Oferta restrita de animais terminados, exportações aquecidas e consumo doméstico em recuperação criam ambiente favorável para novos reajustes no mercado do boi gordo pelas praças pecuária do país
O mercado físico do boi gordo iniciou fevereiro com um cenário de firme valorização em diversas regiões do Brasil, reforçando a percepção de que o ciclo de alta ainda não perdeu força. Negociações acima da média vêm sendo registradas nas principais praças pecuárias, enquanto a limitação na oferta de animais prontos para abate mantém as indústrias sob pressão para garantir matéria-prima.
Analistas do setor já começam a trabalhar com a possibilidade de novos patamares de preço no curto prazo — e a arroba de R$ 340 em São Paulo deixa de ser apenas uma projeção distante para entrar efetivamente no radar do mercado.
Escalas curtas revelam falta de boiadas
Um dos principais vetores dessa valorização é o encurtamento das programações de abate. A oferta de animais terminados permanece restrita, mantendo as escalas entre cinco e seis dias úteis na média nacional, um nível considerado apertado para o setor frigorífico.
Além disso, há registros ainda mais enxutos em algumas leituras de mercado: o volume de boiadas negociado não tem sido suficiente para alongar as programações, que giram entre quatro e cinco dias, após redução recente de dois a três dias úteis.
Esse descompasso entre disponibilidade de gado e necessidade das indústrias reforça o viés altista. A limitação da oferta impede a recomposição das escalas e sustenta a pressão por preços maiores, apontam consultorias.
Arroba sobe em várias regiões e testa novos níveis
Os preços do boi gordo avançaram em São Paulo e em outras 11 regiões brasileiras, enquanto parte das praças apresentou estabilidade — um comportamento típico de mercados em trajetória de valorização gradual.
No estado paulista, o animal chegou a R$ 335/@ após alta diária de R$ 5, e já há indicativos de avanço para R$ 340/@ no curto prazo.
Segundo dados de consultorias:
- Boi comum (sem padrão exportação): R$ 327/@ em São Paulo
- “Boi China”: cerca de R$ 332/@ (preços brutos, a prazo)
A Scot Consultoria destaca ainda que o valor atual é o maior desde abril de 2025, embora negócios a R$ 335/@ ainda sejam considerados pontuais e não configurem referência consolidada.
Média nacional confirma tendência positiva no preço do boi gordo
Levantamento recente mostra reajustes discretos, porém contínuos, nas principais praças:
- São Paulo: R$ 335,00
- Goiás: R$ 316,79
- Minas Gerais: R$ 319,12
- Mato Grosso do Sul: R$ 318,07
- Mato Grosso: R$ 311,08
O movimento reforça que a alta não é localizada, mas sim resultado de fundamentos amplos do mercado.
Demanda forte — dentro e fora do Brasil
O ambiente de preços mais firmes também encontra suporte na demanda aquecida. O escoamento da carne tende a melhorar nos primeiros dias do mês — período tradicionalmente marcado pela recomposição do poder de compra após o pagamento de salários.
No varejo, o consumo ganhou tração e os pedidos de reposição avançaram de forma consistente, sinalizando desempenho superior ao observado no início do mês anterior.
Já no mercado externo, os embarques seguem em bom ritmo, com destaque para as vendas ao mercado norte-americano, fortalecendo o cenário de sustentação dos preços.
Atacado mostra resistência mesmo com proteínas concorrentes
Outro fator relevante é o comportamento do atacado. Mesmo em um período que costuma registrar consumo doméstico mais frágil, os estoques baixos nas indústrias ajudam a manter os preços da carne bovina estáveis.
Os cortes seguem nos seguintes patamares:
- Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
- Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg
- Ponta de agulha: R$ 18,00/kg
A queda nos preços de frango e suínos ainda não foi totalmente repassada ao varejo, o que contribui para a firmeza da carne bovina.
Além disso, a demanda por matérias-primas destinadas à desossa e ao charque permanece aquecida, aprofundando o desequilíbrio entre procura elevada e oferta limitada — um sinal clássico de pressão altista.
Câmbio e contexto econômico
No cenário macroeconômico, o dólar comercial encerrou o dia praticamente estável, cotado próximo de R$ 5,24, após leve queda de 0,17%.
Embora o impacto imediato sobre a arroba seja limitado, a taxa de câmbio segue como variável estratégica para a competitividade das exportações brasileiras.
O que esperar do mercado do boi gordo?
A combinação de fatores — escassez de boiadas, escalas curtas, exportações firmes e consumo doméstico reagindo — indica que o mercado pode continuar testando novos patamares nas próximas semanas. Se a oferta permanecer restrita e a demanda seguir aquecida, a arroba do boi gordo em R$ 340 deixa de ser apenas expectativa e passa a representar um possível novo piso psicológico para a pecuária brasileira.
Para o pecuarista, o momento reforça a importância do planejamento comercial e da gestão de oferta, enquanto frigoríficos devem enfrentar margens mais pressionadas na disputa por animais prontos.
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