Boi gordo mantém viés de alta e “Unidos da Pecuária” ganha na disputa pós-Carnaval; veja

Oferta restrita, escalas curtas e exportações firmes sustentam avanço da arroba do boi gordo, enquanto mercado interno mostra sinais de acomodação na segunda quinzena de fevereiro

O mercado físico do boi gordo retomou as negociações após o Carnaval com preços mais altos e sinal claro de sustentação nas cotações. A combinação entre oferta enxuta de animais terminados, necessidade de recomposição das escalas de abate e bom desempenho das exportações criou um ambiente favorável ao pecuarista neste início de segunda quinzena de fevereiro.

De acordo com análise feita pelo Compre Rural, a indústria enfrenta dificuldades para alongar suas programações de abate, que giram entre cinco e seis dias úteis na média nacional. Esse cenário reforça o poder de barganha do produtor, especialmente em praças onde a retenção de oferta é mais evidente.

Segundo avaliação da consultoria Safras & Mercado, as negociações foram naturalmente impactadas pelo feriado, o que elevou a necessidade de compra por parte dos frigoríficos na volta às atividades. Ao mesmo tempo, as exportações seguem como principal vetor de sustentação dos preços, com ritmo consistente de embarques ao longo do primeiro bimestre.

Cotações da arroba nas principais praças

Os preços médios do boi gordo nas principais regiões produtoras indicam firmeza no mercado:

  • São Paulo: R$ 349,25 (na sexta anterior: R$ 348,33)
  • Goiás: R$ 330,32 (antes: R$ 329,29)
  • Minas Gerais: R$ 335,29 (antes: R$ 333,53)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 331,82 (antes: R$ 331,48)
  • Mato Grosso: R$ 325,74 (antes: R$ 323,45)

A leitura do mercado indica que, mesmo com ajustes pontuais, o viés predominante ainda é de alta moderada, especialmente nas regiões onde as escalas permanecem mais curtas.

Indicador Cepea confirma tendência positiva no boi gordo no mês

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq também reforça esse movimento. No dia 18/02/2026, a arroba foi cotada a R$ 343,90, acumulando alta mensal superior a 5%, apesar da leve variação negativa no dia (-0,04%). No dia 13/02, a cotação chegou a R$ 344,05, mostrando estabilidade em patamar elevado.

Em dólar, a arroba gira em torno de US$ 65, consolidando competitividade no mercado externo, principalmente diante do atual cenário cambial.

Atacado mostra acomodação e alerta para consumo

Se no campo a firmeza predomina, no atacado o cenário é de acomodação. A segunda quinzena de fevereiro tende a apresentar menor apelo ao consumo doméstico, pressionando a dinâmica interna da carne bovina.

Os cortes permanecem nos seguintes patamares:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg

Além disso, a carne bovina continua enfrentando maior concorrência com proteínas alternativas, que seguem pressionadas no primeiro bimestre, reduzindo a competitividade no varejo.

Câmbio também influencia o cenário

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,2424 para venda, com variação entre R$ 5,1930 e R$ 5,2495 ao longo do dia . A moeda norte-americana em patamar elevado favorece as exportações e ajuda a sustentar o viés positivo da arroba.

Unidos da Pecuária sai na frente

No embate tradicional entre indústria e pecuaristas, o cenário pós-Carnaval indica vantagem momentânea ao produtor. Com oferta restrita, escalas enxutas e exportações aquecidas, o chamado “Unidos da Pecuária” ganha força na disputa por melhores preços.

Ainda assim, o mercado segue atento ao comportamento do consumo interno nas próximas semanas. Caso a demanda doméstica não reaja, o ritmo de alta pode perder intensidade. Por ora, o quadro é de sustentação — e o pecuarista mantém a posição estratégica na mesa de negociação.

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