Agptea reconhece avanço com criação de curso de pós-graduação, mas ainda busca demanda agrícola

Entidade avalia criação do ProfEPT como passo positivo na formação docente, mas segue na luta por um curso específico para as Ciências Agrárias

A Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea) avaliou como positiva a criação do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), lançado pelo Ministério da Educação. Ao mesmo tempo, a entidade destaca que segue acompanhando o debate sobre a ampliação de formações voltadas especificamente às Ciências Agrárias nas instituições públicas de ensino superior.

A busca por uma formação alinhada às especificidades do ensino agrícola vem sendo apresentada pela Agptea há vários anos às instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul, com o objetivo de contribuir para a qualificação de professores que atuam nas escolas agrícolas, considerando as particularidades técnicas, produtivas e pedagógicas do setor.

Nesse contexto, a entidade acompanha a implantação do ProfEPT como um avanço na qualificação docente. O programa é um mestrado profissional stricto sensu, público e gratuito, ofertado em rede nacional e reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC). No Rio Grande do Sul, o curso é ofertado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), por meio do Campus Porto Alegre, na condição de instituição associada ao programa.

Para o presidente da Agptea, Fritz Roloff, a iniciativa representa uma oportunidade relevante para os profissionais da área, ainda que não contemple integralmente todas as demandas históricas do ensino agrícola. “A oferta do mestrado em educação profissional é uma boa notícia. Trata-se de um curso que envolve a educação profissional e também a educação do campo, lançado pelo Ministério da Educação e ofertado nos institutos federais. Em Porto Alegre, ele é disponibilizado pelo Instituto Federal do Centro de Porto Alegre, e nós estamos divulgando essa possibilidade”, afirma.

Segundo Roloff, a entidade não participou diretamente da reivindicação pela criação do curso, justamente por concentrar seus esforços em outra frente de atuação. “A nossa luta maior sempre foi no sentido de que exista um curso de licenciatura e também um mestrado em Ciências Agrárias, porque esse é o métier das escolas agrícolas. Até agora, isso ainda não ocorreu, porque o entendimento do governo é de oferecer formações mais voltadas a uma educação generalista”, observa.

Ainda assim, o presidente da Agptea ressalta que a estrutura do ProfEPT amplia as possibilidades para os profissionais do setor. Conforme explica, o curso permite que professores com graduação em outros campos do conhecimento busquem habilitação pedagógica para atuar em escolas agrícolas, assim como oferece uma alternativa para agrônomos e médicos-veterinários que necessitam de formação pedagógica para ingresso no magistério. “Além disso, o mestrado representa um diferencial na carreira, porque o profissional já ingressa em um nível mais alto de formação, com impacto direto na progressão funcional”, destaca.

O ProfEPT é voltado a profissionais que atuam na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) e tem como objetivo promover uma formação articulada entre pesquisa, práticas educativas e desenvolvimento de produtos educacionais, integrando os saberes do mundo do trabalho ao conhecimento científico. O programa está estruturado em duas linhas de pesquisa: Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica e Organização e Memórias de Espaços Pedagógicos na Educação Profissional e Tecnológica.

O ingresso no programa ocorre por meio do Exame Nacional de Acesso (ENA), com inscrições abertas até 15 de janeiro de 2026. As informações completas sobre critérios de participação, cronograma e etapas do processo seletivo estão disponíveis no site oficial do programa.

Mais informações estão disponíveis em: https://profept.selecao.net.br/informacoes/14.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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