Com 20 milhões de fêmeas abatidas em 2025, Brasil reduz base de matrizes e impulsiona valorização da reposição; Bezerro dispara e atinge maior nível desde 2021 e preços caminham para novos recordes em 2026
O mercado pecuário brasileiro vive um momento decisivo, em que os efeitos do ciclo ganham forma clara nos preços. A forte valorização do bezerro em 2026 não é um movimento isolado — ela reflete uma mudança estrutural no rebanho nacional, provocada pelo aumento expressivo no abate de fêmeas nos últimos anos.
Dados recentes do IBGE e análises do Cepea mostram que o Brasil entrou em uma fase de redução da base produtiva, o que já começa a impactar diretamente a oferta de animais de reposição. O resultado é um mercado firme, com preços em alta e expectativa de continuidade desse movimento ao longo do ano.
Preço do bezerro atinge maior patamar em quase 4 anos
Levantamento do Cepea aponta que, em Mato Grosso do Sul — principal referência do Indicador CEPEA/ESALQ — o bezerro nelore de 8 a 12 meses registra:
- R$ 3.254,37 de média em março/2026 (até dia 17)
- Alta de 3% em relação a fevereiro/2026
- Valorização de 24,3% frente a março/2025 (valores reais)
- Maior média mensal desde junho de 2021
Nos dados mais recentes do indicador, o valor já se aproxima de R$ 3.264 por cabeça, reforçando a continuidade da tendência de alta.
Esse avanço consolida o bezerro como uma das categorias mais valorizadas da pecuária no atual ciclo.
Abate recorde de fêmeas explica a virada do mercado
Por trás dessa valorização está um movimento estrutural relevante: o descarte massivo de fêmeas no Brasil.
Segundo o IBGE, em 2025 foram abatidas:
- 13,5 milhões de vacas adultas
- 6,5 milhões de novilhas
- Total: 20 milhões de fêmeas abatidas (recorde histórico)
Na comparação com 2024:
- +15,8% no abate de vacas
- +23,5% no abate de novilhas
- +3 milhões de cabeças no total, sendo:
- 1,8 milhão de vacas
- 1,2 milhão de novilhas
Esse movimento marca uma virada importante no ciclo pecuário. Ao aumentar o abate de fêmeas, o sistema reduz o número de matrizes disponíveis para reprodução, comprometendo a produção de bezerros nos próximos anos.
Menor oferta já impacta a reposição
Pesquisadores do Cepea apontam que a atual valorização do bezerro tem origem direta na redução da base produtiva do rebanho nacional. O aumento no descarte de fêmeas diminui o número de matrizes disponíveis, o que compromete a capacidade de produção nos ciclos seguintes e altera o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado pecuário.
Na prática, esse movimento gera impactos imediatos: menos bezerros disponíveis nos próximos ciclos, maior competição entre recriadores e confinadores e pressão altista sobre os preços da reposição. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o mercado segue firme, mesmo em períodos tradicionalmente marcados por maior oferta, reforçando a força estrutural do atual ciclo de alta.
Arroba do bezerro confirma tendência de alta
A valorização também é evidente quando analisada por arroba — indicador que revela a intensidade real do movimento.
Segundo o Farmnews:
- R$ 480,1/@ na parcial de março (até dia 18)
- Acima do recorde anterior de fevereiro (R$ 464,3/@)
- Possibilidade de novo recorde nominal histórico em março
Outro ponto importante é que a alta por arroba supera a valorização por cabeça, indicando que o mercado também está negociando animais mais leves. Isso exige atenção do pecuarista, pois pode impactar diretamente o custo real da reposição.
Com a valorização do bezerro superando a do boi gordo, a relação de troca volta a se deteriorar e acende um sinal de alerta no campo. Segundo análises recentes do mercado, o ágio da reposição voltou a subir ao longo de março, refletindo um descompasso entre as categorias. No mesmo período, o bezerro acumulou uma alta mais intensa do que o animal pronto para o abate, ampliando a pressão sobre os sistemas produtivos que dependem da compra de reposição.
Na prática, esse movimento impacta diretamente a rentabilidade da atividade. O pecuarista passa a precisar de um maior número de arrobas de boi gordo para adquirir o mesmo bezerro, o que reduz margens e exige decisões mais estratégicas. Diante desse cenário, planejamento, gestão de custos e timing de compra ganham ainda mais importância para manter a viabilidade econômica da operação.
O que esperar daqui para frente?
O cenário indica continuidade da firmeza, mas com possíveis ajustes ao longo do ano:
- Curto prazo: possível estabilidade entre abril e setembro (efeito safra e pastagens)
- Médio prazo: preços sustentados pela menor oferta estrutural
- Longo prazo: manutenção do ciclo de alta, caso o abate de fêmeas siga elevado
Um novo ciclo está em curso
Mais do que uma alta pontual, o que se observa é uma mudança profunda na pecuária brasileira. O abate recorde de fêmeas em 2025 reduz a capacidade de produção futura e reposiciona o mercado, criando um ambiente de escassez relativa de bezerros.
👉 O resultado já está nas telas: preços em alta, reposição valorizada e um novo ciclo pecuário se consolidando no Brasil.
👉 Para o produtor, o recado é claro: quem antecipar movimentos e ajustar sua estratégia de reposição terá vantagem em um mercado cada vez mais competitivo.
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