Do mito africano às mutações modernas: conheça a origem, as variedades e as características que tornam a galinha da angola uma das aves mais fascinantes da criação brasileira.
A galinha da angola, popular nas zonas rurais de todo o país, é uma ave que carrega história, cultura e uma surpreendente diversidade genética. Embora a variedade cinza-pérola, com plumagem acinzentada e pintinhas brancas, seja a mais reconhecida pelos brasileiros, existem muitas outras cores e mutações que encantam criadores, especialistas e colecionadores de aves ornamentais. Hoje, mais de cinco variedades distintas já são identificadas no Brasil, algumas extremamente raras.
Além de sua relevância na criação doméstica, a espécie guarda uma origem marcada por tradições africanas, mitos e curiosidades que ajudam a explicar características físicas e até o famoso canto “Tô fraco!”, conhecido em todo o interior.
A seguir, o Compre Rural detalha a história, o comportamento, a origem genética e todas as principais cores da galinha da angola, incluindo variedades raras como pinto, chocolate, buff, lavanda e roxa real.
A galinha da angola tem origem africana e chegou ao Brasil trazida pelos colonizadores. Antes de ser domesticada, era uma ave de caça barulhenta, com forte instinto selvagem, algo que ainda mantém até hoje.
Mas sua história também é contada através de uma lenda africana:
Segundo o mito, todas as aves invejavam a beleza do melro. O pássaro prometeu conceder sua beleza a quem obedecesse suas ordens. A galinha da angola, porém, desrespeitou o combinado, e o melro lançou sobre ela uma praga: seria magra, fraca e coberta de pintas, semelhantes às de um leopardo, tornando-se presa fácil do felino.
Daí surgiria o canto que parece repetir “Tô fraco! Tô fraco!”, e também suas pintinhas brancas marcantes.
Características gerais da espécie
Mesmo domesticada, a galinha da angola conserva traços selvagens:
- Cabeça pequena e branca, com aspecto de tinta de palhaço
- Capacete ósseo característico
- Barbelas vermelhas e olhos escuros
- Corpo arredondado, lembrando uma “melancia”
- Grito estridente e comportamento de alerta
- Excelente para controle de pragas, como insetos, escorpiões e até pequenas serpentes
- Age como “cão de guarda” do galinheiro
Tamanho e produção
- Altura: 45 cm (galo) e 40 cm (galinhas)
- Peso: 1,5 kg a 2 kg (angola comum) — a francesa pode chegar a 4 kg
- Vida útil: 6 a 10 anos
- Postura anual: 100 a 150 ovos, casca marrom
- Início da postura: a partir de 12 meses
- Abate: a partir do 4º mês
A carne é frequentemente comparada à do faisão, e seus ovos são conhecidos pelo sabor suave.
A coloração é o que mais diferencia as variedades de galinha da angola. A seguir, listamos as mais conhecidas, e detalhamos as mutações raras que despertam interesse entre criadores.
Galinha da angola Pampa
Caracteriza-se por manchas irregulares espalhadas pelo corpo, sem o padrão claro e definido da “pinto”.
- Resulta do cruzamento da variedade pedrez com a branca
- Usada para carne, ovos e como ave ornamental
- Padrão variável: manchas no peito, dorso ou asas
- Instinto selvagem acentuado
- Não é boa mãe: ovos costumam ser incubados por galinhas comuns ou incubadora

Galinha da angola Pinto — uma das mais raras do Brasil
Altamente desejada por criadores, mas difícil de encontrar.
Características principais
- Asas e peito totalmente brancos, sua marca registrada
- O resto do corpo pode ser cinza ou marrom
- Não deve ser confundida com a pampa — que é apenas manchada
- Valor ornamental alto
- Genética rara e de difícil fixação
Por que é tão valorizada?
A mutação “pinto” gera contraste forte e definido, algo incomum na espécie.

Galinha da angola Chocolate — a mais exótica entre as raras
Uma das cores mais comentadas entre criadores de aves ornamentais.
Características
- Plumagem marrom-escura uniforme, semelhante a chocolate meio amargo
- Brilho arroxeado ou violeta, dependendo da luz
- Mutação mais escura que a variedade “blonde”
- Extremamente rara no Brasil
Assim como a variedade comum, mantém comportamento ativo e postura anual aproximada de 100 a 150 ovos.

Galinha da angola Buff — mutação sexo-ligada e muito rara
Extremamente valorizada por criadores de aves ornamentais.
Características
- Plumagem bege ou amarelada, “café com leite”
- Pode ter variações:
- Buff Dot (perolada)
- Buff Classic (semiperolada)
- Mutação sexo-ligada permite identificar machos e fêmeas ao nascer
- Criada pela estética e pela raridade

Galinha da Angola Roxa Real (Royal Purple):
A Galinha da Angola Roxa Real (Royal Purple) é uma variedade rara de galinha-d’angola, diferenciada pela sua plumagem preta/roxa escura, em contraste com o padrão cinza pintado mais comum.
- Mutação Genética: É o resultado de uma mutação genética rara da espécie original.
- Cor: O termo “Royal Purple” refere-se à linhagem de plumagem escura.
- Criação: Difundida por criadores no Brasil.
- Produção: Mantém as características e a produção de ovos semelhantes às outras variedades.

Criadores especializados destacam que preservar variedades como pinto, chocolate, buff e roxa real é fundamental para:
- Evitar perda genética
- Ampliar o banco de características ornamentais
- Facilitar estudos sobre mutações em aves
- Promover o desenvolvimento de criatórios especializados no Brasil
A galinha da angola é, hoje, um dos animais mais procurados em criações ornamentais, tanto pela beleza quanto pela rusticidade.
Da lenda africana aos sistemas de criação modernos, a galinha da angola é uma ave que combina cultura, rusticidade e uma impressionante riqueza genética. Suas cores raras, como chocolate, pinto, buff, lavanda e roxa real, tornaram-se objeto de desejo em criatórios ornamentais, enquanto a variedade cinza-pérola continua dominando quintais e propriedades rurais de todo o país.
Com sua capacidade de controlar pragas, seu comportamento vigilante e sua carne valorizada, a espécie reforça seu papel como uma das aves mais importantes e versáteis do cenário rural brasileiro.
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