Apesar da expansão da área cultivada impulsionar a safra, secas no Centro-Sul reduziram o rendimento por hectare. A análise bromatológica mostra a competitividade do grão como alternativa ao milho.
A produção de 2025/2026 está projetada em 6,6 milhões de toneladas (CONAB), um aumento de 8,4% frente a 2024/2025. Esse crescimento pode ser explicado pela expansão de 10,0% na área cultivada, porém com uma redução de 1,5% em produtividade.
A queda no rendimento por hectare (a produtividade está estimada em estimado em 61,4 sacas), deve-se a secas no início do ciclo, especialmente na região Centro-Sul.
A produção concentra-se na região Centro-Oeste, cuja estimativa é de 2,8 milhões de toneladas para safra 2025/2026, seguida pelo Sudeste com 2,1 milhões de toneladas e Nordeste com 1,3 milhão de toneladas.
É destinado principalmente à produção animal. Sua utilização é estratégica devido à versatilidade, adaptação à seca e menor custo de produção. O grão compete com o milho em quantidade de proteína e energia bruta.
O sorgo é alternativa em cenários de risco climático e em janelas estreitas para semeadura, sendo o principal concorrente do milho em área na segunda safra.
Tabela 1.
Composição química, e valores energéticos dos alimentos (na matéria natural).
| SORGO ALTO TANINO | SORGO BAIXO TANINO | MILHO (7%) | MILHO (8%) | MILHO (9%) | |
|---|---|---|---|---|---|
| MS (%) | 85,9 | 87,1 | 87,0 | 88,9 | 92,6 |
| PB (%) | 9,0 | 8,7 | 6,9 | 7,9 | 8,8 |
| EB (kcal) | 3860 | 3988 | 3865 | 3901 | 3936 |
Com base na composição bromatológica, exposta na tabela 1, estabelecem-se parâmetros de atratividade de preço em relação ao milho. Sob a perspectiva proteica, o sorgo de alto tanino mantém atratividade com preço até 30,4% maior que o do milho com 7,0% de proteína, 13,9% maior que o do milho com 8,0% de proteína e 2,3% maior que o do milho com 9% de proteína. Para o sorgo baixo tanino, as margens são de 26,1%, 10,1% e -1,1%, respectivamente.
No que se refere ao critério energético, a relação se inverte. O sorgo de alto tanino só é atrativo quando seu preço está -0,1%, -1,1% e -1,9% abaixo da cotação do milho (para os mesmos níveis de proteína de referência). Para o sorgo baixo tanino, os descontos necessários são de 3,2%, 2,2% e 1,3%.
Esta dinâmica de preço por unidade nutricional, associada ao perfil equivalente ao do milho, consolida a posição estratégica do sorgo na cadeia produtiva. Portanto, a escolha entre sorgo e milho deve priorizar a relação custo-benefício por nutriente (proteína e energia), a resiliência climática nas janelas de semeadura e as especificidades da cadeia produtiva demandante.
Segundo a pesquisa realizada pela expedição Confina Brasil (2025), organizada pela Scot Consultoria entre os confinamentos com produção agrícola, a principal cultura foi o milho, presente em 81,3% das propriedades, seguida pela soja (73,2%) e pelo sorgo (27,6%). O sorgo foi identificado em 10 unidades federativas, com maior concentração em Mato Grosso do Sul (26,5%), Goiás (17,6%) e Minas Gerais (11,8%).
Fonte: ScotConsultoria
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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