Amcham avalia que sobretaxa dos EUA ao Brasil ainda pode ser evitada

Grande parte do agronegócio nacional foi poupada da proposta de tarifa de 25%; entidade empresarial vê janela de negociação aberta até 15 de julho

O recente anúncio de uma recomendação para aplicar tarifas alfandegárias adicionais de 25% sobre uma série de produtos nacionais acendeu o alerta no comércio exterior, mas a Amcham avalia que sobretaxa dos EUA ao Brasil ainda pode ser evitada.

Em posicionamento oficial divulgado logo após o anúncio de Washington, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) enfatizou que a medida recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) possui caráter estritamente preliminar, abrindo uma importante margem para que o governo e o setor privado revertam as barreiras por meio da diplomacia comercial.

Janela de negociação para mitigar a sobretaxa dos EUA ao Brasil

De acordo com a avaliação de Abrão Neto, presidente executivo da Amcham Brasil, o documento técnico emitido pelo governo norte-americano não representa uma palavra final, mas sim um indicativo de que as duas nações dispõem de tempo hábil para construir um consenso regulatório. “O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas”, ponderou o dirigente.

A entidade destacou que a interlocução bilateral foi intensificada de forma expressiva desde o encontro presidencial ocorrido em 7 de maio. Esse histórico recente de diálogo sinaliza um interesse real de Washington em prosseguir com as rodadas de negociação antes de aplicar qualquer sanção definitiva. A expectativa do empresariado é de que ambos os governos elevem o nível de coordenação técnica nas próximas semanas para alcançar um denominador comum que neutralize as tensões tarifárias.

Agronegócio brasileiro é poupado de tarifas punitivas

A origem do impasse econômico remonta a uma ampla Investigação Comercial baseada na Seção 301, instaurada pelos Estados Unidos contra o mercado brasileiro ainda no decorrer de 2025. O relatório conclusivo do USTR, apresentado nesta segunda-feira (1º), propôs a sobretaxa linear de 25% como uma forma de medida corretiva.

Apesar do endurecimento da postura comercial norte-americana, o agronegócio brasileiro conseguiu uma blindagem estratégica importante. A lista oficial de exceções divulgada pelo USTR poupou os principais pilares da balança comercial do país. Com isso, commodities e produtos de alto valor agregado como carnes, café, frutas, chás, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas medicinais e insumos essenciais como fertilizantes permanecem livres da taxação extra, preservando a competitividade do ecossistema agropecuário nacional.

Próximos passos e prazos da sobretaxa dos EUA ao Brasil

O rito legal do governo dos Estados Unidos prevê que a proposta tarifária passe agora por um período de consulta pública, permitindo que associações de classe, importadores e indústrias de ambos os países manifestem seus argumentos técnicos e impactos econômicos. O prazo limite estabelecido pela legislação norte-americana para a assinatura de decretos ou aplicação final dessas medidas corretivas expira no dia 15 de julho de 2026.

A Amcham reforça que o foco absoluto do Brasil deve ser a consolidação de um acordo negociado dentro do âmbito da Investigação 301. Caso as tratativas fracassem, as exportações de outros setores da indústria nacional correm o risco de enfrentar um cenário tributário significativamente mais oneroso e desvantajoso em comparação com concorrentes globais no cobiçado mercado consumidor norte-americano.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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