Boi gordo dispara em fevereiro, escalas encurtam e mercado testa novos patamares acima de R$ 360/@

Com oferta restrita, exportações aquecidas e pastagens favorecidas pelas chuvas, boi gordo acumula alta expressiva no mês e indústria encontra dificuldade para alongar abates

O mercado do boi gordo encerra fevereiro com um cenário que há meses não se via com tanta intensidade: valorização consistente da arroba, escalas de abate encurtadas e pecuarista com maior poder de barganha nas negociações. A combinação entre oferta restrita de animais terminados, exportações firmes e boas condições de pastagem tem sustentado o movimento de alta nas principais praças pecuárias do país.

Levantamentos recentes mostram que o ambiente de negócios segue favorável no curtíssimo prazo. O mercado físico apresentou continuidade no movimento de alta ao longo da semana, com destaque para Mato Grosso do Sul, onde os reajustes foram mais evidentes.

Alta do boi gordo acumulada de quase 8% em fevereiro

Dados do Indicador Datagro apontam que a média da arroba em São Paulo saiu de R$ 326,87 no início de fevereiro para R$ 352,90 no dia 26, uma valorização de 7,96% no mês, alcançando o maior valor já registrado pela ferramenta .

Em Minas Gerais, o avanço também chamou atenção, com salto superior a R$ 7 em apenas um dia entre quarta e quinta-feira, reforçando a pressão altista nas negociações .

Pelo Indicador CEPEA/ESALQ, a arroba operou acima dos R$ 330 em praticamente todo o mês e acumulava alta de 7,1% até o dia 24 de fevereiro, refletindo a média dos negócios realizados em São Paulo .

Segundo pesquisadores do Cepea, a baixa oferta de animais prontos para abate e a combinação de demanda interna firme com exportações em ritmo recorde são os principais vetores dessa valorização.

Escalas estranguladas e poder de retenção no campo

Um dos pontos centrais dessa alta está nas escalas de abate. A dificuldade da indústria em alongar programações tem sido recorrente. Em média, as escalas giram em torno de apenas seis dias úteis, segundo análise da Datagro .

Já em outras praças monitoradas, a média nacional tem ficado entre 4 e 5 dias úteis, evidenciando a limitação na oferta disponível para abate .

As chuvas regulares em janeiro e fevereiro favoreceram o desenvolvimento das pastagens, permitindo que o pecuarista mantenha o gado terminado no campo por mais tempo. Esse fator reduz a pressão de venda e aumenta o poder de negociação frente aos frigoríficos .

Com isso, produtores já atuam para consolidar negócios a R$ 360/@ em São Paulo, embora o volume negociado nesse patamar ainda não tenha sido suficiente para estabelecer a nova referência oficial de mercado .

Cotações da arroba do boi gordo nas principais praças

No dia 26 de fevereiro, as referências do mercado físico indicavam:

  • São Paulo: R$ 360,00
  • Goiás: R$ 334,64
  • Minas Gerais: R$ 339,41
  • Mato Grosso do Sul: R$ 334,09
  • Mato Grosso: R$ 332,23

Segundo a Agrifatto, a arroba paulista segue cotada a R$ 355, enquanto nas demais 16 regiões monitoradas a média ficou em R$ 327,80 .

Pela Scot Consultoria, os preços brutos no prazo apontavam:

  • Boi gordo: R$ 350/@
  • Vaca gorda: R$ 325/@
  • Novilha gorda: R$ 335/@
  • Boi-China: R$ 355/@

Exportações e câmbio: combustível e risco

As exportações brasileiras de carne bovina in natura seguem em ritmo forte, contribuindo para o quadro de oferta enxuta no mercado doméstico .

Além disso, a demanda internacional permanece aquecida, fator que sustenta a valorização da arroba .

No entanto, o câmbio permanece como variável sensível. O dólar comercial encerrou a sessão cotado acima de R$ 5,13 , e a volatilidade cambial pode pressionar margens da indústria exportadora, limitando compras em determinados momentos .

Atacado e mercado futuro

No mercado atacadista, os preços da carne apresentam acomodação pontual, embora a entrada dos salários no início de mês possa estimular reajustes moderados. A carcaça casada no atacado paulista segue próxima de R$ 23/kg, mesmo em período tradicionalmente mais fraco de consumo.

Na B3, os contratos futuros mostram estabilidade recente. O vencimento para abril de 2026 foi negociado a R$ 352,65/@, praticamente sem variação diária .

Reposição também avança

No mercado de reposição, o bezerro Nelore de 8 a 12 meses em Mato Grosso do Sul acumulou alta de 4,56% na parcial de fevereiro, reforçando a sustentação da cadeia produtiva .

O que esperar das próximas semanas?

Os analistas indicam que o mercado deve seguir atento a três fatores decisivos:

  • Ritmo das exportações
  • Entrada de animais de confinamento
  • Comportamento da demanda doméstica no pós-Carnaval e durante a Quaresma

Se a oferta continuar restrita e as exportações mantiverem o atual desempenho, a arroba pode testar novos patamares acima de R$ 360 em São Paulo.

Por outro lado, eventual avanço no volume de confinamento ou pressão cambial mais intensa pode trazer ajustes pontuais.

No momento, contudo, o cenário segue claro: pecuarista capitalizado, escalas curtas e mercado sustentado — combinação que mantém a arroba firme e com viés altista no curto prazo.

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