Com a cotação já superando os R$ 300,00/@, o mercado especula: será que a arroba do boi gordo pode alcançar a marca de R$ 400,00/@? É uma ‘possível’ realidade, mas não agora; Confira a análise!
Nos últimos meses, o preço do boi gordo tem surpreendido e gerado otimismo no mercado agropecuário. Em outubro de 2024, as cotações chegaram a uma valorização de 22,4% em relação ao fechamento de dezembro de 2023, atingindo a marca de R$ 308,80/@ no mercado físico paulista (Cepea). Com a cotação já superando os R$ 300,00/@, o mercado especula: será que a arroba do boi gordo pode alcançar a marca de R$ 400,00/@? Para entender essa possibilidade, é necessário observar o histórico de ciclos pecuários e as variáveis que impactam o setor.
Boi gordo a R$ 400/@? “Uma possível realidade, mas não a curto prazo”, diz o analista Raphael Galo, da Terra Investimentos, em texto publicado na mais recente edição do informativo “Boi & Companhia”, publicado semanalmente pela Scot Consultoria.
Ciclo de alta: o que indica a série histórica? Boi gordo a R$ 400 será realidade?
A trajetória de preços do boi gordo tem seguido um padrão cíclico, alternando entre períodos de alta e baixa. Segundo estudos, nos ciclos de alta, os preços variam em média +83%, enquanto nos ciclos de baixa, a variação é de -35,4%. A partir de junho de 2024, quando o valor médio foi R$ 220,70/@, foi possível identificar um início de recuperação de preços, que até agora resultou em um aumento expressivo.
Se aplicarmos a média de variação histórica de alta (+83%) sobre o valor de junho, poderemos ver a arroba do boi ultrapassando os R$ 400,00. Contudo, essa projeção ainda depende de uma série de fatores que podem influenciar o mercado, como a oferta, demanda e variáveis macroeconômicas.
“Existem alguns fatores que podem alterar/mudar essa projeção, pois ela não leva em consideração fatores externos como demanda, oferta, custos de produção e outros fatores macroeconômicos que podem influenciar os preços do boi gordo“, apontou o analista Raphael Galo.
A dinâmica atual de mercado e as expectativas futuras
Conforme dados do Cepea, o mercado está em um cenário de valorização constante. A baixa oferta de animais prontos para abate e a demanda interna e externa aquecida são os principais impulsionadores dessa alta. Apesar de os confinamentos contribuírem com um volume importante nas escalas de abate no último trimestre, eles não conseguem suprir completamente a demanda. Adicionalmente, a escassez de chuvas e as queimadas no terceiro trimestre afetaram a oferta de animais a pasto, o que fortaleceu o movimento altista dos preços.
Curva de preços da arroba no mercado futuro: sinal de alerta?
Embora a cotação do boi gordo no mercado físico esteja em alta, as projeções para os próximos meses indicam um movimento de curva invertida nos contratos futuros. Esse fenômeno, onde os preços futuros são menores que o vencimento mais próximo, sugere um possível equilíbrio entre oferta e demanda nos meses seguintes, o que pode arrefecer o ritmo de alta.
Tabela de Preços (23/10/2024)
| Mês | Preço (R$) | Diferença R$ | Diferença % |
|---|---|---|---|
| Outubro | 314,00 | +5,20 | +1,7% |
| Novembro | 314,70 | +5,90 | +1,9% |
| Dezembro | 312,50 | +3,70 | +1,2% |
| Janeiro | 305,10 | -3,70 | -1,2% |
Os dados indicam que, a partir de dezembro, existe uma tendência de leve recuo nos preços, o que reforça a incerteza quanto à continuidade da alta no curto prazo. Essa perspectiva pode ser interpretada como uma medida cautelar pelo mercado, que se ajusta à expectativa de equilíbrio entre oferta e demanda.
Possíveis desafios e impactos no cenário
A projeção de uma arroba a R$ 400/@ depende de diversos fatores, incluindo a recuperação econômica global, a demanda por carne bovina nos principais mercados importadores e a taxa de abate de fêmeas. Atualmente, o menor abate de fêmeas tem contribuído para a alta dos preços, uma vez que a retenção de matrizes reduz a oferta futura de animais para abate.
Além disso, custos de produção, como insumos e transporte, também têm impactado o preço final da arroba. A volatilidade do dólar e as políticas de exportação da China, maior consumidora de carne bovina brasileira, são variáveis importantes para definir o patamar de preço que o boi gordo poderá alcançar no futuro.

Considerações finais: o que o produtor deve fazer?
Diante desse cenário, analistas recomendam cautela e um planejamento estratégico por parte dos pecuaristas. Fixar margens e acompanhar de perto as oscilações de mercado são práticas essenciais para lidar com a incerteza. Mesmo que o preço de R$ 400/@ seja uma possibilidade, não é algo a ser esperado em curto prazo. Assim, o momento exige atenção aos sinais do mercado e uma visão de longo prazo para garantir a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade.
Em resumo, a arroba do boi gordo a R$ 400 é uma “possível realidade”, mas depende de fatores estruturais e de uma continuidade do ciclo de alta.
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