Após multa de R$ 690 milhões, gigante do agro tenta recuperação judicial

O pedido de tutela cautelar, que visa regularizar uma dívida de R$ 2,17 bilhões, foi solicitado pelo representante da companhia. Este pedido busca suspender processos administrativos e evitar a interrupção no fornecimento de bens essenciais para a empresa durante o processo de mediação; confira

O grupo mineiro Indústria de Rações Patense encontra-se em meio a uma crise financeira que tem levado a medidas drásticas para lidar com suas dívidas e tentar reverter a situação. A empresa, que atua no processamento de produtos de origem animal para diversos fins, incluindo a fabricação de ração animal e óleo para a indústria de higiene e limpeza, solicitou à Justiça o bloqueio da execução de dívidas pelo prazo de 60 dias, enquanto busca uma solução por meio de mediação com seus credores.

O pedido de tutela cautelar, que visa regularizar uma dívida de R$ 2,17 bilhões, foi solicitado pelo escritório TWK Advogados, representante da companhia. Este pedido busca suspender processos administrativos e evitar a interrupção no fornecimento de bens essenciais para a empresa durante o processo de mediação.

Além das dívidas bancárias, a empresa também enfrenta problemas relacionados aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), somando ao menos R$ 690 milhões em emissões distribuídas no mercado. Atualmente, cerca de R$ 500 milhões desses papéis ainda estão em circulação, enquanto o restante já venceu ou foi recomprado. Essa situação acrescenta mais complexidade às negociações financeiras da empresa.

A crise financeira do grupo é atribuída, em parte, às aquisições realizadas entre 2021 e 2023, que demandaram altos investimentos e não proporcionaram os retornos esperados. Em particular, a aquisição da Sebbo Passofundense Indústria e Comércio de Adubos e Fertilizantes é mencionada como um dos negócios que não performaram conforme o planejado, contribuindo para a situação insustentável de caixa.

Os atrasos nos pagamentos resultaram no vencimento antecipado de várias dívidas em abril, declaradas por credores. Um exemplo disso foi o contrato de compra da unidade de Bioprodutos de Pesca da GDC, proprietária da marca Gomes da Costa, e Ki Tissa, no valor de US$ 15,6 milhões. Da mesma forma, a inadimplência no pagamento ao fundo Gama I FIP Multiestratégia, relacionada à aquisição da Farol Indústria e Comércio, levou o fundo a acionar garantias dadas pelo BTG Pactual e pelo Safra, contratados pela Patense.

Fundado em 1970 por Antônio Gonçalves, o grupo Indústria de Rações Patense possui uma longa história no processamento de materiais de origem animal. Com quatro complexos industriais espalhados pelos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a empresa emprega quase 2 mil colaboradores.

A situação financeira delicada do grupo é agravada por questões anteriores, como o recolhimento determinado pelo Ministério da Agricultura em 2022, dos petiscos caninos produzidos pela marca Pets Mellon. Tal medida foi tomada devido à presença de substâncias tóxicas aos animais em alguns lotes, o que certamente afetou a reputação da empresa e suas operações.

Em meio a esse cenário desafiador, o grupo busca uma solução por meio de renegociações com seus credores no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) na cidade de Patos de Minas. O sucesso dessas negociações será crucial para determinar o futuro da empresa e sua capacidade de se recuperar da crise financeira que enfrenta.

Escrito por Compre Rural.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Juliana Freire sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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