Com escala, tecnologia tropical e expansão produtiva, o país atrai investidores globais e consolida a terra como ativo estratégico na geopolítica da comida, afirma Geórgia Oliveira, CEO da Chãozão*
Em escala global, a abordagem sobre o tema alimentar mundial não deve considerar apenas apenas produção agrícola. Estamos falando de geopolítica, de ativos estratégicos, de soberania e de decisões que vão moldar as próximas décadas. Fato é que, hoje, o Brasil já ocupa o centro dessa equação.
Estudos recentes da Cargill estimam que, nos próximos 20 anos, 80% do crescimento do consumo global de alimentos será atendido por ingredientes produzidos no Brasil. Em termos práticos, oito em cada dez pratos adicionais consumidos no mundo terão origem no nosso território. E isso não é apenas uma retórica. É uma realidade em construção.

O Brasil possui algo raro, que é o bom funcionamento, em harmonia, de aspectos como escala produtiva, disponibilidade de terras, tecnologia tropical consolidada e capacidade de expansão. Em um mundo pressionado por conflitos, mudanças climáticas e restrições logísticas, esses fatores transformam o país no maior projeto de segurança alimentar do planeta.
Esse movimento não passa despercebido pelo capital internacional. Venho acompanhando de perto o comportamento dos investidores. Nos primeiros sete meses de 2025, o interesse dos Estados Unidos por terras brasileiras cresceu 15%, considerando a procura que registramos no Chãozão. Hoje, 41% de todas as consultas estrangeiras na nossa plataforma vêm de investidores norte-americanos, mesmo em um contexto de tarifas elevadas e incertezas comerciais.
É um cenário que mostra que a decisão de investir em terras produtivas no Brasil é estratégica. O investidor global mais atento já entende que comida é um ativo essencial, cada vez mais escasso e, em muitos cenários, ainda mais político. A demanda atual tem chegado de forma mais intensa por nações como os Estados Unidos, Japão, China, Portugal, Alemanha e Canadá, entre muitos outros, sendo a lista de países interessados em propriedades rurais brasileiras bastante diversa e crescente.
Muitos desses investidores buscam diversificação patrimonial. Outros, segurança de longo prazo. Há ainda brasileiros que vivem no exterior e veem no agro uma forma de reconexão com o país e de proteção do patrimônio.
As áreas mais visadas continuam sendo aquelas voltadas à produção de soja e gado bovino, especialmente no Centro-Oeste. Destaco, ainda, a busca crescente pela região Matopiba, consolidada como importante fronteira agrícola. São terras ainda em fase inicial de valorização, com enorme potencial produtivo e retorno consistente no médio e longo prazo.
A terra produtiva, portanto, deixou de ser apenas um ativo imobiliário. Ela passou a ser um ativo estratégico global. Áreas com boa logística, produtividade comprovada e segurança jurídica tendem a se valorizar de forma consistente, mesmo com as oscilações de curto prazo.
O Brasil não será apenas o país que vai alimentar o mundo. Será também um protagonista nas decisões geopolíticas ligadas à segurança alimentar. Cabe a nós, como setor, entender essa responsabilidade, estruturar melhor nossos ativos e garantir que esse protagonismo seja sustentável, competitivo e inteligente.
O futuro da comida passa pelo Brasil. E o mundo já começou a agir com base nisso.
(*) Geórgia Oliveira é CEO do Chãozão
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