INMET emite avisos de “Perigo” e “Perigo Potencial” para dezenas de estados, enquanto ciclone extratropical e frente fria avançam com chuva intensa, ventos de até 100 km/h e risco de alagamentos e queda de energia
A última semana de fevereiro começa com forte instabilidade atmosférica sobre grande parte do território nacional, acendendo o sinal de alerta para produtores rurais, moradores de áreas urbanas e autoridades de defesa civil. Entre os dias 23 e 27, a combinação de calor, umidade elevada e sistemas meteorológicos de grande escala deve provocar temporais isolados, volumes expressivos de chuva e rajadas intensas de vento, segundo a previsão divulgada pelo Canal Rural com base em informações da Climatempo e Inmet.
O cenário ganha ainda mais peso com os avisos oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que publicou alertas de “Perigo” e “Perigo Potencial” para chuvas intensas em amplas áreas do país .
Ciclone e frente fria ampliam risco de temporais
De acordo com a análise meteorológica, a atuação de um cavado, áreas de baixa pressão e a formação de um ciclone extratropical no Atlântico Sul serão determinantes para a intensificação das instabilidades .
A formação do ciclone deve dar origem a uma frente fria, reforçando o risco de:
- Chuva moderada a forte
- Rajadas de vento que podem superar 70 km/h
- Queda de granizo em pontos isolados
- Interrupções no fornecimento de energia
O ambiente permanece quente e abafado, favorecendo a formação de nuvens carregadas e eventos de rápida intensificação, principalmente no Sul e Sudeste.
INMET emite alerta de “Perigo” com chuva de até 100 mm/dia
O aviso de Chuvas Intensas – Grau de severidade: Perigo publicado pelo INMET indica precipitações entre 30 e 60 mm por hora ou 50 a 100 mm por dia, além de ventos intensos entre 60 e 100 km/h .
Segundo o órgão, há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas .
O alerta teve início em 22 de fevereiro e segue válido até 23 de fevereiro, às 23h59 .
Entre as áreas afetadas estão regiões de:
- Centro Goiano
- Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
- Sudeste Paraense
- Leste de Mato Grosso do Sul
- Sul e Sudoeste de Minas
- Vale do Rio Doce
- Distrito Federal
- Extremo Oeste Baiano
- Sul Maranhense, entre outras .
O mapa do alerta (página 6 do documento do INMET) mostra extensa área em laranja, indicando nível elevado de severidade, abrangendo partes do Centro-Oeste, Sudeste e Norte do país.
Alerta de “Perigo Potencial” amplia área sob monitoramento
Além do aviso mais grave, o INMET também emitiu alerta de “Perigo Potencial”, com previsão de:
- Chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia
- Ventos de 40 a 60 km/h
- Baixo risco de corte de energia e alagamentos .
A área em amarelo no mapa (página 6 do segundo alerta) indica expansão do risco para partes do:
- Pará
- Amazonas
- Rondônia
- Mato Grosso
- Mato Grosso do Sul
- Goiás
- Bahia
- Maranhão
- Minas Gerais
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Espírito Santo
- Paraná
- Distrito Federal, entre outros .
O período de vigência também se estende até 23 de fevereiro, às 23h59 .
Região por região: onde a situação é mais crítica
Região Sul
No Sul, a instabilidade se intensifica a partir de quarta-feira com a formação do ciclone extratropical .
Há previsão de temporais em Santa Catarina e no Paraná, com risco de granizo e ventos acima de 70 km/h. No litoral do Paraná e no nordeste catarinense, os acumulados podem ultrapassar 100 mm, elevando o risco de alagamentos .
No centro-sul do Rio Grande do Sul, os volumes menores — inferiores a 10 mm — mantêm o risco para lavouras, especialmente de soja, devido ao solo ainda ressecado .
Região Sudeste
A chuva ganha força ao longo da semana em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo .
Em áreas do litoral paulista e em estados como Minas, Rio e Espírito Santo, os volumes podem superar 150 mm, inclusive nas capitais .
Esse cenário pode causar alagamentos urbanos e impactar diretamente:
- Colheita da soja
- Implantação do milho segunda safra
- Operações logísticas
Região Centro-Oeste
Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a chuva ocorre com intensidade moderada a forte .
Os acumulados variam entre 40 e 60 mm em parte de MT e MS, enquanto em Goiás os volumes podem ultrapassar 100 mm, aumentando o risco de atrasos no campo .
Para o agro, o cenário é duplo: dificulta a colheita da soja, mas ajuda na manutenção da umidade do solo, recuperação de pastagens e redução do estresse térmico do gado.
Região Nordeste
A Zona de Convergência Intertropical mantém a semana com boas chuvas .
Há risco de temporais isolados no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Os acumulados variam entre 30 e 40 mm em várias áreas, favorecendo cultivos e pastagens .
Região Norte
No Pará e no Tocantins, os volumes podem ultrapassar 100 mm na semana, devido à atuação persistente da ZCIT .
Enquanto isso, Roraima enfrenta cenário oposto: calor intenso, solo seco e risco de incêndios, com máximas acima de 35°C .
Recomendações oficiais diante da previsão do tempo
O INMET orienta que, em caso de rajadas de vento:
- Não se abrigue debaixo de árvores
- Evite estacionar próximo a torres de transmissão
- Desligue aparelhos elétricos e o quadro geral de energia, se possível
- Busque informações junto à Defesa Civil (199) e Corpo de Bombeiros (193) .
Semana exige atenção redobrada no campo e nas cidades
A combinação entre ciclone, frente fria e calor intenso cria um ambiente propício a eventos severos. Para o agronegócio, o momento exige planejamento logístico, monitoramento diário das previsões e cautela nas operações de campo.
Já nas áreas urbanas, o risco de alagamentos, queda de energia e transtornos no trânsito aumenta consideravelmente.
A semana começa com o Brasil sob instabilidade ampla — e com o radar meteorológico ligado em modo máximo.
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