Aos 37 anos, Fancy entra para o Guinness como a égua mais velha do mundo

Animal da raça Quarto de Milha, reconhecida pelo Guinness como a a égua mais velha do mundo, Fancy superou a expectativa de vida da raça e simboliza cuidado, longevidade e um vínculo que atravessa gerações.

Uma égua marrom de olhar atento e personalidade marcante acaba de entrar para a história mundial da equinocultura. Fancy, que vive em Aldie, no estado da Virgínia (EUA), foi oficialmente reconhecida pelo Guinness World Records como o cavalo mais velho do mundo, aos 37 anos e 329 dias — um feito impressionante para qualquer equino e ainda mais simbólico por ocorrer às vésperas do Ano do Cavalo no zodíaco chinês.

Nascida em 1º de abril de 1988, Fancy ultrapassou com folga a expectativa média de vida da sua raça, tornando-se um símbolo de longevidade, cuidado e vínculo afetivo entre humanos e animais.

Antes de ser conhecida mundialmente como Fancy, a égua atendia pelo nome de “Josey Wales”. Ela foi adquirida originalmente no Colorado e, segundo relatos do seu antigo treinador, protagonizou um episódio que marcou sua trajetória: durante uma cavalgada, uma forte tempestade lançou uma grande chapa metálica de um celeiro em direção ao casal que montava o animal.

Em vez de entrar em pânico, a égua manteve o controle e conduziu os cavaleiros em segurança, demonstrando coragem e instinto protetor — características que, anos depois, continuariam a definir sua personalidade.

A história de Fancy com sua atual tutora, Paige Sigmon Blumer, começou no final da década de 1990, em um centro de treinamento em Lucketts, Virgínia. Paige tinha apenas oito anos quando conheceu a égua — e, curiosamente, as duas fazem aniversário no mesmo dia: 1º de abril.

Em junho de 2000, após concluir uma competição de Team Penning, a família decidiu comprar a égua do treinador Gary Cox. Foi nesse momento que “Josey Wales” passou a se chamar Fancy. Segundo Paige, o antigo nome não fazia jus à elegância da égua.

égua mais velha do mundo
Foto: GUINNESS WORLD RECORDS

Desde então, as duas cresceram juntas, competiram, superaram desafios e construíram uma ligação que ultrapassa o esporte. Foram mais de 25 anos de convivência ininterrupta, atravessando fases da infância à vida adulta da tutora.

Fancy é uma égua da raça Quarto de Milha Americana de linhagem pura. Em condições normais, a expectativa de vida da raça varia entre 25 e 35 anos. Ao atingir 37 anos — prestes a completar 38 —, a égua não apenas superou essa média, como também assumiu o posto que anteriormente pertencia à égua Baskaladd (nascida em 1987), que faleceu no ano passado aos 38 anos.

O reconhecimento oficial veio após Paige submeter a documentação comprobatória ao Guinness, que confirmou a idade e validou o recorde.

A longevidade de Fancy não veio sem desafios. Com o avanço da idade, ela enfrentou diversos problemas de saúde e foi diagnosticada com Doença de Cushing (Síndrome de Disfunção da Pars Intermedia da Hipófise – PPID), condição comum em cavalos idosos.

Devido à doença, Fancy não pode mais se alimentar livremente no pasto. Sua dieta é rigorosamente controlada, composta por feno com baixo teor de carboidratos não estruturais (NSC), ração umedecida, pellets de feno de timóteo e suplementação específica, incluindo pó de coco Cool Stance.

Além disso, sua digestão passou a exigir alimentos hidratados, reduzindo riscos metabólicos. O manejo também inclui acompanhamento veterinário constante, controle de cascos e atenção oftalmológica, já que sua visão se deteriorou com o tempo.

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Foto: GUINNESS WORLD RECORDS

Entre os profissionais envolvidos em seu cuidado estão:

  • Ferrador Collin Moates (Oakwood Forge)
  • Veterinária principal Stephanie Wilkinson (Piedmont Equine)
  • Especialista em medicina interna Amy Polkes (Equine iMed)
  • Oftalmologista Catherine Nunnery (Equine Veterinary Vision)

Apesar de ter formação em medicina veterinária, Paige destaca que a longevidade de Fancy é resultado do trabalho coletivo da equipe técnica.

Hoje, Fancy vive uma aposentadoria tranquila no centro da fazenda da família. Com visão comprometida, ela ganhou uma companheira inseparável: a burrinha Rosie, adquirida para atuar como guia. As duas passam os dias juntas no estábulo e no piquete seco, aproveitando o sol e a convivência.

A rotina inclui passeios leves duas vezes ao dia — apelidados carinhosamente de “passeios da vovó” — além de dias de “spa” no verão, quando são lavadas com espuma e depois se divertem rolando na lama.

Mesmo com quase 38 anos, Fancy mantém personalidade forte e espírito ativo. Segundo Paige, ela ainda demonstra interesse pelos movimentos ao redor da fazenda e continua sendo o centro das atenções.

Mais do que o título mundial, Fancy representa a força do vínculo entre cavalo e cavaleiro. A lembrança mais marcante para Paige foi quando a égua conheceu sua filha — um momento descrito como “fechamento de ciclo”.

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A filha de Paige beijando Fancy. Foto: GUINNESS WORLD RECORDS

Hoje, a criança também participa dos passeios tranquilos pela propriedade, iniciando uma nova geração de amantes de cavalos.

Fancy tornou-se símbolo de resiliência, cuidado responsável e dedicação ao bem-estar animal. Sua trajetória reforça que longevidade em equinos não depende de fórmulas secretas, mas de manejo adequado, acompanhamento profissional, nutrição equilibrada, ambiente estável e, sobretudo, vínculo afetivo.

Às portas dos 38 anos, a égua mais velha do mundo segue vivendo dias tranquilos na Virgínia, aproveitando cada raio de sol — e mostrando que, na equinocultura, amor e técnica caminham lado a lado quando o objetivo é qualidade de vida até a idade avançada.

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