Avanço na pecuária: Equipamento mede maciez da carne em segundos e evita perdas

Em parceria com a Embrapa, nova tecnologia de ressonância magnética garante a maciez da carne sem danificar o produto, reduzindo custos de maturação e elevando a transparência para o consumidor final

O setor produtivo de proteína animal está prestes a vivenciar uma transformação tecnológica que alia precisão laboratorial à agilidade industrial. Em uma iniciativa conjunta entre a startup Fine Instrument Technology (FIT) e a Embrapa Instrumentação, será apresentado durante a feira Anuga Brazil, em São Paulo, o SpecFIT-Meat. O dispositivo utiliza a Ressonância Magnética Nuclear para atestar a maciez da carne em apenas 12 segundos, sem a necessidade de violar as embalagens ou destruir amostras.

De acordo com a pesquisadora da FIT, Fabiane Costa, a inovação rompe com os métodos convencionais de análise de qualidade. Enquanto os testes tradicionais exigem o cozimento e a consequente perda da peça analisada, o novo equipamento realiza a leitura em cortes inteiros. O processo é realizado de forma não invasiva, permitindo que a maciez da carne seja verificada inclusive em produtos já embalados a vácuo e prontos para a gôndola.

Sustentabilidade e valor agregado no varejo premium

A eliminação do desperdício de matéria-prima é um dos pilares de sustentabilidade da nova tecnologia. Ao analisar a peça sem causar danos físicos, o frigorífico anula riscos de contaminação e a geração de resíduos poluentes. Esse cenário é particularmente estratégico para o mercado de carnes premium, como boutiques especializadas e restaurantes de alta gastronomia, onde a garantia da maciez da carne funciona como um selo de confiança e diferencial competitivo imediato.

Eficiência industrial e otimização da maturação

Para a indústria de processamento, o ganho de eficiência é expressivo. O SpecFIT-Meat permite o monitoramento em tempo real das reações enzimáticas responsáveis pela quebra de proteínas. Atualmente, o processo de maturação em câmaras frias pode se estender por até 28 dias para que se atinja o padrão desejado. Com a tecnologia, é possível ajustar esse tempo de acordo com a raça e a idade do animal, reduzindo drasticamente os custos operacionais e o tempo de estocagem.

A tecnologia também deve beneficiar diretamente a pecuária zebuína. Segundo Costa, a ferramenta será fundamental para certificar e desmistificar a qualidade desses animais no mercado nacional. “Será possível identificar e garantir as carnes zebuínas que já possuem maciez superior, combatendo o preconceito de que esses cortes seriam necessariamente rígidos”, afirma a especialista.

Transparência total ao consumidor final

O horizonte para o varejo é de clareza absoluta. Para o CEO da startup, Daniel Consalter, a indústria caminha para uma nova geração de transparência. A expectativa é que, em breve, o consumidor encontre etiquetas nos supermercados indicando o nível exato de maciez da carne daquela unidade específica.

A FIT já possui histórico de sucesso em parcerias com a Embrapa; em 2022, lançaram uma solução similar para medir proteína e óleo na soja. Agora, com foco na pecuária, a tecnologia brasileira reafirma sua posição de vanguarda no agronegócio global.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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