Com rebanho no menor nível em 75 anos e demanda aquecida, mercado dos EUA impulsiona preços do boi gordo e pressiona cadeia global da carne bovina
No mercado pecuário norte-americano, o boi gordo alcançou um novo marco histórico ao ultrapassar a marca de US$ 250 por cwt (100 libras de peso vivo, equivalente a cerca 1,51 arrobas de peso vivo). O movimento, registrado nesta semana, reflete um cenário de oferta extremamente restrita, com o rebanho bovino dos Estados Unidos no menor nível em 75 anos, aliado a uma demanda aquecida por carne bovina, conforme análise divulgada pela imprensa especializada.
A valorização foi sustentada principalmente por negociações físicas recordes no Norte do país e pela combinação de fatores estruturais. Mesmo diante de tensões geopolíticas e custos elevados de combustível, o consumo segue firme, impulsionado também pela proximidade da temporada de churrascos na primavera.
Além disso, a ausência de importações de gado do México contribui para reduzir ainda mais a oferta disponível, pressionando os preços tanto do boi pronto para abate quanto do gado de reposição.
Após uma correção registrada no fim de 2025 — influenciada por declarações políticas que buscavam conter o avanço dos preços da carne — o mercado voltou a ganhar força. Os contratos futuros superaram as máximas anteriores e indicam um novo ciclo de valorização, surpreendendo parte dos analistas que duvidavam da retomada nesses patamares.
Os números mais recentes reforçam esse cenário: o contrato de abril de 2026 chegou a US$ 253,60, enquanto o de junho atingiu US$ 252. No mercado físico, o preço médio ponderado nas principais regiões chegou a US$ 248,38, com negócios pontuais atingindo US$ 250 — nível inédito na história recente do setor. Apesar disso, muitos produtores ainda resistem às vendas, apostando em novas altas diante da oferta curta de animais terminados.
Analistas destacam que o movimento não se limita ao boi gordo nos EUA. O mercado de reposição também vive um momento de forte valorização, com contratos futuros de gado para engorda atingindo recordes e índices de preços elevados nos leilões. A escassez é agravada pela redução no fluxo de animais provenientes do México, resultado do fechamento da fronteira para evitar a entrada de pragas, o que retirou cerca de 1,2 milhão de cabeças do sistema produtivo.
Do lado da demanda, o cenário segue igualmente robusto. Especialistas apontam que o consumo de carne bovina nos Estados Unidos está no maior nível em quatro décadas, sem sinais claros de rejeição aos preços elevados. Com a chegada de datas estratégicas para o varejo, como o Dia das Mães, a expectativa é de que cortes de maior valor, como steaks, continuem liderando as vendas.
Diante desse contexto, o mercado norte-americano entra em um momento de forte pressão altista, sustentado por fundamentos sólidos. A combinação de estoques reduzidos, demanda resiliente e restrições na oferta global mantém o setor em alerta, com perspectivas de preços firmes no curto prazo.
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