Boi gordo mantém viés de alta, enquanto boi-China acumula valorização de R$ 20/@ no mês

Oferta restrita, escalas curtas e exportações aquecidas sustentam preços firmes; pecuaristas já miram boi gordo a R$ 360/@ em São Paulo como referência

O mercado do boi gordo encerra fevereiro mantendo o ritmo de alta observado ao longo do mês, consolidando um cenário de oferta enxuta, escalas de abate curtas e demanda externa consistente. Na prática, os frigoríficos continuam enfrentando dificuldade para preencher suas programações, enquanto os pecuaristas retêm a venda dos lotes, fortalecendo o poder de barganha no campo.

De acordo com levantamento publicado pelas principais consultorias, o mercado físico voltou a registrar elevação de preços no início da semana. A restrição na oferta de animais terminados é apontada como o principal fator de sustentação das cotações, com escalas de abate entre cinco e seis dias úteis na média nacional, evidenciando aperto no curto prazo.

Oferta restrita e pastagens favorecem retenção

As chuvas no Centro-Oeste continuam favorecendo as pastagens, permitindo que o produtor segure o gado no campo e negocie de forma mais cadenciada. Esse ambiente contribui para que a indústria encontre maior resistência na compra de animais prontos para abate .

Além disso, as exportações seguem em ritmo elevado neste início de ano, funcionando como importante pilar de sustentação da demanda, o que reforça o viés altista no mercado físico .

Cotações médias da arroba do boi gordo pelo país

Na média das principais praças monitoradas, os preços avançaram na virada da semana:

  • São Paulo: R$ 355,00 (ante R$ 352,17 na sexta-feira)
  • Goiás: R$ 334,29 (ante R$ 333,04)
  • Minas Gerais: R$ 339,41 (ante R$ 338,53)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 333,86 (ante R$ 333,18)
  • Mato Grosso: R$ 330,34 (ante R$ 329,59)

Em São Paulo, levantamento da Agrifatto mostra que o preço de referência do boi gordo atingiu R$ 355/@ no dia 23/2, após alta diária de R$ 5/@ . Além da praça paulista, houve acréscimo em nove das 17 regiões monitoradas .

Boi-China acumula R$ 20/@ de alta em fevereiro

O destaque do mês fica para o animal padrão-China — abatido mais jovem, com até 30 meses. Segundo a Scot Consultoria, o boi-China paulista alcançou R$ 352/@ no prazo, enquanto o boi comum fechou em R$ 347/@ .

Desde o início de fevereiro, tanto o boi gordo quanto o boi-China acumulam valorização de R$ 20/@, conforme levantamento da Scot . No mesmo intervalo, a vaca gorda subiu R$ 21/@ e a novilha R$ 18/@ .

Com esse movimento, consultorias já indicam que, no curto prazo, os pecuaristas buscam superar a marca de R$ 360/@ em São Paulo .

Boi gordo
Fotos: Marcella Pereira

Mercado futuro confirma ágio do boi gordo no curto prazo

Na B3, os contratos do boi gordo também refletem o aperto imediato na oferta. O contrato fevereiro/26 encerrou a R$ 349,50/@, março/26 a R$ 354,40/@ e abril/26 a R$ 350,50/@, todos com variações positivas na semana .

Os vencimentos mais próximos seguem operando com ágio frente ao mercado físico, segundo a Agrifatto . Em relação ao indicador Datagro:

  • Fevereiro/26: ágio de R$ 1,63/@
  • Março/26: ágio de R$ 6,53/@
  • Abril/26: ágio de R$ 2,63/@

Já os contratos de maio e junho apresentam diferenciais mais estreitos, sinalizando expectativa de maior equilíbrio no período de safra .

O número de contratos em aberto avançou 4,64%, totalizando 48.797 posições, indicando entrada de novos recursos e maior participação no mercado futuro .

Atacado firme, mas consumo preocupa

No mercado atacadista, os preços permanecem firmes no encerramento de fevereiro . No entanto, há sinalização de que o consumo pode perder fôlego na próxima semana, o que pode limitar novas altas.

Os cortes seguem nos seguintes patamares :

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 20,00/kg

A carne bovina ainda enfrenta concorrência mais agressiva das proteínas alternativas, especialmente a carne de frango , o que impõe atenção ao comportamento da demanda doméstica.

Indicadores e custos também sobem

Na última semana, o indicador Datagro subiu 1,44%, para R$ 345,34/@, enquanto o Cepea avançou 1,61%, fechando a R$ 345,95/@. No mercado de reposição, o bezerro foi cotado a R$ 3.157,44/cabeça em MS, com alta de 0,39% .

Os custos também avançaram:

  • Milho: R$ 68,64/sc (+1,79%)
  • Farelo de soja: R$ 1.863,75/tonelada (+1,92%)
  • Dólar: média semanal de R$ 5,21 (+0,26%)

Boi gordo: Tendência para março

O mercado entra em março com fundamentos ainda altistas no curto prazo, sustentados por oferta restrita e exportações firmes. Entretanto, o comportamento do consumo doméstico e a evolução das escalas serão determinantes para saber se a arroba romperá definitivamente o patamar de R$ 360/@ nas principais praças.

Por ora, o recado do mercado é claro: o boi gordo mantém viés de alta e o boi-China consolida um mês de forte valorização, reforçando o momento de protagonismo do pecuarista nas negociações.

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