Previsão do tempo mostra que a semana será marcada por formação de nova ZCAS eleva risco de tempestades, volumes extremos de chuva e transtornos em áreas do Norte, Centro-Oeste e Sudeste
O Brasil inicia a semana sob alerta máximo para eventos de chuva intensa e temporais, com possibilidade de grandes acumulados em curto período e rajadas de vento capazes de causar impactos significativos em áreas urbanas e rurais. A previsão meteorológica, segundo o informativo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indica que os principais eventos de chuva no país, entre os dias 19 e 26 de janeiro de 2026, estão ligados à passagem de sistemas transientes próximos das regiões Sul e Sudeste, que ao se acoplarem a um canal de umidade contribuem para a configuração de um novo episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
Esse cenário favorece a ocorrência de tempestades e chuvas recorrentes em parte do território nacional, principalmente entre o Norte, Centro-Oeste e Sudeste, com potencial para acumulados elevados ao longo da semana.
De acordo com o Inmet, a tendência é de volumes expressivos de precipitação em estados como Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, sul do Amazonas, Rondônia, Tocantins, Minas Gerais, sudoeste da Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde os acumulados podem potencialmente superar os 250 mm em sete dias, reforçando a atenção para transtornos como alagamentos, enxurradas e riscos associados a temporais severos.
Na prática, esse tipo de configuração atmosférica costuma ser o “gatilho” para episódios prolongados de instabilidade: não se trata apenas de uma pancada isolada, mas de vários dias com chuva e áreas onde a precipitação se repete com frequência, elevando o volume total e aumentando o risco de impactos em regiões mais vulneráveis, sobretudo em encostas, áreas de baixada, margens de rios e municípios com histórico de inundações.
Na Região Norte, as áreas de instabilidade com maiores volumes de chuva devem se concentrar no sul do Amazonas, em Rondônia e no sul do Tocantins, devido à atuação da ZCAS ao longo da semana. No Amapá, o posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ajuda a explicar a previsão de acumulados superiores a 100 mm nos próximos sete dias. Outra área que chama atenção é o baixo Amazonas e o leste do Pará, especialmente próximo à divisa com Tocantins e Maranhão, onde é esperada recorrência de chuvas, com acumulados em torno ou acima de 200 mm no período.
Já no Nordeste, o contraste é mais evidente. Em praticamente todo o leste e norte da região, a previsão é de ausência de chuvas nesta semana. Por outro lado, no sul do Maranhão, no oeste da Bahia e no oeste do Piauí, o cenário tende a ser mais úmido, com chuvas favorecidas principalmente na primeira metade do período, também com participação da ZCAS em parte das áreas. Nesses pontos, os volumes podem ficar entre 50 mm e 100 mm em sete dias, com destaque para o sudoeste baiano.

No Centro-Oeste, a previsão reforça o risco de chuva volumosa principalmente no norte do Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal, podendo superar 200 mm em sete dias entre Goiás e Mato Grosso, além de volumes pontualmente maiores dentro do território mato-grossense. Na maior parte da região, com exceção do Mato Grosso do Sul, há tendência de acumulado em torno de 100 mm em sete dias. Em contraste, no MS, a semana deve ter pouca chuva, com volumes abaixo de 20 mm, indicando uma distribuição bastante irregular da precipitação no país.
No Sudeste, a previsão indica um cenário bastante chuvoso principalmente para Minas Gerais e Espírito Santo, com influência direta da ZCAS. O Inmet detalha que, na segunda-feira (19), a área de chuvas intensas deve se estender do litoral de São Paulo, passando pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte central e noroeste de Minas Gerais. A partir da terça-feira (20), a chuva tende a se concentrar entre o norte e nordeste de MG e o ES, com possibilidade de retorno da instabilidade no dia 23, atingindo áreas do Rio de Janeiro e sul de Minas.
Enquanto isso, o Sul do Brasil deve viver um cenário quase oposto: a previsão aponta uma semana de tempo mais seco e firme, devido à atuação de um anticiclone pós-frontal e sua massa de ar frio associada. Ainda assim, podem ocorrer chuvas fracas e isoladas no litoral e interior de Santa Catarina, sem volumes expressivos, sobretudo a partir da quinta-feira (22). O destaque na região fica para os baixos índices de umidade, abaixo de 35%, com exceção do litoral.

Além dos acumulados de chuva, o alerta também está relacionado à ocorrência de temporais com vento forte. Em aviso meteorológico de chuvas intensas, o Inmet classifica o grau de severidade como “Perigo”, com previsão de chuva entre 30 e 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia, acompanhada por ventos intensos entre 60 e 100 km/h. Esse tipo de condição pode causar corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas, ampliando o risco de danos e acidentes, principalmente em municípios onde a chuva chega com maior intensidade e persistência.
As áreas abrangidas pelo aviso incluem regiões como Centro Goiano, Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, Leste Goiano, Central Mineira, Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Metropolitana de Belo Horizonte, além de faixas do Espírito Santo, Distrito Federal e áreas do Mato Grosso e da Bahia, reforçando um cenário de instabilidade que pode atingir grandes centros e também zonas produtivas do interior.
Em situações como essa, o Inmet orienta que, em caso de rajadas de vento, a população evite se abrigar debaixo de árvores, por risco de queda e descargas elétricas, e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Também é recomendado, sempre que possível, desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia. Para emergências, o órgão indica contato com a Defesa Civil (199) e o Corpo de Bombeiros (193).
Com a permanência do canal de umidade e a tendência de chuva recorrente em estados-chave do Norte, Centro-Oeste e Sudeste, o cenário exige atenção redobrada de produtores, transportadores e moradores de áreas de risco. Episódios de ZCAS costumam trazer impactos não apenas pelo volume total, mas pela repetição das instabilidades, que saturam o solo, elevam o nível de córregos e rios e aumentam a probabilidade de transtornos em áreas urbanas e no campo.
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