Boi gordo segue firme e carne bovina mantém preços em alta; o que esperar?

Mesmo com tentativas de compra em preços menores e queda da arroba do boi gordo em algumas regiões, mercado segue sustentado pela oferta limitada, exportações aquecidas e valorização histórica da carcaça bovina.

O mercado do boi gordo iniciou maio em um cenário de ajuste, mas longe de indicar uma virada negativa para a pecuária. Enquanto frigoríficos tentam alongar as escalas e comprar em valores menores, a carne bovina no atacado segue em patamares elevados e a carcaça casada atingiu o maior preço real da série histórica do Cepea, iniciada em 2001.

Segundo levantamento do Cepea, a média da carcaça casada bovina chegou a R$ 25,23 por quilo em abril, alta de 3,74% frente a março e avanço de 9,95% no acumulado do primeiro quadrimestre. O movimento da carne bovina foi puxado principalmente pelo dianteiro, que subiu para R$ 22,55/kg, e pela ponta de agulha, que avançou para R$ 21,12/kg.

Na prática, o dado mostra que, mesmo com pressão pontual sobre a arroba, a carne bovina continua valorizada no mercado interno e externo, refletindo a oferta ainda limitada de animais prontos para abate e a demanda internacional firme.

De acordo com a Agrifatto, nesta quinta-feira (7/5), os preços do boi gordo recuaram em 9 das 17 praças pecuárias monitoradas, incluindo São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Espírito Santo, Maranhão e Rio de Janeiro. Em São Paulo, o boi comum foi cotado a R$ 350/@, enquanto o boi-China permaneceu em R$ 360/@, ambos a prazo.

Apesar da queda em parte das praças, o mercado do boi gordo não apresenta excesso de oferta. A leitura das consultorias é de que frigoríficos com escalas mais confortáveis tentam pressionar os preços, enquanto indústrias com escalas mais curtas seguem mais ativas e dispostas a pagar valores maiores por lotes específicos.

A Scot Consultoria apontou que, em São Paulo, as escalas de abate estão em torno de 12 dias, o que dá maior poder de negociação à indústria. Já a Agrifatto avalia que a pressão baixista pode ganhar força na segunda quinzena de maio, período em que o consumo doméstico tende a perder fôlego com o esgotamento dos salários pagos no início do mês.

Outro ponto importante é o comportamento regional. Em Goiás e Minas Gerais, o desgaste das pastagens reduziu a capacidade de retenção dos animais pelos pecuaristas, aumentando a disponibilidade de boiada para abate. Já em estados como Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, as chuvas de abril ajudaram a preservar as pastagens e deram mais sustentação aos preços.

A Safras & Mercado também destacou esse contraste. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, Mato Grosso segue com cotações mais firmes porque a melhor condição das pastagens permite ao pecuarista cadenciar as vendas. Com isso, o estado passou a negociar acima de São Paulo, com média de R$ 355,88/@, contra R$ 352/@ na praça paulista.

A exportação segue como peça-chave para o mercado. O avanço da cota chinesa de importação, limitada a 1,1 milhão de toneladas, é acompanhado de perto pelos agentes do setor. A expectativa das consultorias é de que esse volume possa ser preenchido até meados de junho, fator que pode influenciar diretamente o ritmo dos negócios com o boi-China no curto prazo.

No atacado, porém, houve acomodação. A Safras informou recuo nos cortes bovinos, com o quarto traseiro cotado a R$ 27,50/kg, o dianteiro a R$ 21,50/kg e a ponta de agulha a R$ 20,00/kg. Mesmo com boa demanda, os preços elevados começam a pesar sobre o consumo doméstico, especialmente diante da concorrência com proteínas mais baratas, como o frango.

Ainda assim, o cenário geral não é de crise. Maio costuma ser um mês sazonalmente mais pressionado para a arroba do boi gordo, por causa do avanço do outono e da perda de qualidade das pastagens em parte do país. O que se desenha, neste momento, é um mercado de acomodação, com quedas pontuais, mas ainda sustentado por fundamentos importantes: oferta limitada, exportações aquecidas, boi-China valorizado e carne bovina em patamar historicamente elevado.

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