Valorização pontual da arroba do boi gordo reflete escalas de abate mais curtas, oferta restrita de animais terminados a pasto e ajuste do mercado exportador após mudanças nas regras de importação, especialmente da China; México surge como alternativa relevante no escoamento da carne brasileira.
O mercado do boi gordo iniciou 2026 com o primeiro movimento de alta efetiva nos preços, sinalizando um ajuste importante após semanas de estabilidade. Negócios pontuais já alcançam R$ 324/@, sobretudo em praças pecuária estratégicas, em um cenário marcado por escalas de abate mais apertadas, postura mais ativa dos frigoríficos e atenção redobrada às exportações diante das novas cotas impostas pela China e do avanço das vendas para o México .
Ao contrário de um movimento generalizado, a valorização ocorre de forma seletiva, mas suficiente para indicar mudança de humor no mercado físico. Segundo analistas, frigoríficos — especialmente os de menor porte — passaram a atuar de maneira mais agressiva na compra de boiadas, diante da dificuldade de alongar escalas em um período típico de menor oferta de animais terminados a pasto.
Escalas curtas e oferta limitada sustentam a arroba do boi gordo
O fator central por trás da primeira alta do ano é o posicionamento das escalas de abate, que em várias regiões operam no limite. A oferta de gado pronto segue restrita, especialmente de animais terminados exclusivamente a pasto, situação que tende a se normalizar apenas mais adiante no trimestre. Esse descompasso entre oferta e demanda força ajustes positivos nos preços, ainda que sem espaço, por ora, para movimentos mais intensos de alta .
Nas médias apuradas nas principais praças, os valores seguem firmes, com São Paulo orbitando pouco acima de R$ 320/@, enquanto estados como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apresentam leve recuperação frente aos últimos dias. Já Mato Grosso continua com preços mais pressionados, refletindo maior disponibilidade regional de animais .
Atacado estável e consumo mais seletivo no início do ano
No mercado atacadista, os preços da carne bovina permanecem relativamente estáveis. Após o período de festas, o consumo interno tende a se ajustar, com menor demanda por cortes de maior valor agregado, como o traseiro bovino, e preferência por proteínas mais acessíveis. Ainda assim, os patamares de preços seguem sustentados, evitando repasses negativos ao produtor neste momento .
Esse comportamento do consumo ajuda a explicar por que a alta da arroba, apesar de real, ocorre de forma moderada e localizada, sem pressão adicional significativa por parte do varejo.
China muda regras, mas segue comprando carne brasileira
No front externo, o mercado ainda absorve os efeitos da nova política de salvaguarda da China, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. O governo chinês estabeleceu cotas anuais por país fornecedor e determinou uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem esses limites, somando-se à alíquota já existente. Para o Brasil, a cota anual ficou fixada em 1,106 milhão de toneladas, com previsão de aumento gradual até 2028 .
A medida, que inicialmente gerou apreensão entre produtores e frigoríficos, não interrompeu o fluxo de compras. Pelo contrário, importadores chineses voltaram ao mercado pagando mais pela proteína brasileira. Levantamentos indicam valorização do dianteiro desossado no mercado internacional, reforçando o viés positivo para as exportações, mesmo dentro de um ambiente mais regulado .
Vale destacar que mais de 50% da carne bovina exportada pelo Brasil tem como destino a China, o que torna qualquer ajuste regulatório relevante para a formação de preços internos. Ainda assim, o mercado demonstra capacidade de adaptação, redistribuindo volumes e ajustando estratégias comerciais.
México ganha protagonismo como destino alternativo
Paralelamente ao ajuste chinês, o México desponta como um importante vetor de sustentação das exportações brasileiras. O país tem ampliado suas compras de carne bovina, ajudando a compensar eventuais limitações impostas por outros mercados e contribuindo para manter o escoamento da produção nacional em níveis robustos.
Esse redirecionamento parcial das vendas externas ajuda a explicar por que, mesmo diante das novas cotas chinesas, não houve pressão negativa imediata sobre a arroba, reforçando a leitura de um mercado mais equilibrado neste início de ano.
Cenário pede cautela, mas sinaliza sustentação do preços do boi gordo
Embora a alta para R$ 324/@ marque um ponto importante no começo de 2026, analistas avaliam que o mercado ainda não reúne fundamentos para uma escalada mais consistente no curtíssimo prazo. Para isso, seria necessário um novo fator de estímulo, seja do lado da demanda interna, seja das exportações. Ainda assim, o conjunto de oferta controlada, escalas curtas e exportações ativas cria um ambiente de sustentação para os preços, reduzindo o risco de quedas abruptas no curto prazo .
Em síntese, o boi gordo começa o ano com um sinal positivo: a arroba reage, o mercado se ajusta às novas regras internacionais e o produtor ganha fôlego, mesmo em um cenário que ainda exige cautela e acompanhamento constante dos desdobramentos no comércio global.
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