Arroba do boi gordo sobe R$ 10 antes do Carnaval — alta continua ou o mercado vai esfriar?

Restrição de oferta, exportações aquecidas e consumo interno serão decisivos para definir o rumo do mercado pecuário nas próximas semanas. Arroba do boi gordo segue subindo depois do Carnaval? Confira!

O mercado do boi gordo entrou em fevereiro com um movimento de valorização acima do esperado e reacendeu uma das principais dúvidas do pecuarista brasileiro: a alta veio para ficar ou o pós-Carnaval pode trazer acomodação nos preços? A resposta, segundo analistas, depende diretamente do equilíbrio entre oferta restrita, demanda externa robusta e comportamento do consumo doméstico.

De acordo com levantamento recente, o mercado físico registrou aumento de preços ao longo da semana, encerrando a primeira quinzena de fevereiro em patamares superiores aos projetados inicialmente.

Esse avanço ocorre em um ambiente de negócios marcado por dificuldade das indústrias em preencher escalas de abate — um sinal clássico de menor disponibilidade de animais prontos para o gancho.

Oferta curta sustenta reação dos preços do boi gordo

A tendência de curto prazo ainda aponta para firmeza nas cotações. Analistas destacam que a restrição de oferta tem dificultado a composição das escalas, favorecendo novas altas no curtíssimo prazo.

Além disso, o próprio feriado pode atuar como catalisador do mercado.

Especialistas indicam que o Carnaval tende a reduzir a fluidez dos negócios, aumentando o apetite de compra na retomada das negociações, enquanto as exportações seguem como principal variável de demanda neste início de ano.

Esse cenário reforça a percepção de que o pecuarista está em posição mais confortável para negociar — ao menos por enquanto.

Referência de R$ 350 pode guiar o pós-Carnaval

Negócios pontuais já indicam um novo patamar de preços no mercado do boi gordo. Foi reportada negociação a R$ 350 por arroba, nível que pode servir como referência para o mercado após o Carnaval.

Outro fator relevante é o desempenho da demanda interna. Caso o consumo durante o feriado seja positivo, compradores que abastecem o mercado doméstico podem acelerar aquisições na segunda quinzena, somando-se a uma procura externa ainda aquecida.

O clima também entra nessa equação. Chuvas satisfatórias desde dezembro de 2025 e temperaturas médias mais baixas do que no ano anterior têm favorecido o vendedor de boiadas, reduzindo a pressão por oferta imediata.

Preços do boi gordo nas principais praças já mostram reação

Os valores médios da arroba na modalidade a prazo registraram avanço consistente:

  • São Paulo: R$ 350, ante R$ 340 (+3%)
  • Goiás: R$ 330, contra R$ 320 (+3,1%)
  • Minas Gerais: R$ 335, frente a R$ 320 (+4,7%)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 335, ante R$ 320 (+4,7%)
  • Mato Grosso: R$ 325, contra R$ 315 (+3,2%)

A leitura predominante é que o mercado já entrou em uma nova faixa de preços — ainda que a consolidação dependa dos próximos movimentos da demanda.

Exportações seguem como motor da pecuária brasileira

O suporte externo ajuda a explicar o otimismo do setor. Somente nos primeiros dias úteis de fevereiro, as exportações de carne bovina renderam US$ 384,055 milhões, com média diária de US$ 76,811 milhões, enquanto o volume embarcado chegou a 68,344 mil toneladas.

Na comparação anual, houve:

  • Alta de 63,7% no valor médio diário
  • Avanço de 43,6% no volume exportado
  • Elevação de 14% no preço médio da tonelada

O ritmo forte já vinha desde janeiro, quando os embarques da cadeia bovina somaram US$ 1,416 bilhão — crescimento de 37,9% frente ao mesmo mês de 2025 — com volume de 278 mil toneladas (+16,4%).

A China permanece como principal destino, respondendo por 43,1% do volume exportado e 45,9% das receitas, embora exista uma quota anual de 1,1 milhão de toneladas; volumes acima desse limite podem enfrentar tarifa adicional de 55%.

Já os Estados Unidos ampliaram significativamente as compras, com crescimento de 92,7% na receita das importações de carne in natura.

Nem tudo é alta: carne perde competitividade no atacado

Apesar do cenário favorável ao boi gordo, há sinais de alerta.

Os preços da carne no atacado ficaram acomodados e ainda enfrentam concorrência forte de outras proteínas, que seguem pressionadas neste início de ano.

Se essa perda de competitividade se intensificar, frigoríficos podem adotar postura mais cautelosa nas compras — fator que tradicionalmente limita movimentos de alta prolongados.

Arroba: O mercado pode esfriar?

No curto prazo, o viés ainda é positivo, mas não livre de riscos.

Três fatores devem definir o rumo da arroba após o Carnaval:

  1. Intensidade do consumo doméstico
  2. Continuidade das exportações em ritmo elevado
  3. Nível de oferta de animais terminados

Se a demanda confirmar as expectativas, o mercado pode testar novas máximas. Porém, qualquer sinal de enfraquecimento no consumo ou pressão das proteínas concorrentes tende a provocar ajustes.

Leitura estratégica para o pecuarista

O atual momento mostra um mercado mais equilibrado do que em ciclos recentes, com pecuaristas menos pressionados e frigoríficos disputando oferta — um cenário que historicamente favorece preços firmes. Ainda assim, especialistas recomendam atenção redobrada: movimentos rápidos de valorização costumam ser seguidos por períodos de acomodação.

Em outras palavras: o pós-Carnaval pode trazer continuidade da alta — mas o mercado segue dependente da demanda para transformar essa reação em tendência duradoura.

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