Arroba do boi gordo fecha em leve recuo, com mercado cauteloso e exportações em alta

Mercado do boi gordo opera com preços acomodados, leve recuo da arroba, escalas confortáveis nos frigoríficos e exportações aquecidas sustentando o setor

O mercado físico do boi gordo encerrou a quarta-feira com leve recuo nas principais praças pecuárias monitoradas no país. O destaque negativo ficou com Mato Grosso do Sul, onde a arroba apresentou queda de 0,30% em relação ao dia anterior, sendo negociada, em média, a R$ 307,20. O movimento reflete um cenário de cautela, marcado por baixo volume de negócios e tentativas pontuais de compra em patamares mais baixos por parte dos frigoríficos, segundo a Consultoria Agrifatto.

Na B3, o mercado futuro acompanhou o viés de baixa. O contrato do boi gordo com vencimento em janeiro de 2026 recuou 0,42% no comparativo diário, encerrando cotado a R$ 317,85 por arroba. Apesar do ajuste negativo, analistas destacam que o movimento ainda é de acomodação, sem sinais de pressão mais contundente sobre os preços.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, os frigoríficos operam com escalas de abate posicionadas, em média, em sete dias úteis no âmbito nacional. “A boa condição das pastagens é um elemento importante, pois permite que os pecuaristas cadenciem o ritmo das vendas, o que dificulta uma queda mais acentuada das cotações”, avalia.

O especialista acrescenta que as indústrias seguem avaliando estratégias para adequar a produção diante das mudanças esperadas na demanda e no fluxo das exportações ao longo do ano.

A Scot Consultoria reforça esse diagnóstico ao apontar que o mercado abriu a semana com baixo volume de negócios. As ofertas de compra foram pontuais, focadas apenas no atendimento da demanda imediata, mantendo as cotações estáveis na maior parte das regiões. As escalas de abate, novamente, giram em torno de sete dias, indicando relativo equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo.

Funcionario de frigorifico empurrando a linha de carcacas bovinas
Foto: Divulgação

Varejo valorizado e atacado pressionado

Um dos contrastes mais marcantes de 2025 foi o comportamento distinto entre varejo e atacado da carne bovina. No varejo, os preços mantiveram trajetória de valorização ao longo do ano, alcançando pico em dezembro, com avanço médio de 8,74%. Já no atacado, o cenário foi de desvalorização ao longo de praticamente todos os meses.

No mercado atacadista paulista, a carcaça casada bovina registrou preço médio de R$ 22,01 por quilo em dezembro, com alta mensal de 0,79%. No entanto, na comparação com dezembro de 2024, o valor representa uma queda de 2,59%, evidenciando a pressão sobre as margens da indústria.

Exportações ganham força em janeiro

O mercado externo segue como um dos principais pontos de sustentação do setor. Na segunda semana de janeiro, o Brasil exportou 89,3 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 14,8 mil toneladas. O volume representa um expressivo crescimento de 81,6% em relação ao mesmo período de janeiro de 2025.

Além do avanço em volume, os preços também reagiram positivamente. O valor médio da tonelada exportada atingiu US$ 5,5 mil, alta de 10% na comparação anual, reforçando a importância das exportações para o escoamento da produção e para a formação de preços no mercado interno.

Mato Grosso bate recorde de abates e influencia o mercado

Outro fator relevante para o cenário da arroba é o forte ritmo de abates, especialmente em Mato Grosso. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que o estado bateu recorde em 2025, com 74,6 milhões de cabeças de bovinos abatidas ao longo do ano. O número histórico reforça a grande oferta de animais terminados, sobretudo em uma fase de ciclo pecuário mais favorável à indústria.

Esse volume elevado de abates contribui para manter os preços sob controle, mesmo diante do bom desempenho das exportações. Ao mesmo tempo, evidencia a relevância de Mato Grosso na formação de preços do boi gordo no Brasil, já que qualquer ajuste no ritmo de produção ou nas escalas de abate do estado tende a repercutir rapidamente no mercado nacional.

No curto prazo, a expectativa é de continuidade do movimento de acomodação da arroba do boi gordo, com oscilações pontuais e baixo volume de negócios. A combinação entre pastagens em boas condições, escalas de abate relativamente confortáveis e forte presença das exportações deve seguir ditando o ritmo do mercado, enquanto pecuaristas e frigoríficos ajustam suas estratégias diante do novo cenário de demanda em 2026.

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