Consultorias apontam menor oferta de animais prontos, escalas mais apertadas, exportações firmes e demanda interna aquecida como fatores que sustentam o viés de alta da arroba do boi gordo.
O mercado físico do boi gordo iniciou junho com sinais mais claros de sustentação nos preços e possibilidade de novos reajustes no curto prazo. A combinação entre menor disponibilidade de animais prontos para abate, escalas menos confortáveis nos frigoríficos, bom ritmo das exportações e expectativa de melhora no consumo interno voltou a dar força à arroba.
Segundo análise da Agrifatto, o enfraquecimento da pressão vendedora colocou o mercado em um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A consultoria destaca que a redução da boiada terminada, especialmente após o esgotamento gradual da oferta vinda das pastagens, diminuiu a margem de conforto das indústrias e deu mais sustentação às negociações.
De acordo com a Safras & Mercado, o ambiente de negócios ainda sugere novos reajustes no curtíssimo prazo. O analista Fernando Henrique Iglesias aponta que as escalas de abate mais ajustadas e a boa demanda seguem dando suporte às cotações.
Pelos dados da Agrifatto, em São Paulo, o boi sem padrão exportação permaneceu em R$ 345/@, enquanto o chamado boi-China foi negociado a R$ 355/@. Na média das outras 16 praças monitoradas pela consultoria, o animal terminado ficou em R$ 339,90/@.
A Scot Consultoria também aponta sustentação no mercado paulista. Segundo a consultoria, os machos terminados seguem valendo R$ 347/@ para o boi comum e R$ 352/@ para o boi-China. Já as fêmeas gordas subiram R$ 2/@, com a vaca cotada a R$ 320/@ e a novilha a R$ 332/@.
Na avaliação da Scot, a oferta de bovinos atende à demanda dos frigoríficos, mas não apresenta excedente suficiente para pressionar as cotações para baixo. Com isso, os compradores encontram menos espaço para negociar abaixo das referências atuais.
Exportações e China seguem no radar
A demanda externa continua sendo um dos principais pontos de atenção do mercado. Segundo Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, o setor acompanha a expectativa de anúncio do governo chinês sobre o preenchimento de 80% da cota brasileira dentro do limite de 1,1 milhão de toneladas exportadas para a China.
Em relação aos Estados Unidos, Iglesias avalia que, mesmo em um cenário de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, a carne bovina tende a ser novamente preservada, devido às dificuldades enfrentadas pelos norte-americanos com rebanho menor e redução dos abates.
Cotações da arroba do boi gordo
Segundo levantamento da Safras & Mercado, os preços médios da arroba do boi gordo registraram alta nas principais praças:
- São Paulo: R$ 353,58
- Goiás: R$ 332,86
- Minas Gerais: R$ 327,35
- Mato Grosso do Sul: R$ 352,91
- Mato Grosso: R$ 355,07
Consumo interno pode ajudar a arroba
Além das exportações, a Agrifatto aponta que o consumo doméstico pode ganhar força na primeira quinzena de junho, impulsionado pelo pagamento de salários e benefícios sociais. Esse movimento tende a melhorar o escoamento da carne no atacado e ampliar o potencial de reajustes positivos para a arroba.
No atacado, a Safras & Mercado observa acomodação nos preços, mas ainda com expectativa de alta no início do mês. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 21,50/kg, a ponta de agulha a R$ 19,50/kg e o quarto traseiro a R$ 27/kg.
Mercado futuro também reage
Na B3, o movimento baixista visto nos pregões anteriores foi revertido. O contrato do boi gordo com vencimento em julho de 2026 fechou a R$ 342,20/@, com alta de 0,87%, segundo dados citados pela Agrifatto.
O cenário, portanto, segue mais favorável ao pecuarista. Com oferta ajustada, frigoríficos com menor poder de pressão e demanda firme, a arroba do boi gordo entra em junho com viés positivo e possibilidade de testar novos patamares caso o ritmo de compras se mantenha aquecido.
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