Raças Angus e Ultrablack avançam sobre a pecuária nordestina, impulsionando uma nova era do “boi preto”; movimento ganha força com o 2º Leilão VPJ Genetics – Edição Nordeste, em Maceió (AL).
A força das raças taurinas de pelagem preta está transformando a pecuária nordestina. Em um movimento que vem ganhando espaço nas pistas, nos confinamentos, nas vaquejadas e até nos projetos de exportação de gado vivo, Angus, Brangus e Ultrablack avançam sobre um mercado historicamente dominado por animais zebuínos. E um dos principais símbolos dessa expansão será o 2º Leilão VPJ Genetics – Edição Nordeste, marcado para o próximo dia 16 de maio, em Maceió (AL).
Promovido pela VPJ Pecuária durante a 13ª ExpoAlagoas Genética, o remate reforça a estratégia do criatório de ampliar a presença do Brangus e do Ultrablack na região, hoje considerada uma das novas fronteiras agropecuárias do Brasil. O evento acontece no Parque da Pecuária e terá transmissão pela TV Agreste e Lance Rural.
Ao todo, serão ofertados 30 touros e 40 bezerras Brangus e Ultrablack, além de matrizes, embriões e cotas de reprodutores em coleta nas principais centrais de inseminação artificial do país.
Segundo Valdomiro Poliselli Júnior, titular da VPJ Pecuária, a proposta é acelerar a formação de novos plantéis de genética superior no Nordeste. “Estamos oferecendo o que há de mais avançado no melhoramento genético dessas raças, com a proposta de acelerar a formação de novos plantéis”, afirma.

A expansão do “boi preto” no Nordeste
O crescimento das raças Angus e Ultrablack no Nordeste acompanha uma mudança estrutural na pecuária regional. A busca por animais mais precoces, férteis, pesados e com melhor qualidade de carne abriu espaço para genéticas taurinas adaptadas ao clima semiárido, especialmente em sistemas mais tecnificados.
Nesse contexto, Brangus e Ultrablack passaram a ocupar uma posição estratégica. O Brangus reúne rusticidade e adaptação oriundas do Zebu com a qualidade de carne do Angus. Já o Ultrablack, composto majoritariamente por genética Angus, vem conquistando espaço pela padronização, desempenho e elevada aceitação comercial.
A chamada “invasão do boi preto” já impacta diretamente diferentes cadeias produtivas do Nordeste. Frigoríficos passaram a bonificar carcaças com melhor acabamento e qualidade de carne, enquanto projetos de exportação de gado vivo enxergam nessas raças uma oportunidade para atender mercados mais exigentes, especialmente no Oriente Médio.
A localização estratégica da região, próxima aos portos exportadores, fortalece ainda mais esse avanço.

VPJ foi pioneira no Ultrablack
A trajetória da VPJ ajuda a explicar a força desse movimento. O grupo está entre os pioneiros do Brangus no Brasil e foi uma das primeiras seleções a apostar no potencial do Ultrablack como alternativa altamente produtiva para sistemas modernos de pecuária de corte.
Os animais descendem de alguns dos principais touros norte-americanos, selecionados em rigorosas avaliações de desempenho, qualidade de carne e eficiência produtiva.
Muito antes da consolidação dessas raças no país, a propriedade já investia em importação de linhagens superiores, genômica, ultrassonografia de carcaça, provas de performance e forte pressão de seleção. O resultado foi a formação de um plantel que hoje abastece importantes centrais de inseminação artificial e produz reprodutores reconhecidos nacionalmente.
Vaquejada impulsiona demanda pela “boiada preta”
Outro fator que acelera o crescimento dessas raças é a vaquejada, uma das atividades culturais e econômicas mais fortes do Nordeste.
A chamada “boiada preta”, também conhecida como “boiada da disputa”, tornou-se extremamente valorizada nas competições pela combinação entre velocidade, resistência, força e desempenho. Nesse cenário, Brangus e Ultrablack passaram a ser vistos como animais ideais para abastecer o setor.
Além da funcionalidade esportiva, o visual padronizado dos animais de pelagem preta também ganhou forte apelo comercial dentro do segmento.

Alagoas se consolida como polo de genética
Para Rafael Andrade, gerente de pecuária da VPJ, a escolha de Alagoas para sediar o remate não é por acaso. Segundo ele, o estado se tornou referência em pecuária moderna no Nordeste, principalmente pelo avanço das biotecnologias reprodutivas.
“A escolha de Alagoas reforça o protagonismo do estado em uma pecuária moderna, sustentada pelo uso de biotecnologias como a inseminação artificial, com índices historicamente acima da média nacional”, destaca.
O executivo também lembra que Alagoas foi pioneiro na consolidação de uma marca de carne certificada pelo Brazil Beef Quality, reforçando a valorização regional da carne de qualidade e da remuneração por desempenho.
Com genética avançada, valorização comercial crescente e adaptação aos sistemas produtivos do semiárido, o avanço das raças Angus, Brangus e Ultrablack indica que a pecuária nordestina vive uma nova fase — mais tecnificada, mais eficiente e cada vez mais dominada pelo “boi preto”.
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