Com vencimento em 10 anos e lastro em 2,7 milhões de toneladas de grãos e pluma, Agropecuária Maggi estreia na modalidade de liquidação financeira sob o rito de registro automático da CVM.
O mercado de capitais voltado ao setor agropecuário nacional acaba de registrar um de seus maiores marcos institucionais deste ano. A Amaggi entra no mercado de CPR-F por meio de sua subsidiária Agropecuária Maggi Ltda., consolidando uma captação histórica superior a R$ 3,5 bilhões.
A operação marca a estreia oficial do grupo na emissão de Cédulas de Produto Rural com Liquidação Financeira (CPR-F), uma ferramenta de finanças privadas que vem ganhando forte tração entre os grandes players do agronegócio brasileiro. O documento contendo os detalhes minuciosos da oferta foi formalmente protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os bastidores de como a Amaggi entra no mercado de CPR-F
A captação bilionária foi estruturada sob o rito de registro automático para distribuição pública, em série única. No total, a emissão compreende exatamente 3.538.360 títulos com valor nominal unitário fixado em R$ 1,000,00. Para garantir forte atratividade em um cenário macroeconômico altamente competitivo, o grupo ofereceu aos investidores uma remuneração atrelada diretamente às taxas de juros de referência do mercado brasileiro: o retorno foi pactuado em 100% da Taxa DI (CDI) acrescida de um spread de 1,08% ao ano.
A liquidação das cédulas será efetuada de forma exclusivamente financeira, conferindo agilidade e dinamismo ao fluxo de caixa corporativo. O cronograma desenhado possui um horizonte de longo prazo, fator que demonstra a solidez e a alta confiança institucional no grupo produtivo. O vencimento final ficou estipulado para o dia 8 de junho de 2036, totalizando um prazo exato de dez anos, com pagamentos de rendimentos semestrais previstos para iniciar já em dezembro deste ano.
Lastro bilionário em grãos e plumas de algodão
A segurança da bilionária operação está ancorada em uma robusta base de ativos reais produzidos pela própria companhia. Os títulos emitidos encontram-se lastreados em um montante expressivo de 1,9 milhão de toneladas de soja em grãos e 852 mil toneladas de algodão em pluma. No documento arquivado na CVM, a companhia estimou o valor referencial da soja em US$ 420,00 por tonelada, enquanto o algodão foi avaliado em US$ 1.650,00 por tonelada, servindo de colchão de garantias para mitigar oscilações de preço no mercado internacional.
Além do lastro físico da safra agrícola, a emissão conta com estruturas rígidas de mitigação de risco de crédito corporativo. A operação possui o aval irrevogável de outras duas gigantes do conglomerado: a Andre Maggi Participações S.A. e a Amaggi Exportação e Importação Ltda. Como salvaguardas adicionais — qualificadas como garantias reais pesadas —, foram constituídas a alienação fiduciária de imóveis rurais de alto valor patrimonial, englobando áreas estratégicas da célebre Fazenda Itamarati (localizada no estado de Mato Grosso), bem como a cessão fiduciária de direitos creditórios e de contas bancárias de movimentação do grupo.
Destinação dos recursos e coordenação de mercado
Conforme as diretrizes informadas no prospecto da CVM, os recursos bilionários captados através desta emissão serão direcionados integralmente para capital de giro, investimentos corporativos gerais e fomento à sua própria produção agrícola. Alinhada às melhores práticas de governança e sigilo estratégico, a Amaggi não discriminou destinações específicas ou projetos isolados imediatos para a quantia, indicando que a alocação técnica ocorrerá de modo gradual, à medida que o capital for absorvido pelas frentes de produção do campo.
A engrenagem institucional por trás deste lançamento contou com parceiros de peso do ecossistema financeiro nacional. A condução da agência das CPR-Fs ficou sob a responsabilidade da Oliveira Trust, enquanto a liquidação bancária dos montantes é liderada pelo Itaú Unibanco, tendo a Itaú Corretora de Valores atuado como a instituição escrituradora oficial da emissão. Essa infraestrutura confere transparência e plena segurança jurídica para o mercado investidor institucional no acompanhamento do ativo ao longo da próxima década.
VEJA MAIS:
- O futuro do leite no Brasil passa pelo Girolando F1, afirma líder da pecuária leiteira
- A importância da limpeza do cocho antes do próximo trato: nutrição, manejo e desempenho animal
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.