Aprovado projeto que libera porte de arma para donos e associados de clubes de tiro

Texto altera o Estatuto do Desarmamento, amplia direito ao porte de arma para proprietários, dirigentes, filiados de clubes de tiro e donos de lojas de armas, e ainda precisa passar pela CCJ antes de seguir ao Senado

A pauta do porte de armas voltou ao centro do debate legislativo em Brasília. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza o porte de arma para proprietários, dirigentes e associados de clubes de tiro, além de estender a permissão a donos de lojas de armas e munições. A proposta representa mais uma tentativa de flexibilização do Estatuto do Desarmamento e reacende discussões sobre segurança pública, responsabilidade civil e riscos associados à circulação de armas no país .

A matéria foi analisada no início de janeiro e ainda não tem efeito imediato. Para se tornar lei, o texto precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, posteriormente, ser aprovado pelo plenário da Câmara e pelo Senado Federal.

O que diz o projeto aprovado

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) ao Projeto de Lei nº 3.922/2025, de autoria do deputado Juninho do Pneu (União-RJ). A versão original do projeto não previa a concessão de porte de arma para associados de clubes de tiro — ponto que foi incorporado pelo relator durante a tramitação na comissão .

Na avaliação de Bilynskyj, a ampliação do porte se justifica pelo nível de responsabilidade e exposição ao risco enfrentado por esses grupos.

Justificativa para donos e administradores de clubes de tiro

Segundo o relator, proprietários e administradores de clubes de tiro lidam diariamente com a guarda, o armazenamento e o manuseio de acervos sensíveis, como armas e munições, o que os colocaria em situação de vulnerabilidade.

“Quando o Estado impõe a particulares a guarda, o armazenamento e o manuseio permanente de acervos sensíveis, assume igualmente o dever de evitar que essa obrigação os coloque em condição de risco desproporcional”, argumentou Bilynskyj durante a votação .

A lógica defendida pelo parlamentar é a de que o porte de arma funcionaria como um mecanismo de proteção pessoal diante do risco de roubos, furtos ou ações criminosas direcionadas a esse tipo de estabelecimento.

Porte de arma também para associados e filiados

Um dos pontos mais sensíveis do texto aprovado é a inclusão dos associados e filiados dos clubes de tiro entre os beneficiados pela permissão. Para o relator, esses frequentadores também estariam sujeitos aos mesmos riscos enfrentados pelos gestores dos clubes.

De acordo com Bilynskyj, os filiados frequentam diariamente ambientes controlados, transportam armas e munições e, por isso, estariam expostos a potenciais ameaças criminosas. Excluí-los da autorização, segundo ele, significaria ignorar a realidade operacional desses locais .

Inclusão de lojistas de armas e munições

Além dos clubes de tiro, o projeto também autoriza o porte de arma para proprietários de lojas de armas e munições, outro segmento que, segundo os defensores da proposta, estaria exposto a riscos elevados em função da atividade comercial e do valor dos produtos armazenados.

A medida busca equiparar esses empresários a outros profissionais que já possuem autorização legal para o porte, sob o argumento de proteção patrimonial e pessoal.

Próximos passos da proposta que libera porte de arma para donos e associados de clubes de tiro

Apesar da aprovação na Comissão de Segurança Pública, o projeto ainda está longe de virar lei. O texto seguirá para análise conclusiva na Comissão de Constituição e Justiça, onde será avaliada sua constitucionalidade e compatibilidade com o ordenamento jurídico vigente.

Caso receba parecer favorável, a proposta ainda precisará ser aprovada pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para, então, ser sancionada ou vetada pela Presidência da República .

Debate permanece acirrado

A tramitação do projeto ocorre em um contexto de forte polarização sobre a política de armas no Brasil. Enquanto defensores argumentam que a medida reforça o direito à legítima defesa e reconhece riscos reais enfrentados por determinados grupos, críticos alertam para o potencial aumento da circulação de armas e os impactos na segurança pública.

O avanço da proposta nas próximas comissões deve manter o tema em evidência no Congresso Nacional e no debate público ao longo de 2026.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM