Restrição na oferta de animais terminados, exportações aquecidas e consumo interno firme sustentam valorização da arroba do boi gordo, com expectativa de preços a R$ 350 no curto prazo como referência nacional.
O mercado do boi gordo iniciou a semana com um movimento claro de valorização nas principais praças pecuárias do país, reforçando a percepção de que o ciclo atual segue favorável ao produtor. Negociações acima das referências médias foram registradas em diversas regiões, em um cenário marcado por oferta limitada de animais prontos para abate e demanda consistente tanto no mercado interno quanto no externo.
Analistas apontam que o ambiente climático, com bons índices de chuva no primeiro bimestre, tem contribuído para a recuperação das pastagens. Esse fator permite ao pecuarista reter a boiada por mais tempo, aumentando seu poder de negociação frente à indústria. Ao mesmo tempo, desafios logísticos também entram na equação, reforçando o quadro de sustentação dos preços.
Sob a ótica da demanda, as exportações seguem em patamares elevados — com destaque para embarques destinados à China e aos Estados Unidos — enquanto o mercado doméstico mantém preços firmes da carne, comportamento considerado atípico para o período do ano.
Cotações da arroba do boi gordo por região
Os dados mais recentes mostram avanço nos preços médios em importantes estados produtores:
- São Paulo: R$ 342,33 — ante R$ 339,42 na sexta-feira
- Goiás: R$ 323,39 — ante R$ 322,75
- Minas Gerais: R$ 327,35 — ante R$ 322,35
- Mato Grosso do Sul: R$ 326,02 — ante R$ 322,50
- Mato Grosso: R$ 316,42 — ante R$ 315,14
Além da média estadual, levantamentos indicam que o boi gordo sem padrão-exportação subiu R$ 3/@ em São Paulo, alcançando R$ 335/@, enquanto o chamado “boi-China” avançou R$ 2/@, chegando a R$ 342/@.
Desde meados de janeiro, o mercado físico mantém um movimento consistente de valorização, especialmente na praça paulista, considerada referência nacional para a formação de preços.
Oferta curta sustenta o viés de alta
A principal força por trás da escalada da arroba é a restrição de animais terminados, que tem dificultado o alongamento das escalas de abate para além de cinco dias nas indústrias frigoríficas.
As chuvas recentes também desempenham papel estratégico: com pasto disponível, produtores evitam vendas imediatas, reduzindo a pressão de oferta e fortalecendo a tendência altista.
Do lado da demanda, o cenário permanece robusto. O consumo interno apresenta bom ritmo e as exportações de carne bovina in natura seguem aquecidas, impulsionadas principalmente por compradores asiáticos e norte-americanos. Esse conjunto de fatores tem levado os frigoríficos a conceder reajustes positivos na arroba.
Atacado firme e consumo em foco
No mercado atacadista, os preços também abriram a semana com estabilidade e viés de alta no curtíssimo prazo, movimento associado à entrada dos salários na economia durante a primeira quinzena — período tradicionalmente favorável ao consumo.
O retorno às aulas também tende a estimular a demanda, enquanto proteínas concorrentes seguem pressionadas e ainda sem repasses integrais ao consumidor final.
Entre os cortes bovinos:
- Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
- Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
- Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg
Boi gordo pode se aproximar dos R$ 350/@
Após romper a barreira dos R$ 340/@ recentemente, analistas projetam que tanto o boi comum quanto o boi-China abatidos em São Paulo podem ficar próximos de R$ 350/@ no curto prazo, caso o atual equilíbrio entre oferta enxuta e demanda aquecida se mantenha.
O câmbio também contribui para a competitividade das exportações — o dólar encerrou a sessão com queda de 0,61%, cotado a R$ 5,1871 para venda — fator que segue sendo monitorado pelos agentes do setor.
Leitura de mercado: tendência ainda é positiva
O início da semana reforça um diagnóstico cada vez mais presente entre consultorias e analistas: o mercado do boi gordo vive um momento de sustentação estrutural, apoiado por fundamentos sólidos — clima favorável, retenção de animais, exportações fortes e consumo resiliente.
Se não houver mudanças abruptas nesses vetores, o pecuarista pode continuar encontrando um ambiente de preços remuneradores nas próximas semanas, enquanto a indústria seguirá disputando matéria-prima para manter suas escalas.
Em outras palavras, o mercado entra em um período no qual cada arroba disponível tende a ganhar ainda mais valor — e o patamar dos R$ 350/@ deixa de ser apenas expectativa para se tornar um alvo cada vez mais plausível no radar da pecuária brasileira.
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