ALERTA: Chuva acima de 100 mm e ventos de 70 km/h atinge regiões no país; veja quais

Atuação da ZCAS e de sistemas de instabilidade aumenta o risco de temporais, alagamentos e transtornos em áreas do Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste; Inmet emite aviso de “Perigo” para acumulados elevados de chuva.

A combinação de sistemas típicos do verão brasileiro está colocando diversas regiões do país em estado de atenção para chuvas intensas, acumulados elevados e rajadas de vento, com potencial de causar impactos diretos na rotina das cidades e no campo. Segundo análises meteorológicas, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) segue ativa, canalizando umidade e intensificando a formação de nuvens carregadas em uma faixa que atravessa o Brasil, favorecendo episódios de temporais e volumes expressivos de precipitação.

Além da chuva volumosa, o cenário também inclui ventos fortes, risco de trovoadas e possibilidade de eventos severos localizados — como queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia em algumas áreas.

As projeções recentes tanto de institutos oficiais quanto de serviços meteorológicos privados reforçam que o país vive um período de contrastes, com locais registrando chuva persistente e forte, enquanto outras áreas seguem com tempo firme, calor e baixa umidade.

Entenda o que está por trás do risco de temporais

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) destaca que o período entre 19 e 26 de janeiro de 2026 é marcado pela passagem de sistemas transientes próximos ao Sul e ao Sudeste, em interação com um corredor de umidade que favorece um novo episódio de ZCAS, sustentando chuvas recorrentes e tempestades entre Norte, Centro-Oeste e Sudeste.

Na prática, isso significa uma condição atmosférica que não produz apenas pancadas rápidas, mas sim um cenário de chuva mais persistente, capaz de elevar rapidamente os acumulados em um intervalo de poucos dias, com risco de transtornos para municípios e áreas rurais.

Onde pode chover mais de 100 mm e quais regiões estão em alerta

O Inmet aponta que os maiores acumulados podem se concentrar em áreas do Mato Grosso (MT), Goiás (GO), Distrito Federal (DF), sul do Amazonas (AM), Rondônia (RO), Tocantins (TO), Minas Gerais (MG), sudoeste da Bahia (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Espírito Santo (ES), com volumes que podem ultrapassar 250 mm em sete dias em pontos específicos.

Além disso, o órgão também chama atenção para o Amapá, onde a influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) sustenta previsão de acumulados superiores a 100 mm em sete dias.

Já em áreas do baixo Amazonas e leste do Pará, próximas à divisa com Tocantins e Maranhão, há previsão de chuvas recorrentes, com acumulados em torno ou acima de 200 mm no período.

Aviso do Inmet: risco de alagamentos e deslizamentos

Em paralelo ao acompanhamento da previsão semanal, o Inmet também emitiu alerta meteorológico específico para acumulado de chuva, classificado com grau de severidade “Perigo”, com validade entre 22/01/2026 (10h) e 24/01/2026 (9h).

De acordo com o aviso, a expectativa é de chuva entre 30 e 60 mm por hora ou 50 a 100 mm por dia, elevando o risco de ocorrências como:

• alagamentos e enxurradas
• deslizamentos de encostas
• transbordamentos de rios

O próprio comunicado orienta que a população evite enfrentar o mau tempo, monitore alterações em encostas e busque informações junto à Defesa Civil (199) e Corpo de Bombeiros (193) em caso de emergência.

Entre as áreas afetadas listadas no alerta estão regiões como Centro Goiano, Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, Zona da Mata, Metropolitana de Belo Horizonte, Distrito Federal, Vale do Acre, Baixo Amazonas, Metropolitana do Rio de Janeiro, Norte Fluminense, além de diversas áreas do Tocantins, Maranhão, Espírito Santo e Pará.

O que a Climatempo aponta para os próximos dias

Em boletim divulgado no dia 22 de janeiro, a Climatempo reforçou que a sexta-feira (23/01) será marcada por instabilidades em várias regiões do país, com influência da ZCAS e presença de frente fria no Sudeste, elevando a atenção para temporais, ventos fortes e episódios de baixa umidade em algumas áreas.

