Negócio envolve uma das maiores fazendas do país – fazenda quatro vezes maior que a cidade de São Paulo – no Wyoming, a Pathfinder Ranches com quase 1 milhão de acres, e reforça a tendência global de grandes investidores apostando em terra, água e produção agropecuária como ativos estratégicos de longo prazo
A compra de uma das maiores propriedades rurais dos Estados Unidos virou assunto no mercado de terras e chamou atenção pelo tamanho monumental do negócio: bilionário compra fazenda com área superior à da cidade de São Paulo foi adquirida por cerca de R$ 440 milhões, em uma transação que movimentou o setor de grandes ativos rurais e reacendeu discussões sobre conservação, pecuária e investimentos em “terra e água” como patrimônio de longo prazo.
O imóvel em questão é o Pathfinder Ranches, localizado no estado do Wyoming, no Oeste americano — região símbolo do “Velho Oeste”, marcada por planícies abertas, montanhas e grandes áreas de pastagens naturais. A fazenda tem aproximadamente 916 mil acres (quase 1 milhão de acres) e se espalha por quatro condados, sendo citada como maior do que o estado de Rhode Island, nos EUA.
Um negócio bilionário com dono discreto — e operação confirmada em janeiro
Após meses de rumores e especulações nas redes sociais sobre quem seria o comprador — incluindo até boatos envolvendo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky —, o mistério foi encerrado com a confirmação do verdadeiro proprietário.
O novo dono é o empresário americano Chris (Christopher) Robinson, ligado ao Ensign Group L.C., companhia da família que atua com grandes propriedades rurais e pecuária na região. O fechamento oficial ocorreu em 14 de janeiro, consolidando a aquisição de um dos ativos mais cobiçados do mercado de terras de luxo e produção rural nos EUA.
O valor divulgado inicialmente para o negócio foi de US$ 79,5 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 440 milhões, considerando a conversão apresentada em reportagens internacionais e brasileiras.
Apesar disso, fontes ligadas à negociação destacam que o preço final da venda não foi oficialmente revelado após o fechamento, o que é comum nesse tipo de transação envolvendo propriedades gigantescas e cláusulas de confidencialidade.
Quatro vezes São Paulo: o tamanho por trás da manchete
A comparação com São Paulo não é exagero: a área total do Pathfinder Ranches é tão grande que chega a ser descrita como quatro vezes maior que a capital paulista.

Além da dimensão territorial, o que chama atenção é que se trata de uma propriedade com características que vão muito além do “campo aberto”:
- reservatório próprio (Reservatório Pathfinder)
- 32 km de margens do Rio Sweetwater
- áreas de vales fluviais, planaltos e sopés de montanhas
- proximidade com regiões históricas e rotas tradicionais do Oeste
Esses elementos transformam o local em um ativo rural de produção e, ao mesmo tempo, em um patrimônio natural valioso.
De “fazenda” a império rural: o que existe dentro do Pathfinder Ranches
O Pathfinder Ranches não é apenas grande — ele é complexo, com operação típica de fazendas americanas de escala industrial.
Uma parte importante do debate em torno dessa compra envolve o próprio formato do imóvel: embora o total divulgado seja de 916 mil acres, nem toda essa área é terra particular “escriturada”.
Segundo reportagens do setor, o rancho teria 99.188 acres de área própria e o restante dependeria de contratos de arrendamento e permissões, especialmente para uso como pastagem.
Mesmo assim, a capacidade de suporte animal impressiona: a fazenda é descrita com potencial de 90.444 AUM (Animal Unit Months) — uma métrica usada nos EUA para estimar quanto uma área pode sustentar de rebanho em regime de pastagem.
Na prática, é um território que funciona como um verdadeiro “sistema” de pecuária extensiva, com infraestrutura, logística e planejamento de grande escala.
A estratégia por trás da compra: pecuária, conservação e “terra + água” como investimento
O comprador não esconde que a fazenda representa um movimento de expansão de longo prazo. Robinson afirmou que a aquisição significa a maior expansão individual do grupo e uma ampliação relevante da capacidade de pastejo e operação pecuária da empresa.


