Boi gordo dispara e chega a R$ 330/@, viés de alta permanece em importantes praças

Oferta restrita de animais, escalas de abate encurtadas e exportações aquecidas sustentam a arroba do boi gordo em patamares elevados; São Paulo lidera o movimento, mas valorização já se espalha por outros estados

O mercado do boi gordo encerra o mês de janeiro consolidando um forte movimento de alta, com a arroba alcançando R$ 330 em importantes praças pecuárias do país. O cenário atual confirma a leitura de um mercado firme, sustentado principalmente pela oferta curta de animais terminados, pela dificuldade dos frigoríficos em alongar suas escalas de abate e por um ambiente ainda favorável às exportações de carne bovina brasileira.

Segundo levantamento do Cepea/Esalq, os negócios fecharam janeiro com preços firmes e tendência positiva, especialmente em São Paulo, onde a arroba do boi gordo vem sendo negociada majoritariamente entre R$ 325 e R$ 330, refletindo o maior poder de barganha do pecuarista diante da escassez de oferta.

São Paulo atinge R$ 330/@ e puxa o mercado

Na praça paulista, o avanço dos preços ficou ainda mais evidente ao longo da última semana de janeiro. De acordo com a Agrifatto, tanto o boi comum quanto o chamado “boi China” passaram a ser negociados no mesmo patamar, atingindo R$ 330/@, uma valorização de até R$ 10/@ em poucos dias. A Scot Consultoria também confirmou o movimento, apontando reajustes consistentes nas cotações, especialmente nos negócios a prazo.

Esse comportamento reflete um cenário em que os frigoríficos, pressionados pela necessidade de completar suas escalas, acabam aceitando os valores pedidos pelos vendedores, mesmo em um período tradicionalmente mais fraco para o consumo interno.

Alta se espalha por outras praças pecuárias

O movimento de valorização não ficou restrito a São Paulo. Dados da Agrifatto mostram que o boi gordo também registrou altas em estados como Espírito Santo, Pará, Paraná e Santa Catarina, enquanto outras regiões mantiveram preços estáveis, indicando uma firmeza disseminada no mercado físico .

Levantamentos e análises da consultoria Safras & Mercado, apontam que a oferta limitada de animais prontos para o abate segue como o principal fator de sustentação dos preços. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, a combinação entre escalas curtas e demanda consistente por exportação mantém o apetite comprador das indústrias frigoríficas em todo o país.

Escalas de abate nos menores níveis dos últimos meses

Um dos pontos centrais para entender o atual patamar da arroba é o nível das escalas de abate. De acordo com a Datagro, as indústrias trabalham, em média, com apenas seis a sete dias de programação, o menor nível observado nos últimos dez meses. Desde o dia 21 de janeiro, a arroba na praça-base São Paulo saltou de R$ 317,02 para cerca de R$ 326,80, consolidando uma trajetória de alta praticamente contínua .

Além disso, fatores como o carrego irregular das chuvas, a retenção de fêmeas e animais jovens — estimulada pelos preços mais atrativos do bezerro — e a melhora das condições das pastagens têm dado ao produtor maior tranquilidade para negociar, reduzindo a pressão vendedora no mercado.

Exportações e mercado interno dão suporte aos preços do boi gordo

No front externo, as exportações seguem desempenhando papel fundamental. As parciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que os embarques de carne bovina já superam os volumes registrados no mesmo período do ano anterior, reforçando a demanda internacional, especialmente de mercados como China, Estados Unidos e União Europeia .

No mercado interno, mesmo com a cautela típica do fim de mês — marcada por pagamento de impostos e orçamento mais apertado do consumidor —, o atacado também apresentou movimento de alta surpreendente. Cortes do dianteiro, traseiro e até itens de maior valor agregado, como picanha e filé mignon, registraram reajustes, sinalizando estoques baixos nas indústrias e uma resiliência maior do consumo do que o esperado para janeiro .

Tendência segue positiva no curto prazo

Diante desse conjunto de fatores, analistas avaliam que o viés de alta permanece no curto prazo, enquanto persistirem as atuais condições de oferta e demanda. O mercado futuro na B3 já começa a precificar valores mais elevados para os próximos meses, reforçando a expectativa de continuidade do movimento de valorização da arroba.

Embora a valorização do real frente ao dólar possa limitar altas mais agressivas, o consenso entre as consultorias é de que o cenário segue favorável ao pecuarista, com preços firmes, escalas enxutas e um mercado internacional ainda demandante, criando um ambiente propício para a manutenção da arroba em patamares elevados nas principais praças do país.

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