A França aponta riscos à agricultura, enquanto a Alemanha aposta principalmente em ganhos econômicos e estratégicos.
Após uma decisão recente do Parlamento Europeu que pode atrasar a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, Alemanha e França adotaram posições opostas sobre o futuro do tratado.
O governo alemão manifestou apoio ao acordo e lamentou a iniciativa do Parlamento de submeter o texto à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia. Para Berlim, a medida desconsidera a relevância econômica e geopolítica do pacto, que é visto como estratégico para fortalecer as relações comerciais da UE com a América do Sul. As autoridades alemãs defendem, inclusive, que o acordo possa ser aplicado de forma provisória enquanto as questões jurídicas são avaliadas.
Já a França adotou um tom crítico. Embora o país se declare favorável ao livre-comércio, o governo francês argumenta que o acordo, da forma como está, pode prejudicar fortemente os agricultores europeus, em especial o setor agropecuário francês. Paris avalia que a entrada de produtos do Mercosul, com custos mais baixos, criaria uma concorrência desigual e colocaria em risco a sustentabilidade da produção agrícola local.
As reações contrastantes evidenciam a divisão interna na União Europeia em relação ao acordo Mercosul-UE. Enquanto alguns países enxergam oportunidades de expansão econômica e acesso a novos mercados, outros expressam preocupações com impactos sociais, ambientais e econômicos, sobretudo no setor agrícola.
O impasse no Parlamento Europeu adiciona incerteza ao processo de ratificação do tratado, que já se arrasta há anos. Com a possível análise jurídica do texto, a entrada em vigor do acordo pode ser adiada por um período ainda indefinido.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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