Boi gordo chega ao fim da semana com viés de alta em importante praça; veja onde

Oferta restrita de animais terminados, escalas curtas e bom ritmo de vendas da carne sustentam os preços do boi gordo, mesmo diante de tentativas pontuais de pressão por parte da indústria

O mercado do boi gordo encerra a semana mantendo um viés de alta em praças relevantes do país, em um cenário marcado por equilíbrio delicado entre oferta limitada e demanda ainda consistente pela carne bovina. Embora frigoríficos tentem, em alguns momentos, pressionar as negociações, o ambiente segue favorável ao pecuarista, especialmente para lotes com padrão de exportação.

De acordo com analistas do setor, o comportamento do mercado físico ao longo dos últimos dias foi de acomodação com sustentação, reflexo direto da escassez de boiadas prontas, das escalas de abate encurtadas e do desempenho positivo das vendas no atacado, impulsionadas pela entrada de salários na economia.

Oferta curta dá sustentação às cotações

Segundo avaliações de consultorias especializadas, parte da indústria tem sinalizado ajustes na capacidade de abate, influenciada pela perspectiva de redução no ritmo de embarques para a China. No entanto, esse movimento encontra resistência no campo. O pecuarista apresenta maior capacidade de retenção neste início de ano, o que limita a disponibilidade imediata de animais e sustenta os preços da arroba .

Além disso, as escalas de abate permanecem curtas, entre sete e oito dias úteis nas principais praças, o que reforça o poder de barganha do produtor rural. Frigoríficos de menor porte enfrentam ainda mais dificuldades para alongar suas programações, cenário que impede recuos mais consistentes nos valores pagos pela arroba .

Preços da arroba do boi gordo nas principais praças

Na média das negociações mais recentes, os valores do boi gordo seguem firmes, com pequenas oscilações negativas em algumas regiões, mas sem perda do viés altista no curto prazo. Confira as referências:

  • São Paulo: R$ 319,77/@
  • Goiás: R$ 313,93/@
  • Minas Gerais: R$ 314,12/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 312,18/@
  • Mato Grosso: R$ 298,77/@

No mercado paulista, o diferencial entre categorias segue evidente. O boi sem padrão-exportação é negociado ao redor de R$ 318/@, enquanto o boi-China alcança R$ 322/@, reforçando o ágio pago por animais habilitados para exportação .

Atacado reage com entrada da massa salarial

No mercado atacadista, o movimento ao longo da semana foi de elevação nos preços, influenciado diretamente pela entrada da massa salarial e pelo aumento da reposição de estoques no varejo. O consumo doméstico permanece aquecido, com destaque para cortes nobres, mesmo diante da concorrência com proteínas mais acessíveis.

As referências atuais indicam:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg, com alta de R$ 1,10
  • Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg, avanço de R$ 1,15
  • Ponta de agulha: R$ 17,50/kg, mantendo estabilidade

Esse comportamento reflete forte giro nos supermercados, açougues e varejões, com pedidos de reposição sendo atendidos rapidamente nos centros de distribuição .

Atenção para a segunda quinzena

Apesar do cenário positivo, analistas alertam para um possível arrefecimento da demanda interna na segunda metade do mês, período tradicionalmente marcado por maior pressão no orçamento das famílias, devido a despesas como impostos, matrículas escolares e compromissos acumulados no cartão de crédito.

Ainda assim, o conjunto de oferta restrita, escalas enxutas e exportações ativas mantém o mercado do boi gordo sustentado, indicando que o viés de alta pode persistir em importantes praças, desde que não haja mudanças bruscas no ritmo de consumo ou no fluxo das exportações.

Para o pecuarista, o momento segue exigindo atenção redobrada ao timing de venda, avaliação criteriosa das escalas e leitura diária do mercado, que continua oferecendo oportunidades, sobretudo para animais com maior valor agregado.

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