Além disso, ele descreveu a compra como uma junção de duas frentes:
- crescimento de negócio
- responsabilidade de conservação e manejo
Uma frase dele resumiu bem a filosofia por trás desse tipo de investimento:
“Nós amamos a terra e a água. Acreditamos que é um bom investimento de longo prazo.”
Esse ponto é crucial: nos Estados Unidos, grandes áreas rurais não são valorizadas apenas pela produção agropecuária, mas também por atributos estratégicos como:
- direitos de água
- reservatórios e rios
- biodiversidade e conservação
- turismo e caça legal
- potencial de energia (incluindo eólica, em algumas regiões)
O rancho também abriga um “banco de conservação” raro nos EUA
Outro detalhe que aumenta a importância ambiental do Pathfinder Ranches é o fato de ele ser descrito como lar do primeiro “sage-grouse conservation bank” (um banco de conservação voltado à preservação do tetraz-sábio, ave típica do Oeste americano).
Nesse sistema, o rancho pode gerar créditos de compensação ambiental que podem ser comprados por empresas ou projetos que impactem áreas sensíveis da espécie, funcionando como um mecanismo oficial de mitigação.
O próprio Robinson afirmou que pretende manter esse banco operacional e destacou que o local é rico em vida selvagem, com presença de antílopes (pronghorn), cervos, alces e outras espécies.

Por que essa compra virou manchete mundial?
O tamanho e o valor já seriam suficientes para repercutir. Mas há fatores adicionais que explicam por que o caso viralizou:
1) Mistério sobre o comprador
A ausência de confirmação pública abriu espaço para especulações e teorias nas redes sociais, levando inclusive a desmentidos oficiais.
2) “Terra como reserva de segurança”
Esse tipo de compra reforça uma tendência global: grandes investidores migrando parte do patrimônio para ativos físicos, sobretudo aqueles ligados a terra, água e produção de alimentos.
3) Momento do mercado pecuário norte-americano
O negócio acontece em um período em que os EUA enfrentam desafios ligados ao rebanho nacional, que chegou a níveis historicamente baixos após anos de pressão climática e custos elevados.
E o que o novo dono pretende fazer com a fazenda?
O comprador deixou claro que não se trata de uma aquisição “turística” ou apenas para lazer. Ele afirmou que quer operar a propriedade e criticou modelos em que fazendas gigantes ficam sob gestão temporária, sem visão de longo prazo, o que prejudicaria manutenção de cercas, nascentes e infraestrutura.
Um ponto interessante é a estratégia de crescimento do rebanho: com os preços elevados, a fazenda não pretende “encher” o rancho comprando grandes lotes de vacas no curto prazo. A ideia seria expandir de forma gradual, retendo fêmeas jovens do próprio sistema.
Além da pecuária, as estruturas do rancho — como alojamentos e prédios internos — podem ganhar novos usos, incluindo atividades de outfitting (estrutura de apoio para caça legal e turismo rural, muito comum no Oeste dos EUA).
O impacto no ranking dos maiores donos de terra dos EUA

O Ensign Group já aparecia entre os grandes donos de terras nos Estados Unidos e, com a aquisição do Pathfinder Ranches, a empresa pode avançar posições nesse ranking, ampliando fortemente sua presença territorial.
A reportagem também descreve que, além das terras próprias, o grupo administra uma área ainda maior por meio de arrendamentos e permissões, o que mostra o tamanho da engrenagem por trás desse “império rural”.
O que esse caso ensina para quem acompanha o agro no Brasil?
Embora seja uma história americana, o impacto desse tipo de notícia conversa diretamente com tendências globais que o produtor e o investidor rural brasileiro já reconhecem:
• Terra volta a ser um ativo estratégico
Mesmo em um mundo digital, a base da economia real continua sendo alimento, água e energia.
• Água é patrimônio
Em muitas regiões, o valor do imóvel rural não está só no hectare — mas no acesso hídrico e segurança ambiental.
• Produção e conservação caminham juntas
Propriedades gigantes estão cada vez mais vinculadas a métricas ambientais, bancos de conservação e modelos de compensação.
• Fazendas viram “portfólios”
Grandes grupos e famílias empresariais não compram apenas “uma fazenda”, mas um conjunto de ativos: terra, logística, licenças, biodiversidade e potencial econômico.
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