Neste período atual, podendo ser caracterizado pelo quarto momento de pico e vale (este ressalta-se, ainda não definido), o bezerro apresenta expressiva desvalorização, de quase 28%, atingindo o menor preço dos últimos anos.
Os preços do bezerro estão em movimento de queda desde meados de 2021. A pressão sobre os valores vem sobretudo da maior oferta, resultado de avanços no uso de tecnologias para produção e, consequente, do aumento da produtividade das fazendas de cria no país. Dado que foi comprovado recentemente pelo aumento de 4,3% em 2022 do rebanho bovino que, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE, cresceu pelo quarto ano consecutivo e alcançou novo recorde da série histórica, ou seja, o número de cabeças de 234,4 milhões.
Neste caso, produtores, estimulados pelos elevados patamares de negociação da arroba bovina e preços do bezerro, além da maior demanda internacional pela carne brasileira, elevaram os investimentos no setor. Além disso, foi verificada uma maior retenção de matrizes entre 2020 e 2021 (vacas adultas e novilhas), justamente no intuito de se recuperar a produção.
“A produção de bovinos vem aumentando, desde 2019, devido aos bons preços da arroba e do bezerro vivo. Houve um processo de retenção de fêmeas para reprodução, devido aos preços mais atrativos. Ainda temos em 2022, uma consequência desse comportamento iniciado no final de 2019. Mas a expectativa é de que a alta dos preços tenha se encerrado em 2022, quando observamos, também, aumento no abate de fêmeas”, aponta Mariana Oliveira, analista da PPM.
Tomando-se como base a série histórica deflacionada do Indicador do bezerro ESALQ/BM&FBovespa (animal nelore, de 8 a 12 meses, Mato Grosso do Sul), iniciada em 2001, observam-se quatro grandes períodos de pico e de vale dos preços dos animais de reposição. E o momento atual é o que vem
apresentando a queda mais intensa no preço em um menor período de tempo.
O primeiro período de pico no preço do bezerro foi registrado em março de 2002, quando o Indicador atingiu R$ 1.812,40/cabeça. Posteriormente, houve uma forte queda no valor de negociação do animal, que chegou a 38,1% até o mês de janeiro de 2006, quando foi registrada a menor média real de preço
do animal, considerando-se toda a série histórica do Cepea. Esse primeiro período de pico e vale teve, portanto, três anos e 10 meses.
O segundo período foi observado entre julho de 2008 e agosto de 2012 – quatro anos e um mês –, quando o Indicador do bezerro atingiu R$ 2.090,8/cabeça e caiu para R$ 1.551,28, respectivamente, ou seja, baixa de 25,8%. Já de maio de 2015 a setembro de 2018, a série de dados do Cepea mostra retração de 34,9% no preço do bezerro – em um período de três anos e quatro meses, com o animal jovem saindo de R$ 2.785,69 e caindo para R$ 1.814,86.

Neste período atual, podendo ser caracterizado pelo quarto momento de pico e vale (este ressalta-se, ainda não definido), o bezerro apresenta expressiva desvalorização, de quase 38%, que vai de abril/21, quando, inclusive, o Cepea registrou o maior preço da série histórica – de R$ 3.330,03 –, ao atual R$
2.070,35, que é a média de agosto.
Se formos incluir a média parcial de setembro de 2023 neste contexto, a queda dos preços é ainda maior. Considerando por tanto os últimos dois anos, os valores passaram de R$ 2.769,19/cab em outubro de 2021 para o valor de R$ 1.996,32/cab na parcial mensal deste mês. Sendo assim, o recuo no período representa 28% ou cerca de R$ 773,00/cab, sendo este o menor preço dos últimos dois anos para a categoria.

Nesse cenário, colaboradores do Cepea relataram em determinadas regiões do País a dificuldade de se repassar lotes completos de bezerros a preços maiores, seja em leilões, seja em vendas diretas entre pecuaristas.
Baixa liquidez no mercado de reposição é confirmada
O ritmo de negociação envolvendo o boi magro está especialmente lento nas últimas semanas em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Muitos agentes consultados, inclusive, indicam não ter nem mesmo valor de referência para essa categoria de animal.
Segundo pesquisadores do Cepea, ainda que as exportações venham demandado um volume significativo de animais para engorda, parte dos frigoríficos e de confinadores aposta na parceria com produtores, buscando adquirir animais ainda quando bezerros, o que acaba reduzindo a demanda por bois próximos da terminação.
Em certos casos, a demanda externa por animais mais jovens e a diminuição do tempo para terminação (obtido com uso de tecnologias) fazem com que o período de terminação seja mais precoce, contexto que também explica a menor liquidez envolvendo animais por volta de 24 meses. Outro fator, ainda, é a desvalorização acentuada do boi gordo, que desestimula a reposição, sobretudo em casos em que a terminação ocorre no pasto.
Segundo o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, diz em seu texto que é preciso estar no sentido oposto do movimento coletivo. “Fazer investimentos estratégicos, qualificar os processos produtivos, aumentar a eficiência no uso dos recursos e investir em genética superior”, é o conselho do especialista.
Eduardo Madruga, gerente técnico da DSM Tortuga para pecuária de corte, além de pontuar a oportunidade vivida pelo pecuarista nos dias atuais, em seu artigo explica também questões técnicas importantes. Segundo ele, investimentos nos insumos certos levam a uma maior produção de pasto, taxa de lotação de gado e maior produção de carne por hectare. “a um menor custo, bem menor quando comparado a 2022.
E você pecuarista, qual a sua estratégia para o momento?
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