Bioinsumos avançam como solução estratégica no agro brasileiro, unindo ciência, produtividade e sustentabilidade enquanto aguardam regulamentação decisiva para ganhar escala no país
Por Luciano Vacari* – Os bioinsumos são produtos e processos de origem biológica como microrganismos, macroorganismos, extratos vegetais e biofertilizantes utilizados para nutrir plantas, controlar pragas e doenças e melhorar a qualidade do solo. Eles não são uma simples alternativa, mas o resultado de anos de pesquisa científica, inovação tecnológica e investimentos robustos. O que os torna tão especiais é a combinação rara de eficiência agronômica e excelente custo-benefício, um binômio que sempre foi o Santo Graal para produtores rurais.
Vamos imaginar um campo fértil, vibrante de vida, onde a produção de alimentos acontece em harmonia com a natureza, com custos mais baixos e menos dependência de produtos químicos. Pode parecer um cenário idealista, mas ele está mais próximo da nossa realidade do que nunca, e esse futuro promissor tem um nome, os bioinsumos. Mais do que uma tendência, eles representam uma verdadeira revolução na forma como produzir no campo, e o Brasil está dando passos decisivos para se consolidar como líder global nessa nova fronteira agrícola.
Eles atuam de forma integrada ao ecossistema, os inoculantes bacterianos, por exemplo, fixam nitrogênio do ar diretamente nas raízes das plantas, reduzindo drasticamente a necessidade de fertilizantes nitrogenados sintéticos, cujo custo e volatilidade no mercado são grandes desafios. Fungos e bactérias benéficas atuam como agentes de biocontrole, protegendo as lavouras de pragas e doenças de forma específica, sem os impactos ambientais colaterais e a resistência gerada por alguns defensivos químicos tradicionais.
Além disso, ao promover a saúde do solo e das plantas, os bioinsumos aumentam a resiliência das culturas, podendo elevar a produtividade a longo prazo. É uma mudança de paradigma: de um modelo de correção, que trata problemas, para um modelo de construção, que fortalece a planta e o solo para prevenir desequilíbrios.
Eles simbolizam a maturidade de um setor que busca conciliar produtividade recorde com responsabilidade ambiental e econômica. A lei sancionada e o trabalho em curso para sua regulamentação são os alicerces que permitirão ao Brasil colher os frutos dessa nova era, um campo mais forte, uma produção mais limpa e uma nação na vanguarda da agricultura do século XXI.
E esse reconhecimento do potencial estratégico dos bioinsumos para o agronegócio brasileiro ganhou um marco histórico com a sanção da Lei 15.070/2024, que não apenas valida a importância do setor, mas cria um caminho seguro para seu crescimento ordenado. A lei estabelece definições claras, diretrizes para pesquisa, produção, registro e comercialização, oferecendo a segurança jurídica que empresas e investidores tanto demandavam. Mas para garantir que a lei seja implementada de forma eficaz e prática é preciso a sua regulamentação.
Este é o momento em que a revolução técnica se encontra com a construção política, onde recentemente, mais de 30 entidades representativas do setor, de produtores à indústria, construíram uma proposta justamente para subsidiar a regulamentação do tema, baseados na ciência e no diálogo institucional.
É um movimento silencioso em prol da aprovação de uma regulamentação inteligente e moderna.
É um movimento que envolve desde o pequeno produtor familiar, que busca autonomia e redução de custos, até as grandes corporações do agronegócio, que enxergam a sustentabilidade como vetor de competitividade no mercado internacional, e é claro, sua regulamentação agrada e incomoda muita gente, mas acima de tudo o tema é de interesse do Brasil!
Saem os técnicos, entram os políticos, e que Deus nos ajude.
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria
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