Semana após semana, frigoríficos renovam o fôlego para conceder novos reajustes positivos aos animais para abate e, agora, preços testam recorde de R$ 360/@; Seria agora o momento ideal para os pecuaristas aproveitarem as cotações do boi gordo?
Os preços do boi gordo continuam em alta semana após semana, sustentados por reajustes positivos promovidos pelos frigoríficos, que refletem a alta demanda por animais para abate. Enquanto São Paulo apresenta negócios acima da média de referência e preços testam recorde de R$ 360/@. Já Região Norte demonstra estabilidade, com algumas transações pontuais até mesmo abaixo dos valores de referência.
Esse conjunto, faz com que o mercado de boi gordo tenha vivido um período de forte valorização, impulsionado por fatores como alta demanda internacional, câmbio favorável e limitação de oferta. Este cenário levanta a questão: seria agora o momento ideal para os pecuaristas aproveitarem as cotações?
“As exportações seguem impressionantes na atual temporada. O final do ano de 2024 vem sendo marcado pelo maior volume da história. O que torna o quadro ainda mais interessante é o amplo processo de desvalorização cambial, somado à recuperação dos preços em dólar pagos pela tonelada da carne bovina no mercado internacional”, destacou Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado.
Cenário atual e indicadores de preço do boi gordo
De acordo com os dados mais recentes do Indicador do Boi Gordo CEPEA/B3, o preço da arroba registrou R$ 347,05 no dia 21 de novembro de 2024, marcando uma valorização mensal de 8,93%. Este movimento de alta também é refletido em outros estados como Goiás, onde a arroba já chega a R$ 350, segundo a consultoria Safras & Mercado.
Na comparação com outras praças, São Paulo se destaca pelas negociações acima da média, enquanto regiões do Norte apresentam uma relativa estabilização.
Exportações recordes e o impacto cambial
O mercado internacional continua sendo um dos principais motores desta alta. O ano de 2024 já é considerado histórico para as exportações brasileiras de carne bovina, quebrando sucessivos recordes. A desvalorização do real frente ao dólar, que fechou o dia a R$ 5,81, favorece ainda mais a competitividade do produto nacional.
Segundo analistas, o mercado externo tem sustentado os preços em dólar por tonelada, criando um ambiente propício para novos ajustes positivos.

Dinâmica interna: limitações no varejo e alta no atacado
Enquanto o mercado externo impulsiona o setor, a demanda interna enfrenta desafios. Apesar do aumento nos preços da carne no atacado, o consumidor brasileiro tem demonstrado limitação em absorver os reajustes, migrando para proteínas mais baratas como frango e ovos.
Os cortes de carne bovina como o quarto traseiro (R$ 26/kg) e o quarto dianteiro (R$ 19,50/kg) têm apresentado firmeza nos preços, refletindo a tentativa da indústria de repassar os custos.
Estratégia de venda: hora de aproveitar?
Com a arroba do boi testando patamares próximos a R$ 360, o momento é estratégico para os pecuaristas. Segundo o Cepea, a demanda dos frigoríficos por animais prontos permanece elevada, mas as escalas de abate estão cada vez mais curtas. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda mantém o fôlego das cotações. Ainda para os pesquisadores, semana após semana, frigoríficos renovam o fôlego para conceder novos reajustes positivos aos animais para abate e o mesmo acontece entre os pecuaristas nas negociações de reposição.
Por outro lado, a consultoria Agrifatto alerta que o consumidor final, tanto doméstico quanto externo, tem limites para absorver altas contínuas. Isso indica que o ciclo de valorização pode encontrar resistência nos próximos meses.
Expectativas futuras para o boi gordo
No mercado futuro, os contratos para fevereiro de 2025 estão precificados em R$ 330,55, apontando uma possível acomodação no início do próximo ano. No entanto, os analistas concordam que o câmbio e a demanda externa ainda podem sustentar níveis elevados de preço até o final de 2024.
Resumo:
- Arroba do boi gordo em R$ 347,05, com alta mensal de 8,93%.
- Exportações aquecidas e câmbio favorável sustentam o mercado.
- Frigoríficos buscam repassar altas para o varejo, mas enfrentam limitações no consumo interno.
- Pecuaristas devem avaliar o momento para vendas estratégicas, aproveitando o atual fôlego de alta.
Com o mercado aquecido e novas valorizações à vista, oportunidades surgem para quem estiver atento às movimentações de curto prazo, especialmente em um cenário onde o preço da arroba testa novos recordes históricos.
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