O preço da arroba do boi gordo em São Paulo registrou uma alta de 28% (ou R$ 55/@) no período de um ano; Nesse contexto, destacam as consultorias, os pecuaristas ainda aguardam maiores valorizações no mercado
O mercado físico do boi gordo manteve a trajetória de alta nesta quarta-feira (11), impulsionado pela oferta limitada de animais prontos para abate e pela demanda firme das indústrias, destacaram as principais consultorias que acompanham o mercado. Ainda segundo eles, a escassez de bovinos disponíveis tem encurtado as escalas de abate, forçando as indústrias a reajustarem os preços para garantir suas compras.
O ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade do movimento de alta no curto prazo, mostrando que as condições são boas para os pecuaristas que estão nas meses de negociações. O preço do boi gordo em São Paulo registrou uma alta de 28% (ou R$ 55 por arroba) no período de um ano. De acordo com dados da Scot Consultoria, o valor da arroba do animal pronto para abate atingiu R$ 250 nesta quarta-feira, em comparação aos R$ 195 registrados no mesmo dia de 2023.
Ainda segundo o levantamento da Scot, os preços dos bovinos prontos para abate voltaram a registrar aumentos significativos no mercado paulista e, o valor da arroba do boi gordo, subiu para R$ 250,00, com um incremento de R$ 5,00 por arroba em um único dia.
A vaca gorda também teve um aumento de R$ 5,00/@, atingindo R$ 225,00, enquanto a novilha gorda apresentou uma alta de R$ 3,00/@, sendo negociada a R$ 240,00. Já o boi-China, animais que tem como destinado o mercado exportador, teve uma valorização de R$ 5,00/@, alcançando o valor de R$ 255,00/@, apresentando um ágio de R$ 5,00 em relação ao boi comum.
“As ofertas estão restritas e as escalas de abate seguem encurtando, e hoje atendem, em média, sete dias”, relata a Scot, ainda referindo-se ao mercado de São Paulo.
“O cenário atual mostra uma necessidade maior de compra pelas indústrias, o que tem levado ao aumento nos preços do gado”, comenta Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado. Goiás foi um dos estados que mais registraram elevação nos valores durante o dia, com a tendência de alta sendo mantida, especialmente com o bom desempenho das exportações e o consumo interno se mantendo forte.
Cotações da arroba do boi nas principais praças
Os patamares médios da arroba nas principais regiões produtoras refletem esse cenário de alta:
- São Paulo: R$ 255/@
- Goiás: R$ 246/@
- Minas Gerais: R$ 246/@
- Mato Grosso do Sul: R$ 257/@
- Mato Grosso: R$ 220/@
Esses valores mostram uma disparidade entre as regiões, com São Paulo e Mato Grosso do Sul apresentando as maiores cotações, refletindo uma oferta ainda mais limitada nesses estados.
Indicador sobe 3% em dez dias, mas pecuarista espera maiores altas
Levantamentos do Cepea mostram que as cotações do boi gordo seguem em alta, sustentadas pela oferta limitada de animais prontos para abate no spot. No acumulado da primeira dezena de setembro, o Indicador CEPEA/B3 subiu 3,1%, passando de R$ 239,75 no último dia útil de agosto, para R$ 247,20 nessa terça-feira, 10.
Segundo pesquisadores do Cepea, apesar do movimento altista, pecuaristas se mantêm resistentes em entregar o boi, na expectativa de valores maiores que os atuais.
Divulgação recente do IBGE mostra que o volume abatido no segundo trimestre foi recorde, com destaque para a categoria fêmea (vaca e novilha) – foram 8,8 milhões de cabeças no semestre, o que representou 45,7% do total de animais abatidos.
Mercado atacadista firme, mas carne pode perder competitividade
No mercado atacadista, os preços também mantêm um movimento de alta, com destaque para o quarto traseiro, cotado a R$ 19,50 por quilo, após uma alta de R$ 0,75. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 14,75 por quilo, e a ponta de agulha subiu para R$ 15,00 por quilo.
Por outro lado, analistas alertam para a possibilidade de a carne bovina perder competitividade em relação a outras proteínas no segundo semestre, o que pode frear o ritmo de alta no médio prazo.
Mercado futuro e expectativas
Na avalição da Agrifatto, o principal indicador que guia o movimento de alta neste momento é a oferta mais restrita de bovinos. No mercado futuro, o contrato de boi gordo para dezembro/2024 na B3 também refletiu o otimismo, com alta de 0,53%, fechando o dia a R$ 266,50/@. A expectativa de uma oferta restrita durante a entressafra mantém os preços elevados, mas especialistas apontam que o mercado pode sofrer ajustes conforme a demanda por carne bovina oscilar no varejo.
Câmbio e impacto nas exportações
O dólar comercial encerrou o dia em leve queda de 0,07%, sendo cotado a R$ 5,64 para venda. A oscilação da moeda impacta diretamente as exportações de carne bovina, que têm desempenhado um papel crucial para manter os preços internos elevados.
O mercado do boi gordo continua sustentado pela oferta restrita e pela demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto externo. No entanto, a competitividade da carne bovina frente a outras proteínas pode influenciar o ritmo de alta no futuro, especialmente à medida que o cenário cambial e a oferta de gado evoluem.
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