parte do Brasil deva registrar volumes superiores a 400 mm, garantindo certa manutenção da umidade do solo, existem “ilhas” de atenção onde a chuva pode ser escassa:
- Extremo Sul gaúcho;
- Faixa leste do Nordeste;
- Porção nordeste de Roraima.
A dinâmica dessas chuvas é regida por dois grandes motores climáticos: enquanto o Sudeste e Centro-Oeste dependem da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) para episódios de umidade contínua, o Norte e parte do Nordeste têm suas instabilidades formadas pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

O impacto dos “Veranicos” e a neutralidade oceânica
Uma particularidade do verão de 2026 é o seu contexto climático global. Segundo análises da Climatempo, a estação transcorre sob neutralidade climática no Pacífico, após o fim da influência do La Niña. Não há um El Niño ou La Niña vigorosos atuando no momento.
Entretanto, essa ausência de fenômenos clássicos não se traduz em calmaria. O aquecimento das águas do Atlântico Sul fortalece um sistema de alta pressão conhecido como Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) sobre o continente.
Alerta Agro: A atuação da ASAS bloqueia a formação de nuvens em certas janelas de tempo, criando os temidos “veranicos” — períodos secos e extremamente quentes intercalados com tempestades rápidas.
A previsão indica que a irregularidade pluviométrica será mais acentuada em janeiro e fevereiro. Março tende a trazer uma distribuição hídrica ligeiramente melhor, mas o saldo final da estação pode apontar chuvas abaixo da média histórica em diversas praças, acendendo o sinal amarelo para os níveis de reservatórios de hidrelétricas.
O que vem depois do verão de 2026?
Ao cruzar a linha de chegada em 20 de março, o outono assume o comando, mas as projeções não indicam um resfriamento imediato. O ano de 2026 deve manter uma assinatura de calor acima da média, desafiando a climatologia tradicional.
A transição entre o verão de 2026 e o outono será pautada por extremos. A Climatempo alerta que oscilações oceânicas e atmosféricas (como a Oscilação Madden-Julian) modularão a entrada de frentes frias, que podem ser bloqueadas com frequência.
Embora o Centro-Sul possa experimentar quedas bruscas de temperatura e madrugadas frias na virada para o inverno, a tendência é que esse frio seja efêmero. A expectativa é de um retorno antecipado do calor, encurtando o período de inverno rigoroso e impactando diretamente culturas de inverno e o consumo de energia elétrica.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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