Os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades na composição das escalas de abate, que seguem curtas; Isso reforça o cenário de oferta restrita e sustenta os preços elevados. Boi gordo vai continuar subindo?
O mercado do boi gordo iniciou o ano de 2025 com uma valorização expressiva, impulsionada por uma demanda aquecida no mercado externo e uma oferta ainda restrita. No dia 30 de dezembro de 2024, a arroba do boi gordo comum estava cotada em R$ 310/@ em São Paulo. Hoje, o valor subiu na capital paulista e o preço atinge R$ 335/@, refletindo uma alta de R$ 15/@ no início do ano.
De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades na composição das escalas de abate, que seguem curtas, entre três e seis dias úteis na média nacional. Isso reforça o cenário de oferta restrita e sustenta os preços elevados.
“A demanda por carne bovina permanece aquecida na exportação, uma vez que o Brasil segue como melhor alternativa global para o fornecimento da proteína, com grandes predicados na comparação aos concorrentes”, destaca Iglesias.
Preços da arroba do boi gordo nas principais praças
No dia 16 de janeiro, os preços médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo foram registrados da seguinte forma:
- São Paulo (Capital): R$ 335, alta de 1,52% frente aos R$ 330 registrados na semana passada
- Goiás (Goiânia): R$ 325, avanço de 3,17% perante os R$ 315 do período anterior
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 320, aumento de 1,59% frente ao fechamento de 10 de janeiro, de R$ 315
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 330, aumento de 3,13% frente aos R$ 320 da última semana
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320 a arroba, 1,59% acima dos R$ 315,00 registrados no encerramento da semana anterior
- Rondônia (Vilhena): R$ 295, avanço de 1,72% em relação aos R$ 290 praticados no último período
Exportações em crescimento
Os embarques de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil registraram um desempenho positivo em janeiro. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações renderam US$ 335,83 milhões nos primeiros sete dias úteis do mês, com uma média diária de US$ 47,975 milhões. A quantidade exportada foi de 66,397 mil toneladas, com um preço médio por tonelada de US$ 5.057,90.
Na comparação com janeiro de 2024, houve uma alta de 28,5% no valor médio diário, um aumento de 14,9% na quantidade exportada e um avanço de 11,8% nos preços médios.
Tendências e perspectivas
De acordo com Felipe Fabbri, zootecnista da Scot Consultoria, o mercado paulista segue em alta. Em 17 de janeiro, a arroba do boi comum atingiu R$ 327/@, enquanto o “boi-China” foi cotado em R$ 332/@, mantendo um ágio de R$ 5/@ sobre o boi comum.
A vaca gorda e a novilha gorda foram negociadas por R$ 300/@ e R$ 317/@, respectivamente. Destaque para Belo Horizonte, que teve uma valorização de 8,4% no preço do boi gordo na última semana.

Fabbri aponta que os principais fatores que sustentam essa alta incluem:
- Menor oferta de animais prontos para abate, devido às boas condições das pastagens.
- Estímulo ao mercado de reposição, favorecendo a retenção de fêmeas.
- Dólar valorizado, superando R$ 6, favorecendo as exportações.
Escalas de abate: cenários regionais
Segundo a consultoria Agrifatto, a média brasileira das programações de abate encerrou a semana em 6,93 dias úteis, com algumas regiões registrando avanços e outras, recuos:
- Tocantins: avanço de 2 dias, atingindo 8 dias úteis.
- Mato Grosso, Pará e Rondônia: acréscimo de 1 dia, com programações de 7, 10 e 10 dias úteis, respectivamente.
- Paraná: recuo de 3 dias, com escalas reduzidas para 6 dias úteis.
- Mato Grosso do Sul e Minas Gerais: queda de 2 e 1 dia, respectivamente.
Apesar da alta, a consultoria alerta para uma movimentação lenta nas escalas, sem mudanças bruscas nas programações frigoríficas, dada a dificuldade de consumo no mercado interno.
Mercado atacadista aquecido
No segmento atacadista, os preços da carne bovina também registraram alta. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 18,50 o quilo, uma valorização de 8,82% em relação à semana anterior, quando era vendido a R$ 17. Por outro lado, o quarto traseiro teve uma leve queda de 1,12%, passando de R$ 26,80 para R$ 26,50 o quilo.
Segundo Iglesias, o ambiente de negócios sugere novos reajustes no curto prazo, com as exportações em alta enxugando a oferta no mercado interno.
O boi gordo vai continuar subindo?
Os analistas indicam que a tendência para os próximos meses é de continuidade na firmeza dos preços, com as exportações sustentando os valores. No entanto, a capacidade de consumo do mercado interno será um fator limitante para novas altas expressivas.
O mercado segue atento à volatilidade cambial, às condições climáticas que podem impactar a oferta e ao comportamento das exportações, que continuam sendo o principal motor para o mercado pecuário brasileiro.
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