Sudeste com chuva persistente e risco elevado

Segundo a Climatempo, o Sudeste deve enfrentar um dia de tempo instável, com chuva desde cedo em áreas do litoral e do leste. Ao longo do dia, as instabilidades aumentam e há risco de chuva moderada a forte, especialmente por causa da atuação da frente fria e da ZCAS.

O boletim cita risco de temporais e volumes elevados no Rio de Janeiro, sul do Espírito Santo, extremo leste paulista e várias regiões de Minas Gerais, incluindo áreas como noroeste, oeste, região central, sul e Zona da Mata.

O alerta é ainda mais forte para municípios e áreas com histórico de transtornos, com situação descrita como perigosa em pontos como Paracatu, Luz, Divinópolis, Belo Horizonte e Barbacena.

Centro-Oeste com temporais e chuva forte

No Centro-Oeste, a ZCAS mantém a atmosfera carregada, com instabilidade desde a madrugada em áreas de Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. O risco inclui temporais e volumes elevados, especialmente no leste goiano.

Ao mesmo tempo, a Climatempo aponta que o extremo sul, principalmente no Mato Grosso do Sul, tende a registrar tempo firme e calor.

Norte com pancadas fortes e sensação de abafamento

A previsão indica aumento das pancadas em praticamente toda a Região Norte, com destaque para Amazonas, Rondônia, Acre, Pará e Roraima, onde há risco de chuva forte e temporais em diversas áreas.

Nordeste com chuva no norte/oeste e interior mais seco

No Nordeste, a tendência é de chuva mais concentrada em áreas como Maranhão e sul/oeste do Piauí, além do oeste e sul da Bahia, onde há risco de temporais.

Enquanto isso, parte do interior segue com tempo firme e calor, e alguns pontos podem registrar baixa umidade do ar.

Ventos fortes: onde podem ocorrer as rajadas

Mesmo com o foco principal na chuva, as rajadas de vento também entram no radar. A Climatempo indica rajadas entre 40 e 50 km/h em diversas áreas, como:

  • faixa leste do Rio Grande do Sul, leste do Paraná e litoral de Santa Catarina
  • centro-sul paulista
  • litoral entre Ceará e Paraíba, além de Alagoas, Sergipe e partes da Bahia

Com esse padrão, há risco de ventos mais intensos de forma localizada durante temporais, especialmente em áreas onde há forte desenvolvimento de nuvens carregadas.

Impactos diretos para a agricultura e logística rural

Para o agronegócio, o cenário exige atenção extra, especialmente em regiões com safra em andamento e movimentação intensa de máquinas e transporte.

Entre os principais efeitos esperados com chuva acima de 100 mm e vento forte, estão:

• dificuldade de acesso em estradas vicinais (atoleiros e erosões)
• atraso na colheita e no plantio em áreas de janela curta
• aumento de risco de doenças fúngicas em lavouras com alta umidade
• perdas pontuais por encharcamento e acamamento de culturas
• danos em estruturas rurais (galpões, telhados, cercas e rede elétrica)

Em áreas de pecuária, o excesso de umidade pode agravar problemas como lama em piquetes, dificuldades de manejo, risco de contaminações e queda na qualidade das pastagens em pontos mais sensíveis.

Como se prevenir em caso de chuva forte e temporal

Com alerta oficial em vigor, a recomendação é que moradores e produtores rurais adotem medidas simples, mas fundamentais:

• evite atravessar áreas alagadas e pontes com correnteza
• redobre o cuidado com encostas e barrancos (risco de deslizamento)
• mantenha máquinas e insumos em locais protegidos e elevados
• planeje a logística de transporte (priorize horários de menor instabilidade)
• monitore os avisos meteorológicos em tempo real

Atenção: o risco pode mudar rapidamente

Como se trata de um padrão típico de verão, com atuação de sistemas como ZCAS e frente fria, a distribuição da chuva pode mudar de forma rápida entre regiões e municípios vizinhos. Por isso, o acompanhamento dos alertas oficiais é essencial, especialmente para quem está em áreas historicamente vulneráveis a enchentes, enxurradas e deslizamentos.

Ao longo dos próximos dias, a expectativa é de continuidade do padrão de instabilidade em parte do país, com o potencial de manter acumulados elevados e transtornos localizados.

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