Boi gordo tem negociações acima da referência em importante praça; veja as cotações da arroba

Pecuarista segura o gado, escalas encurtam e mercado testa novas máximas no preço do boi gordo; São Paulo lidera as referências

O mercado físico do boi gordo voltou a ganhar tração e já registra negociações acima da referência média em diferentes estados, com destaque para São Paulo, principal praça do país. O movimento acontece em um cenário de oferta mais ajustada, com produtores mais capitalizados e frigoríficos tendo que disputar melhor os lotes prontos, especialmente diante de escalas de abate mais curtas.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, o ambiente atual reforça uma postura mais firme por parte da pecuária: as escalas de abate seguem “encurtadas”, girando entre seis e sete dias úteis na média nacional, o que tende a puxar uma atuação mais agressiva das indústrias nas compras.

Além disso, um ponto vem chamando atenção: mesmo em um período em que o consumo costuma perder intensidade, o atacado segue sustentado. Para Iglesias, o comportamento da carne tem sido “surpreendente”, com preços ainda elevados em um momento típico de demanda mais fraca — o que ajuda a explicar por que as cotações do boi não cederam com força.

Negócios acima da referência: o que está puxando a arroba?

O avanço nas negociações ocorre por uma combinação de fatores que, juntos, deixam o mercado mais firme:

  • Escalas de abate curtas (6 a 7 dias úteis na média nacional), apertando o ritmo de compra das indústrias
  • Oferta controlada, com pecuarista conseguindo segurar o gado pronto em algumas regiões
  • Atacado ainda valorizado, mesmo na segunda quinzena do mês, período geralmente mais fraco
  • Exportações ainda relevantes, com destaque para o início de ano com boa presença de demanda internacional, especialmente dos EUA

A tendência, porém, exige leitura estratégica. Embora o momento seja positivo para o produtor, analistas apontam que a segunda quinzena pode limitar novas altas caso o consumo doméstico desacelere e as proteínas concorrentes ganhem competitividade.

Cotações do boi gordo: média da arroba nas principais praças

Na referência desta terça-feira (20), as médias indicadas foram:

  • São Paulo: R$ 321,67/@
  • Goiás: R$ 310,00/@
  • Minas Gerais: R$ 309,41/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 307,61/@
  • Mato Grosso: R$ 295,68/@

O destaque é São Paulo, que segue liderando as referências, com negócios pontuais acima da média quando há lotes de qualidade, escala curta e pressão por abate.

Atacado reage, mas pode perder força no curtíssimo prazo

No mercado atacadista, os preços registraram alta no decorrer da semana, mas com expectativa de menor apelo para novas altas na segunda quinzena. A avaliação é de que pode haver algum recuo no curtíssimo prazo, especialmente caso o consumo interno não acompanhe a firmeza atual das negociações.

Entre os preços da carne no atacado, os patamares observados foram:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50/kg (alta de R$ 0,10)
  • Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg
  • Ponta de agulha: R$ 17,50/kg

Um ponto importante de atenção é que, no início do ano, algumas proteínas concorrentes apresentaram queda, aumentando a disputa no balcão e influenciando o poder de repasse da carne bovina.

Exportações ainda firmes no pano de fundo, mas com sinais de ajuste

Mesmo com a sustentação do mercado externo ajudando a dar suporte ao boi gordo, há sinais de que o ritmo de embarques pode oscilar.

Dados da Secex compilados e analisados pela Agrifatto apontam que, na 3ª semana de janeiro/26, o volume exportado de carne bovina in natura foi de 36,95 mil toneladas, o menor nível semanal desde a quarta semana de julho de 2025.

Na média diária, os embarques ficaram em 7,39 mil toneladas, com queda de 50,36% em relação à semana anterior e recuo de 20,26% frente ao mesmo período de 2025.

Apesar disso, o preço médio da tonelada exportada mostrou estabilidade, em US$ 5,54 mil, com leve alta semanal de 0,26%. Diante desse ajuste, a Agrifatto revisou suas expectativas e passou a projetar que janeiro deve encerrar com volume em torno de 233 mil toneladas.

O mercado virou uma “queda de braço” entre indústria e pecuarista

Mesmo com algumas altas pontuais, o momento é descrito por consultorias como um período de disputa direta por preço. De acordo com avaliação de mercado, há uma queda de braço entre frigoríficos e pecuaristas, em que:

  • a indústria tenta pressionar valores diante do escoamento mais lento do consumo interno
  • enquanto o produtor resiste, sustentado por pastagens e menor urgência para vender

Ainda assim, o mercado segue travado: as escalas atendem cerca de oito dias, na média nacional, o que reduz a folga da indústria e impede quedas mais agressivas em momentos de oferta curta.

Na praça paulista, a Agrifatto apontou o boi gordo em R$ 320/@, com média nacional (nas praças monitoradas) em R$ 303,80/@, destacando que as cotações ficaram “de lado” por três dias consecutivos nas 17 regiões acompanhadas.

Já a Scot Consultoria indicou, em São Paulo, boi gordo sem padrão-exportação em R$ 318/@, boi-China em R$ 322/@, vaca gorda em R$ 302/@ e novilha em R$ 312/@ (preços brutos, a prazo).

Câmbio também entra na conta do mercado pecuário

O dólar segue no radar por seu impacto direto na atratividade das exportações. Na sessão acompanhada, a moeda encerrou em alta de 0,29%, cotada a R$ 5,3795 (venda), com oscilação entre R$ 5,3591 e R$ 5,4086 no dia.

Com o dólar em patamar elevado, o Brasil mantém competitividade no mercado externo — o que ajuda a sustentar o boi, mesmo quando o consumo interno perde fôlego.

O que o pecuarista deve observar antes de negociar

Com o mercado indicando negócios acima da referência em praças estratégicas, o produtor precisa ir além do preço nominal da arroba.

Peso do lote, padrão exportação (boi-China), condição do pasto e ritmo de compra da indústria são fatores que determinam se o melhor caminho é vender agora ou segurar mais alguns dias.

No curto prazo, o cenário segue sustentado pela oferta controlada, mas com limite para novas altas mais consistentes caso o consumo interno e as exportações não mostrem reação firme.

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