ABCZ vai à Justiça por ‘carne de zebu’ em rótulos de embalagens

Segundo os diretores da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu hoje é um dia histórico para a valorização da carne zebu do Brasil

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) representa no Ministério Público Federal a Associação de Criadores de Angus por omissão da genética Zebu na rotulagem dos produtos certificados pela entidade. A rotulagem de cortes nobres de carne bovina está na mira dos criadores de gado zebuíno há um bom tempo. A ação judicial para reivindica a inclusão das raças de gado – como o Nelore, que compõe a maior parte do rebanho de corte brasileiro – nas embalagens, junto com o gado de origem taurina, como as raças Angus, Hereford e Simental.

“Essas grifes só levam o nome das raças de taurinos e estamos reivindicando que isso acabe porque, na verdade, o mercado que está aí, o que se oferece são cruzamentos de taurino com zebu, o que dá um meio sangue. E esse meio sangue não é visto na embalagem, só é visto um animal”, destaca o presidente da ABCZ.

As raças europeias puro sangue são mais comuns no sul do país. Nas demais regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste, esses animais são, geralmente, submetidos ao cruzamento com vacas zebuínas, majoritariamente Nelore, resultando em bezerros meio sangue que aliam as características do gado europeu com a rusticidade do zebuíno, mais adaptado ao clima quente.

NOTA OFICIAL DA ABCZ

Com a transparência marcante da diretoria 2020-2022, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) vem a público informar que nesta sexta-feira (10/06) representou junto ao Ministério Público Federal a Associação de Criadores de Angus por omissão na rotulagem dos produtos certificados pela entidade.

Desde o início da atual gestão, como meta clara estabelecida, a ABCZ tem tentado de forma consensual, junto às instituições competentes, garantir o reconhecimento da presença da genética zebuína na carne certificada comercializada no país. Sem sucesso nas tratativas, nos vimos obrigados a buscar a via judicial para validar o trabalho e a dedicação do criador de carne de Zebu.

Assim, portanto, com apoio integral das Associações Promocionais, a representação foi entregue hoje em mãos ao procurador do Ministério Público Federal, em Uberaba/MG, Thales Messias Pires Cardoso, a quem confiamos que seja reconhecido mais do que o empenho incansável e histórico dos zebuzeiros, mas também garantido à população o direito básico de conhecer a origem do produto que consome.

No documento entregue, estão provas científicas, como um estudo da renomada Universidade Federal de Viçosa (UFV), que comprova que cerca de 50% da genética por traz dos produtos marketiados com outros nomes – é de Zebu, ou seja, são frutos de cruzamentos. Devendo assim, obrigatoriamente, ser constado o Zebu como componente real desta carne certificada e vendida apenas com o rótulo de taurinos.

Com mais essa ação, reforçamos nosso empenho e dedicação na defesa dos nossos mais de 24 mil associados e reafirmamos nosso compromisso de continuar lutando pela pecuária zebuína brasileira com Força Total e muita transparência e responsabilidade acima de tudo.

NOTA OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO ANGUS

A Associação Brasileira de Angus informa que, até esta data, não foi notificada oficialmente sobre representação supostamente apresentada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) ao Ministério Público e divulgada pela entidade em nota nesta sexta-feira (10/06). Sobre o assunto em questão, a Angus vem esclarecer:

  • O Programa Carne Angus Certificada obedece integralmente a legislação brasileira, estando respaldado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que são os órgãos habilitados para regrar e autorizar o uso de denominações de raça na rotulagem de produtos cárneos por meio da Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA);
  • O Programa Carne Angus Certificada possui um protocolo claro, transparente, de conhecimento público e rotineiramente publicizado. Além das exigências técnicas de acabamento e idade, todos os animais a serem abatidos precisam ter, no mínimo, 50% de genética Angus, admitindo-se, desta forma, presença de composição sanguínea de diversas outras raças, com exceção das leiteiras.
  • As carcaças que levam o selo do Programa Carne Angus Certificada são chanceladas uma a uma por um time de mais de 50 profissionais presentes dentro das indústrias, em processo auditado pela certificadora internacional TÜV Rheinland.
  • Atuando desde 2003, o Programa Carne Angus Certificada tornou-se referência em qualidade e padrão no mercado brasileiro. Isso se deve a um trabalho sério construído por meio de uma parceria entre produtores e indústrias e lastreado nas características de qualidade de carne (sabor, suculência, marmoreio) inerentes à raça Angus e que se manifestam tanto em animais puros quanto nos cruzados.
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