Gado ‘seca’ e preços da arroba sobem, com entressafra mostrando que a grande oferta de animais para abate acabou e, para compor as escalas, frigoríficos vão ter que ofertar mais para conseguir fechar as negociações que miram os R$ 260,00/@.
Mercado do boi gordo vai continuar sua valorização? Como anunciado na última semana, os preços da arroba do boi gordo têm retomado bons índices a partir dessa segunda metade de junho, que marca o segundo semestre de 2023, após seis primeiros meses de muita pressão. Os frigoríficos têm comprado gado de forma mais agressiva devido às escalas de abate mais curtas.
Com o fim da tendência de baixa e o início de um movimento mais firme nos preços do boi gordo, muitos pecuaristas resolveram sair dos negócios, vislumbrando uma subida mais consistente da arroba no curtíssimo prazo. “Apesar do período de estiagem, ainda há regiões com boa oferta de pasto, o que possibilita alguma retenção de animais a fim de barganhar melhores preços”, afirmam os analistas da S&P Global Commodity Insights.
Fechamento da arroba na última semana
Nesta sexta-feira (23), o mercado físico do boi gordo apresentou preços firmes. A Safras & Mercado informou que foram realizados negócios acima das referências médias em algumas regiões. Os frigoríficos têm comprado gado de forma mais agressiva devido às escalas de abate mais curtas. A oferta de animais prontos para o abate vem diminuindo constantemente, e a expectativa é que a oferta seja ainda mais limitada no mês de julho, indicando a continuidade desse movimento.
No mercado físico, das 32 praças monitoradas pela Scot Consultoria, 18 tiveram a cotação do boi subindo nos últimos sete dias. “Tal movimento, porém, segue compassado”, observa engenheira agrônoma Jéssica Olivier, analista da Scot Consultoria. A cotação do boi gordo para o mercado interno subiu R$5,00/@ no começo da semana e, ontem, subiu R$5,00/@ para o “boi China”. No fechamento desta edição, a cotação para todas as categorias não mudou.
O quadro é de estabilidade. A cotação do boi para o mercado interno está em R$245,00/@, a da vaca em R$210,00/@ e a da novilha em R$230,00/@, preços brutos e a prazo. A cotação do “boi China” está em R$250,00/@, preço bruto e a prazo, com negociações pontuais de R$ 255,00/@.
Segundo os dados do INDICADOR DO BOI GORDO CEPEA/B3, os valores encerram a semana acumulando uma valorização de 3,76% na comparação mensal. Dessa forma, os valores estão cotados a R$ 252,40/@ na média do indicador divulgado na última sexta-feira.
Giro do Boi Gordo pelo Brasil
- Em São Paulo, o preço de referência para a arroba do boi foi de R$ 248.
- Em Dourados (MS), o valor indicado foi de R$ 241 por arroba.
- Em Cuiabá (MT), a arroba ficou indicada em R$ 208
- Em Goiânia (GO), a indicação foi de R$ 228 por arroba do boi gordo.
- Já em Uberaba (MG), a arroba teve preço de R$ 227.

Fatores para sustentar o movimento de alta da arroba
De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras, houve uma recuperação do preço, ainda que demorada, por conta da menor oferta. “Os frigoríficos já não contam com posições confortáveis nas escalas, que estão mais apertadas, e, por conta disso, já aumenta a necessidade de compra”, explica.
Além disso, o ritmo das exportações do Brasil para a China retomou seu patamar de normalidade três meses após o fim do embargo para carne bovina brasileira, entre fevereiro e março. Para Hyberville Neto, se a história se repetir, teremos um segundo semestre com mais carne exportada e preços melhores para arroba.
Assim, apesar da retomada do volume de exportações para China, a grande variável para os embarques neste ano ficam para os preços, com a China comprando com “desconto” na comparação com o ano passado. “As receitas estão menores em função da queda da carne bovina no mercado internacional. Há um ano, a tonelada de carne bovina era negociada em torno de US$ 7.100, e agora está entre US$ 5.000-5.100 por tonelada para China”, comenta Fernando Iglesias.
“Em relação ao preço de junho/22, o valor atual pago pela tonelada exportada está 25,1% menor”, observa a analista.
Para o início de julho, a tendência é de melhores preços para a arroba do boi. “Isso não significa que os preços devam subir no varejo, já que não houve quedas tão contundentes que justifique repasses da alta da arroba na carne”, diz.

Boiada no cocho, oportunidade de momento
Segundo a consultoria, o baixo custo dos insumos destinados à ração animal também pode favorecer a engorda dos animais em sistemas de semiconfinamento, reforçando a estratégia de segurar os lotes de animais nas fazendas, à espera de bons negócios.
Na avaliação da engenheira agrônoma Jéssica Olivier, analista da Scot Consultoria, para o pecuarista que pretende fechar o gado no segundo semestre e irá comprar os alimentos agora, o cenário pode ser de boas margens. “Mas pode ser promocional; corra e aproveite, antes que os ‘estoques’ acabem e o pessimismo volte aos contratos futuros”, alerta Jéssica. Segundo a analista, o mercado futuro já “namora com a referência de R$ 265/@ para outubro/23, um ótimo sinal para o invernista de segundo giro”.
Mercado atacadista
No mercado atacadista, os preços se mantiveram estáveis no encerramento da semana. A expectativa é que haja um aumento consistente durante a virada do mês, período em que o consumo tende a aumentar.
É importante destacar que a carne de frango permanece mais competitiva nesse momento e tem sido a preferência de uma parcela da população de menor renda. O quarto traseiro foi precificado em R$ 18,30 por quilo. O quarto dianteiro foi precificado em R$ 13,60 por quilo, enquanto a ponta de agulha teve preço de R$ 13,30 por quilo.
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